Reciclagem de papelão tem espaço para crescer no AM

Em: 21 de fevereiro de 2010
Com o título “Papel para a vida”, o livro será enviado a entidades governamentais e não governamentais, além de entidades de classe. Trabalho deve ser concluído em 60 dias
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Com o título "Papel para a vida", o livro será enviado a entidades governamentais e não governamentais, além de entidades de classe. Trabalho deve ser concluído em 60 dias

O PIM (Polo Industrial de Manaus) começa a dar os primeiros passos no processo de reciclagem de papelão. A Sovel e PCE da Amazônia, que já desenvolvem a atividade para fabricar embalagens, processam uma faixa de 43% do volume de insumos de papelão que entra no Estado, oriundo de outras regiões. O percentual ainda é pequeno, se comparado a países como a Alemanha, que já reaproveita mais de 72% desse insumo.

Ao longo dos últimos cinco anos, as duas indústrias vêm atendendo em torno de 350 clientes, sendo que a metade está instalada no PIM, o grande utilizador desse insumo na cadeia produtiva. As duas empresas têm capacidade para produzir 4.000 toneladas de lixo mensalmente, mas estão atingindo apenas 2.700 toneladas por falta de demanda, ou 67,5% da capacidade. A PCE recicla 96% do material utilizado.

As informações fazem parte do “Estudo da cadeira produtiva de embalagens de papelão do PIM”, realizado pelo Núcleo Socioeconômico da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), apresentado na última quinta-feira, 18, no auditório da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

O estudo da universidade sugere maior utilização de material reciclado pelas indústrias e aponta a importância dessa prática para as questões econômicas, sociais e ambientais. A pesquisa durou seis meses e contou com a participação de 22 profissionais da Ufam, entre mestres, doutores e graduados. O investimento no projeto saiu por volta de R$ 100 mil e foi financiado pela Sovel e PCE.

A cadeia de reciclagem percorrida pela equipe envolveu desde a coleta nas ruas, passando pela separação, pesagem, prensagem, estocagem e venda. A renda dos catadores gira em torno de R$ 2,50 por quilo, o que dá um ganho entre um e dois salários mínimos –R$ 510 e R$ 1.020.

Percepção da sociedade

A coordenadora do Núcleo de Socioeconomia da Ufam, Terezinha Praxe, apontou que a reciclagem só vai ser rentável economicamente no mercado local quando a sociedade perceber sua importância.
Segundo o coordenador do projeto, Daniel Gentil, foi verificado no decorrer do estudo que muitas empresas do PIM ainda resistem ao uso de papel e papelão reciclável em suas produções. Apesar do polo possuir mais de 500 empresas incentivadas, somente Sovel e a PCE –as financiadoras do projeto- são as únicas que atualmente utilizam o material coletado pelos catadores em suas produções.

O professor Alexandre Rivas, que participou do estudo, disse que existe um espaço muito grande para as indústrias do PIM, visando fortalecer a cadeia produtiva atual, bem como as indústrias que estão envolvidas no processo, além das que abastecem as recicladoras de papel no sentido de fazer com que esse volume se reflita na melhoria do custo para as empresas que usam a embalagem de papelão, como parte de seu processo produtivo. “Isso pode fazer com que o preço, a composição do custo de cada empresa de cada produto caia. Com isso, as empresas podem passar uma parte dessa queda de preço para a tonelada de papelão –hoje na faixa de R$ 340”, informou.

Informações do estudo vão constar em livro

Na opinião de Alexandre Rivas, o processo de reciclagem pode gerar benefícios para as indústrias do polo, que passam a ter insumos locais com preço mais baixo, o que estimula a indústria a desenvolver um mercado local de reciclagem. “Nessa cadeia, entram as comunidades e associações e, com isso, diminui a quantidade de papelão que vai para os lixões”, destacou.

Diminuindo essa quantidade de papelão, o professor aponta que os lixões serão reduzidos e isso contribui com o efeito estufa. “Há uma produção muito grande de gases derivados da composição do papel”, informou, ressaltando que a prefeitura também será beneficiada porque gastará menos para dar destinação final ao lixo, que a partir da reciclagem gera renda às associações de catadores, incorporando uma quantidade de pessoas à cadeira produtiva da região.

Terezinha Praxe, disse que a pesquisa mostra vários aspectos da vida dos catadores no cotidiano que precisam de uma reengenharia, cujas condições de vida ainda são precárias. A coordenadora sintetizou que o objetivo dessa pesquisa foi estudar a cadeia produtiva do papelão no PIM, desde o seu alicerce -os catadores- até as empresas. “Chegamos à conclusão de que as empresas recicladoras são de suma importância para o Estado e para o país. Isso porque a reciclagem trabalha principalmente a questão ambiental, social e econômica, porque possibilita renda para as pessoas. O papelão é um negócio rendoso mas a sociedade precisa enxergar isso”, assinalou.

O estudo da Ufam vai ser transformado em livro nos próximos 60 dias. Com o título “Papel para a vida”, será enviado as entidades governamentais e não governamentais e de classe, como Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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