Ranking mostra deficiência do país

Em: 17 de agosto de 2016
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No final de junho foi divulgado o relatório da pesquisa bienal Logistics Performance Index (LPI) do Banco Mundial em Washington (EUA), que desde 2007 mede a eficiência do setor em 160 países. Este ano o Brasil aparece em 55ª posição, dez a mais do que no último levantamento, em 2014, quando ocupava o 65º lugar. A aparente melhora pode ser encarada como uma faca de dois gumes, que tem seu lado positivo para os empreendedores mais otimistas, porém, também apresenta desafios de acordo com especialistas do setor. Por isso, é necessário conhecer os dois e se preparar para os obstáculos e as oportunidades do mercado.

Top list

Certamente, a crise político-econômica brasileira é um dos fatores que mais afetaram o resultado do país. As mudanças constantes na economia enfraqueceram o comércio, que teve queda de 6,5% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os baixos resultados nas vendas reduziram a demanda e consequentemente os problemas, mas para que o setor continue evoluindo é necessário que haja investimentos que facilitem seu crescimento ao mesmo passo em que a economia se recupera.
O top 10 é dominado por países desenvolvidos. A Alemanha lidera o ranking e o último lugar é ocupado pelo Haiti. O Brasil está na frente de países como Argentina e Colômbia, mas abaixo de outros emergentes como a China e os vizinhos Chile e México. O relatório destaca que a logística dos países em desenvolvimento avançou, já nas economias mais pobres o progresso desacelerou pela primeira vez desde o início das pesquisas. Apesar do avanço no ranking o setor de logística do Brasil está longe do patamar de países mais desenvolvidos e precisa de melhorias urgentes caso queira aumentar sua competitividade internacional e evitar o declínio.

Oportunidades no e-commerce
Apesar da queda nas vendas do comércio tradicional, o setor de e-commerce nacional está em alta, segundo dados do Sebrae em 2015 mais de 5 milhões de pessoas se tornaram microempreendedores. O comércio eletrônico é o que mais se destacou entre os novos negócios e, de acordo com a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), estima crescer 8% ainda este ano, o que é um grande atrativo para novos empreendedores, que devem ficar atentos à qualidade das operações Logísticas de seu negócio. A maioria dos métodos utilizados passam despercebidos pelo consumidor, mas ao realizar uma compra pelo site sua maior expectativa é que o produto chegue logo e sem nenhum dano, e, para garantir isso Hoffmann afirma que o alinhamento dos processos é essencial: “Assegurar que todas as etapas sejam concluídas com eficiência é determinante para a fidelização do cliente. A otimização desses métodos permite melhoras significativas no processo de entrega, tornando-a mais ágil e evitando falhas -o que não só reflete positivamente na imagem da empresa como também reduz os custos operacionais” – conclui.

Resultado ainda é desanimador

Apesar da melhora, o Brasil está atrás de outros emergentes, como a Índia (35º) e China (27º), e países vizinhos, como Chile (46º) e Panamá (40º). O levantamento é divulgado a cada dois anos pelo Banco Mundial e leva em conta seis fatores, como a infraestrutura das estradas e portos, procedimentos alfandegários, prazos de entrega e eficiência de rastreamentos. Em 2014, o Brasil ficou em 65º.
Uma das principais conclusões do relatório divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial é que enquanto a logística dos países emergentes teve melhora, o progresso nas economias mais pobres se desacelerou pela primeira vez desde 2007. Nas três últimas posições do ranking estão Síria, Somália e Haiti.
No caso do Brasil, o item com melhor avaliação é sobre o “rastreamento”, que mede o monitoramento de cargas, no qual o país ficou em 45º lugar. Já a pior posição, 72º, ficou na categoria “entregas internacionais”, que mede, por exemplo, a competitividade do país nos preços das entregas pelo mundo.

Logística

Apesar da melhora, o Brasil está atrás de outros emergentes, como a Índia (35º) e China (27º), e países vizinhos, como Chile (46º) e Panamá (40º)
“O desempenho da logística, tanto no comércio internacional como no mercado interno, é fundamental para a competitividade e o crescimento dos países”, afirma no estudo a diretora do Banco Mundial, Anabel Gonzales. Para a elaboração do ranking a instituição entrevistou 1,2 mil pessoas da área de logística no mundo.
Os dez primeiros lugares são dominados por países desenvolvidos. Um dos autores do relatório do Banco Mundial, Jean-Francois Arvis, ressalta que vários países precisam avançar na logística, incluindo a melhora da qualidade dos serviços. Uma das características comuns dos melhores colocados, afirma ele, é que essas economias mostram “forte cooperação” entre os setores públicos e privados no segmento.
O relatório de logística do Banco Mundial começou a ser produzido em 2007 e está em sua quinta edição. A melhor posição ocupada pelo Brasil no ranking geral foi em 2010, quando ficou em 41º lugar.

Pontos Fortes

De acordo com a LPI, o Brasil vai bem na qualidade do rastreamento, que se refere ao monitoramento das cargas. Para Hoffmann isso se deve justamente à otimização logística e o investimento em tecnologia “Este item é muito importante para a imagem do negócio, principalmente no mercado de e-commerce, onde todas as transações são online e os consumidores prezam pela segurança e garantia de entrega do produto adquirido, por isso é um dos ramos que mais carece de um serviço competente e eficaz para minimizar os danos”.
Na maioria das vezes o consumidor não faz ideia dos custos de mobilização de mercadorias e pensa apenas no frete, que se refere apenas ao deslocamento do produto do armazém até o cliente, já o empreendedor preocupa-se com a logística, que é bem mais ampla: “Há todo um processo nos bastidores que o cliente não vê, e por vezes passa despercebido, desde que a etapa final, que é a entrega, seja concluída com êxito. O problema é que qualquer falha no decorrer do processo pode comprometer a etapa final, por isso a excelência na gestão do processo de logística é o fator diferencial para combater os custos e minimizar as falhas” acrescenta Hoffmann. Outro item bem avaliado foi “logística e competência” que afirma que o país é capaz e está apto para realizar o serviço, mas a avaliação deixa claro que ainda não dá para competir com os melhores do ranking. De modo geral o país está na linha mediana, mas se mantém no caminho certo. O setor de logística nacional necessita de muitas melhorias e investimentos, mas sobretudo de profissionais qualificados com olhares atentos e capazes de galgar posições mais altas e, quem sabe até, alcançar o patamar do top list.

Pontos Fracos

A pior posição do país -a categoria “custos”-que mede a competitividade dos preços, rendeu a menor nota. Os preços altos são sempre os vilões, e por trás deles há vários fatores, que muitas vezes não estão no nosso controle. Para Roberto Hoffmann, CIO da SHL Logística, existem entraves significativos, como a infraestrutura do país que ainda está aquém do ideal, “O setor é impactado diretamente por fatores externos que podem gerar uma série de inconvenientes, causando atrasos e encarecendo o serviço, para driblar esses problemas é fundamental investir em tecnologia e sistemas que possibilitem a redução dos custos e potencialização dos resultados”. Infelizmente, a situação da malha viária, aeroportuária e estradas do país ainda é precária, o investimento em tecnologia também, mas quanto maior a aplicação interna dos comerciantes, menor serão os danos causados por esses elementos.
Um dos erros mais comuns nessa área é cometido justamente por profissionais inexperientes ou novos empreendedores que, visando economizar, optam pela falsa praticidade de administrar a logística do negócio sozinhos, muitas vezes na própria casa para os que estão ingressando no mercado, e na maioria dos casos essa alternativa pode sair como um tiro no pé, pois a falta de experiência, estrutura e colaboradores preparados podem resultar em dor de cabeça e prejuízo.
Uma loja virtual situada em São Paulo que precisa fazer uma entrega no Pará, por exemplo, provavelmente enfrentará problemas com a situação das estradas ao sair do Estado. O comerciante que assume essa tarefa de forma amadora não está preparado nem possui recursos para lidar com essa situação devido as implicações dos métodos tradicionais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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