Recorde histórico de faturamento

Em: 11 de novembro de 2025

O PIM escalou nas vendas, mas desacelerou nos empregos, em setembro. É o que revelam os Indicadores da Suframa, divulgados nesta segunda (10). Puxado pelo polo de duas rodas, o faturamento nominal em reais escalou 10,50%, ao passar de R$ 152,06 bilhões (2024) para R$ 168,02 bilhões (2025), em um cenário de IPCA acumulado em 5,17%. Conforme a autarquia, esse foi o maior valor da série histórica, iniciada em 1988. Na conversão em dólares, foi registrada uma subida de 4,01%, com US$ 29.93 bilhões (2025) contra US$ 28.78 bilhões (2024) – em um ambiente de desvalorização de 2,38% da moeda americana, de acordo com o Banco Central.

Na passagem de agosto (R$ 18,97 bilhões e US$ 3.77 bilhões) para setembro (R$ 20,07 bilhões e US$ 3.50 bilhões), houve aumento em preços correntes, em ambas as comparações (+5,80% e +7,71%). No confronto com igual período de 2024 (R$ 18,32 bilhões e US$ 3.36 bilhões), foram registrados acréscimos respectivos de 9,55% e 12,20%. Em contraste, o Polo Industrial de Manaus registrou o menor contingente mensal de trabalhadores de 2025, entre efetivos, temporários e terceirizados, em setembro (126.500). Houve queda de 2,02% ante o registro de 12 meses atrás, embora a média do ano (131.411) ainda seja a maior desde 2019. 

De janeiro a agosto, apenas 15 dos 26 subsetores faturaram mais, em dólares. O período foi positivo para os polos de duas rodas, mecânico e metalúrgico, mas continua desfavorável para eletroeletrônicos e bens de informática. As melhores performances vieram dos segmentos madeireiro (+30,36% e US$ 9.98 milhões), de vestuário e calçados (+28,87% e US$ 4.60 milhões) e relojoeiro (+21,04% e US$ 215.66 milhões). Em contrapartida, os tombos mais severos ficaram nas divisões de “couros e similares” (-26,93% e US$ 5.78 milhões), editorial e gráfica (-13,87% e US$ 16.53 milhões) e mineral não metálico (-7,60% e US$ 67.65 milhões).

Os subsetores de bens de informática e de eletroeletrônicos, que somam quase metade dos resultados do PIM, prosseguem negativos no acumulado do ano, embora ensaiem recuperação mensal. O primeiro (US$ 6.24 bilhões) tombou 5,63% e respondeu por 20,86% do faturamento do Polo. Já os eletroeletrônicos (US$ 5.05 bilhões) encolheram 2,14% e têm share de 16,89%. Ainda aquecido, o subsetor de duas rodas (+15,77% e US$ 6.01 bilhões) sustentou fatia de 20,09% nas vendas globais e se seguram em segundo lugar. O ranking se completa com os segmentos de “outros produtos” (15,31% do bolo), químico (10,11%), termoplástico (8,80%) e metalúrgico (7,96%).

 

Produção e empregos

Em termos de produção industrial, um dos aumentos mais expressivos contabilizados no aglutinado dos nove meses iniciais de 2025 veio da linha de motocicletas, motonetas e ciclomotos, que somaram 1.613.527 unidades e alcançaram incremento de 16,58%. Outros resultados positivos vieram da fabricação de aparelhos de barbear (+10,70% e 1.499.015); condicionadores de ar split system (+10,09% e 4.698.309); monitores com tela de LCD para uso em informática (+9,63% e 2.626.853); tablets (+4,44% e 1.303.703); e bicicletas (+3,28% e 306.378). Na outra ponta, celulares (-18,88% e 8.373.782) e TVs com tela de LCD e OLED (-1,85% e 10.695.350), entre outros, retraíram.

Ao contrário do ocorrido com o faturamento, entretanto, o nível de empregos do PIM perdeu velocidade no mês, embora ainda se sustente na base anual. A média obtida em setembro foi de 126.500 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. Foi o menor dado do ano, ficando 3,38% abaixo do patamar de agosto (130.925). A comparação com setembro do ano passado (129.106) confirmou retração de 2,02%. A média de colaboradores do Polo acumulada entre janeiro e setembro (131.411), contudo, supera em 5,90% a média do “ano cheio” de 2024 (124.086) e é a melhor dos últimos cinco anos.

O melhor índice de crescimento de empregos veio novamente do minoritário subsetor de “material de limpeza de velas” (+27,91% e 55 trabalhadores). Na sequência estão os segmentos de “produtos diversos” (+17,35% e 602) e relojoeiro (+15,96% e 2.826). Os recuos vieram principalmente das divisões de beneficiamento de borracha (-56,10% e 18), editorial e gráfica (-7,34% e 871) e de produtos alimentícios (-6,34% e 2.350). Dentro do grupo de mão de obra estritamente efetiva, o Polo fechou o acumulado do ano com a criação de 4.218 novas vagas, em performance ainda distante do recorde atingido nos 12 meses de 2024 (8.868), mas superior à atingida nos ‘anos cheios’ de 2014 a 2023.

Em texto veiculado pela assessoria de imprensa da Suframa, o superintendente da autarquia, Bosco Saraiva, avaliou que os números demonstram maturidade do PIM. “O mais importante é observar o quadro geral: crescemos o faturamento em mais de 10% no acumulado do ano e, fundamentalmente, sustentamos uma média de empregos 7,57% superior à do ano passado, firmemente acima dos 131 mil trabalhadores”, amenizou. Segundo o superintendente, o recorde de R$ 20 bilhões em setembro coroa esse desempenho. “Isso é resultado da confiança do setor produtivo no modelo e da segurança jurídica proporcionada pelo Governo Federal. Estamos no caminho certo para fechar 2025 de forma muito positiva”, enfatizou.

 

“Maduro e resiliente”

O presidente da Fieam, Antonio Silva, ressaltou à reportagem que, “do ponto de vista técnico-econômico”, os indicadores mais recentes do Polo confirmam que a indústria incentivada prossegue em “trajetória de crescimento exponencial e capacidade de faturamento recorde”, a despeito do tropeço mensal na geração de empregos. E, no entendimento do dirigente, a tendência segue positiva para a consolidação de 2025.

“A expansão contínua atesta a competitividade e a valorização da produção regional. A performance dos segmentos de duas rodas, metalúrgico e químico é o pilar desta solidez, enquanto a recuperação iminente nos eletroeletrônicos e bens de Informática projeta uma aceleração ainda maior no último quadrimestre. Em síntese, o PIM não apenas quebrou recordes de faturamento, o que é um feito extraordinário, mas também consolidou média de emprego anual superior, demonstrando desempenho macroeconômico maduro e resiliente, com plenas expectativas de fechar o ano em um pico histórico de resultados”, frisou.

O contador, professor da Ufam e consultor empresarial, André Costa, assinala que o faturamento registrado pelo PIM, em setembro, traz de volta o clima de otimismo do primeiro semestre, que vinha sendo suavizado no terceiro trimestre do ano. O especialista destaca que o dado é surpreendente, já que o mês teve “quantidade bem menor de dias úteis” para produzir, quando comparado a agosto, em razão do feriado da semana da pátria. E acrescenta que as perspectivas de fechamento do ano seguem positivas.

“Temos formação de estoque para atender a Black Friday e o Natal. A venda de ar-condicionado começa a acelerar para atender a demanda do verão, após meses de estagnação. O mesmo acontece com a produção de celulares, que aumentou a produção em 300 mil unidades e o faturamento em R$ 50 milhões, em setembro. O PIM está com um mix bastante diversificado, e já vemos uma recuperação em bens de informática. Isso mostra que 2025 é um ano muito bom para o Polo”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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