Reação do mercado vai ser decisiva

Em: 8 de setembro de 2015
A montadora japonesa está apenas aguardando a evolução do mercado de motocicletas brasileiro para ver se as vendas se recuperam até o final de março e decidir quantas unidades produzirá em 2009
A montadora japonesa está apenas aguardando a evolução do mercado de motocicletas brasileiro para ver se as vendas se recuperam até o final de março e decidir quantas unidades produzirá em 2009

O primeiro trimestre vai ser decisivo para o planejamento da Moto Honda da Amazônia para 2009. A montadora japonesa está apenas aguardando a evolução do mercado de motocicletas brasileiro para ver se as vendas se recuperam até o final de março e decidir quantas unidades produzirá em 2009.
Embalada pelo crescimento exponencial no varejo do segmento de duas rodas brasileiro, algo que só foi possível graças a um cenário de crédito fácil e dólar barato, a multinacional planejava aumentar a produção no PIM (Pólo Industrial de Manaus) para 2 milhões de unidades neste ano.
O estouro da crise econômica, ao final do terceiro trimestre de 2008, reverteu essa expectativa, levando a empresa a aventar a possibilidade de reduzir a projeção inicial de 2009 para 1,4 milhão de unidades, segundo informaram lideranças da indústria amazonense ao Jornal do Commercio. Caso se concretize, será a primeira vez em 15 anos que a companhia toma uma iniciativa do gênero.
Números fornecidos pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) apontam que o mercado não está reagindo como esperado. Na comparação de janeiro de 2009 com igual mês do ano passado, as vendas da Honda no Brasil caíram de 143.613 (2008) para 74.814 (2009) veículos, uma diferença de 47,9%. Pior desempenho teve a manufatura, que amargou um tombo de 60,89%, com 59.380 (2009) contra 151.851 (2008).
Vale ressaltar que todo o segmento amargou queda no mês passado. As vendas no varejo não ultrapassaram as 96.794 unidades, quantidade 43,94% inferior às 172.663 motocicletas comercializadas em janeiro de 2008. Na linha de produção, os números despencaram de 187.238 (2008) para 74.295 (2009), uma retração de 60,32%.
Apesar dos números, o diretor de Relações Institucionais da Honda para a América do Sul, Paulo Takeuchi, destaca que a corporação espera manter o mesmo patamar de comercialização registrado em 2008 – 1.557.695 motocicletas, entre vendas no mercado doméstico e exportações – e garante que não vai cancelar projetos.
“Acreditamos que ninguém estava preparado para a crise. Tomamos medidas preventivas, como uma parada parcial em outubro para regular a oferta de produtos na nossa rede de concessionárias, já que o crédito acessível desapareceu do mercado. Neste momento, ainda estamos analisando todos os efeitos da crise, mas podemos afirmar que nossos planos estão mantidos”, amenizou o executivo.

Competitividade

O diretor de Relações Institucionais da Honda para a América do Sul frisou que a companhia pretende continuar investindo em produtos que reforcem sua competitividade, mas prefere não deta-lhar números ou projetos. Em 2008, foram aplicados R$ 54 milhões em lançamentos de novos modelos, como as novas CG 150 Titan e CG 125 Fan.
Paulo Takeuchi acrescenta que, apesar das oscilações de mercado, os quadros da Honda permaneceram estáveis nos últimos 12 meses, totalizando 10 mil trabalhadores. O gerente institucional da Moto Honda da Amazônia, Mario Okubo, acrescenta que o atual contingente está dentro das projeções da firma para o período.
A alta do dólar, por outro lado, não elevou custos de produção, uma vez que a Honda trabalha com elevado índice de nacionalização em suas motocicletas. Também não ajudou as exportações, já que esse tipo de venda é programada por semestre. O câmbio, alerta Takeuchi, pode prejudicar a comercialização de produtos importados da marca, caso permaneça no atual patamar.

Empresa espera manter projetos socioambientais

Há 33 anos no pólo, a Moto Honda da Amazônia começou 2009 em conformidade com as novas leis ambientais – o Promot 3 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares) – e hoje desenvolve e apóia mais de 130 projetos sociais e ambientais na capital e nos municípios do entorno.
Mantém uma área de preservação e reflorestamento, localizada no quilômetro 48 da BR-174 (Manaus/Boa Vista), onde são cultivadas frutas e verduras, que serão doados a instituições filantrópicas. Outro destaque é o projeto “Jovem Pesquisador”, desenvolvido pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e pela Seduc (Secretaria de Estado de Educação do Amazonas).
“Em 2008, realizamos 15 projetos socioambientais em Manaus, que deverão ser mantidos em 2009. Os ganhos são diretos para o desenvolvimento e a susten-tabilidade da comunidade”, declarou Paulo Takeuchi.
“Os investimentos na área social e ambiental são uma filosofia Honda. Claro que qualquer crise, principalmente financeira, pode colocar alguns projetos em espera, mas ainda não houve nenhum corte nessas áreas”, concluiu Mario Okubo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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