Receitas exóticas para gerar lucro

Em: 6 de novembro de 2013
Com R$ 300 e receitas exóticas, casal lucra em um dos metros quadrados mais caros da cidade
Com R$ 300 e receitas exóticas, casal lucra em um dos metros quadrados mais caros da cidade

Em meio à ‘selva de pedra’ e escritórios de luxo do bairro Vieiralves (zona Centro-Sul de Manaus) um empreendimento pequeno, mas ousado, vem se destacando por se afirmar no mercado e gerar lucro com receitas caseiras. A Bárbaros Confeitaria Artesanal e Delicatessen é resultado do trabalho dos empresários, Milene Ribas e Maurício Pardo e de um investimento inicial de R$ 300. Para eles, fazer sucesso em um dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade está sendo fácil. É questão de estratégia, qualidade e clientela fiel.
Parceiros 24 horas por dia, a chef de cozinha Milene Ribas e o filósofo Maurício Pardo, conheceram-se, casaram-se e tornaram-se empreendedores. O ramo escolhido foi a gastronomia, mais precisamente, os doces. Com as primeiras receitas, já adaptadas a sabores regionais como açaí, castanha, maracujá e cupuaçu, os empresários começaram as vendas em escolas, ônibus, postos de gasolina ou em qualquer lugar na rua. O lucro inicial apontou o nicho empresarial a ser seguido e, com um empréstimo, de R$ 300, junto a um banco, a Bárbaros Confeitaria Artesanal e Delicatessen foi criada. Hoje, a empresa é referência em doces finos, exóticos e regionalizados.
A empresa apostou no clássico. Desde a apresentação do bistrô, com luminárias, quadros, mesas e cadeiras coloridas e ainda uma série de itens reciclados, até o menu, com produtos já tradicionais, fixos. No balcão, o filósofo e empresário, Maurício Pardo, especializou-se na venda do produto. Apresenta os doces, explica a receita e o porquê do sabor ser surpreendente e, assim, é parte da arte da conquista dos clientes.
O menu tem destaques como o Chocolate Belga com pimenta Baniwa (comunidade indígena da região do Alto Rio Negro), doce no começo e com a presença picante no final. Receita exclusiva de Milene, que aprova a apresentação do marido, mas não sai, sequer, um minuto da cozinha.
Já Maurício, atende, fala os preços, explica um pouco da receita e, enquanto o cliente passeia o olhar sobre os produtos que estão na vitrine, ele surpreende oferecendo degustações. Desde uma prova de um doce, a um suco de laranja com morango e manga. Um detalhe: A receita não leva açúcar.
Além dessa receita de suco, a Bárbaros tem outras bebidas, como suco de abacaxi com manga e capim-santo ou o suco de kiwi com água de coco. E ainda, para aquecer, tem café expresso, chocolate quente, chocolate etílico e o café caboclo. Quase tudo na loja é feito artesanalmente e exclusivamente pela Chef Milene Ribas.
Outro destaque da Bárbaros são os cupcakes que trazem uma mistura de sabores americanizados com os regionais, como o recheio de cupuaçu com castanha da Amazônia, ou o capuccino, baileys, brigadeiro e a famosa nutela. “Normalmente são dois ou três sabores rotativos”, explica o empresário. Além dos doces, a Bárbaros se especializou em produtos do tipo empório, embalados, como biscoitos de castanha da Amazônia, cookies de aveia, palha italiana, entre outras coisas. Na prateleira há pães variados, como o pão pizza e o bolo de tapioca com coco. Sem deixar de falar das empadas de palmito, milho com linguiça e bacalhau.
Com uma clientela fiel, a Bárbaros esgota, praticamente, todos os produtos que oferece por dia. Ao final do expediente, todos os pães, salgados, cupcakes e produtos embalados estão esgotados, o que reforça a filosofia da empresa de manter sua fabricação diária de acordo com a demanda, evitando desperdício de alimentos e investimento.

DO AMOR AOS DOCES

Milene, paulistana de nascença, tem a vida entrelaçada com a gastronomia. Aos 4 anos de idade brincava de cozinheira, com 11 fez seu primeiro jantar com receita copiada de um programa da televisão. Por um tempo resolveu estudar Publicidade, mas durante o curso, outra vez a gastronomia voltou a sua vida quando apresentada por amigos, virou estagiária do chef Alex Atala, daí em diante não parou mais.
Tempos depois, mudou-se para Manaus. Após período de adaptação e o casamento com o filósofo e professor Maurício Pardo, os novos empreendedores se aventuraram no mundo dos negócios. “Passei a fazer brigadeiros com sabores amazônicos e Maurício vendia na escola, no ônibus, no posto de gasolina. Com o sucesso das vendas, emprestamos R$ 300 no banco e investimos em uma barraca no extinto Mercado Cultural, lá no Passeio do Mindú, foi o começo de tudo, até alugarmos este ponto comercial”, conta. “Montamos um mix de produtos: pães, bolos, biscoitos, fomos bem recebidos no primeiro dia. Como os nossos produtos eram diferentes, o Maurício teve a ideia de darmos degustação. E o que fazemos até hoje, uma das nossas características: só leva quem prova”, diz. Segundo Maurício, trabalhar num dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade, o Vieiralves, não está sendo complicado, já que o seu público vem se formando desde a época da feira. Um público fiel e que vem crescendo cada vez mais. “Fizemos nossa rede social antes do Facebook”, brinca.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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