Superada a última crise no sistema de transporte coletivo, há pouco mais de um mês, o embate entre as empresas prestadoras do serviço, a prefeitura de Manaus e os trabalhadores rodoviários, ameaça causar novo caos no transporte coletivo de Manaus. Segundo o vereador José Ricardo Wendling (PT), existe a preocupação de que os trabalhadores forcem uma nova paralisação do serviço e de que os empresários do setor anunciem novo reajuste da tarifa de ônibus para cobrir o aumento de 4% no salário dos trabalhadores – resultado da última greve ocorrida em abril. Para o representante da classe na CMM (Câmara Municipal de Manaus), vereador Jaildo dos Rodoviários (PRP), o salário dos trabalhadores já foi reajustado no mês de maio, sem maiores prejuízos às empresas. “Não acredito que eles precisem reajustar a tarifa para cobrir o reajuste. Se pagaram um mês sem problema, pagam um ano sem precisar onerar a população”. Enquanto oposição e situação vão se enfrentando no parlamento, a população se prepara para arcar com os prejuízos.
A semana já começou com um aumento de pressão dentro do sistema de transporte coletivo de Manaus e os vereadores já começam a se preparar para mais uma crise que, se ocorrer, será o terceiro momento de tensão do ano no setor. O vereador José Ricardo Wendling (PT) afirmou que há possibilidade de nova greve no transporte coletivo de Manaus. Ele informou, ainda, que os empresários estão ameaçando novo reajuste da tarifa para poder cumprir com o acordo de 4% no reajuste dos trabalhadores rodoviários. Por isso, cobra posicionamento da prefeitura e da CMM quanto a essa situação.
De acordo com o parlamentar, os rodoviários avisaram que podem parar novamente esta semana, caso os empresários não continuem cumprindo o acordo (reajuste salarial), e denunciam que as empresas de ônibus não estão recolhendo os impostos e os tributos, entre eles o INSS e o FGTS, tirando um direito adquirido dos trabalhadores e descumprindo a legislação trabalhista.
O vereador lembra que, em episódio anterior, quando o sistema entrou em greve, prejudicando o comércio e milhares de trabalhadores, o prefeito de Manaus lavou as mãos, alegando que era um problema entre os empresários e os trabalhadores. “Esta omissão não ajuda na solução. A cidade está sem prefeito, parece que cada um faz o que quer”, dispara o vereador. Segundo ele, os empresários pedem aumento de tarifa de R$ 2,10 para R$ 2,20. “Mais uma vez é o povo que vai pagar a conta, que hoje também sofre com falta d’água, com problemas na educação e com transporte de péssima qualidade”, acrescenta José Ricardo, ressaltando que a CMM deve se manifestar, cobrando um posicionamento da prefeitura, que está calada, parecendo não ter responsabilidades. “Enquanto isso, o prefeito passeia em Miami (EUA). Mas, quanto voltar, será que vai aumentar a passagem, mesmo com um transporte de péssima qualidade, cedendo à pressão dos empresários?”, indagou, cobrando também que a Comissão de Transporte da Câmara marque a data da realização de Audiência Pública do transporte, requerimento aprovado pela Casa.
Jaildo diz que não acredita em prejuízo às empresas
Para o representante direto da categoria dentro do Poder Legislativo de Manaus, vereador Jaildo dos Rodoviários (PRP), o reajuste de 4% no salário dos trabalhadores, que foi negociado durante a última greve, foi cumprido já este mês de maio. “O aumento do salário foi respeitado pelas empresas que pagaram sem dificuldade. Não acredito que haja um prejuízo, ao ponto de fazer com que a população pague preço mais alto na tarifa”, disse.
O parlamentar afirmou que não pode defender ou criticar profundamente o posicionamento das empresas do setor, porque ainda não têm em mãos as planilhas do sistema para avaliar. “Já solicitei o repasse de dados e planilhas do setor para que a Câmara fiscalize e acompanhe, mas essas informações ainda não foram repassadas. Mesmo assim, não acredito que estejam em prejuízo pelo reajuste de 4% do salário. O valor da tarifa foi sempre nesse patamar sem nunca haver aumento de salários”, lembrou.
Para tentar resolver o problema antes que se instale novo caos na cidade, os vereadores estão preparando audiência pública, para que sejam apresentadas as planilhas e seja avaliado o sistema de transporte. “Estamos formatando a audiência para convocar os responsáveis pelo sistema para discutir os problemas. Vamos verificar se há um prejuízo assim tão grande ao ponto da população ter de pagar a conta dos empresários. Isso não vamos permitir”, afirmou o vereador.
Mesa de negociações
Diante das críticas ao prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, o vereador Wilker Barreto (PHS), afirmou que o prefeito não se omitiu sobre o problema e que os empresários sentaram à mesa de negociações e fecharam acordo porque sabiam dos cálculos. “O Sindicato da categoria fez a proposta e o sindicato patronal aceitou, por isso os empresários não podem alegar que o reajuste dos trabalhadores só será dado mediante aumento, isso é fazer gracejo com o Ministério Público do Trabalho”, disse ele. “Os empresários dizem que não têm lucro, mas não deixam de rodar. Deixar a manja para a prefeitura é um desrespeito ao Ministério Público do Trabalho e à população”.







