O dilema da BR-319 segue sem solução imediata, mesmo com a sociedade organizada lutando pela recuperação da rodovia, de fundamental importância para escoar as mercadorias entre as capitais Manaus (AM) e Porto Velho (RO). O início da obra ainda aguarda o término das chuvas, conforme relatou o governador de Rondônia, Confúcio Aires Moura, durante palestra realizada na última terça-feira (25), na sede da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do estado do Amazonas), zona Centro-Sul de Manaus.
A emblemática recuperação da BR-319 deverá fortalecer a região Norte como um todo, escoando produtos do PIM (Polo Industrial de Manaus) e abastecendo o Amazonas com produtos agropecuários de Rondônia. “É uma via de mão dupla”, diz Moura. A rodovia foi inaugurada na década de 1970, e aguarda por obra de recuperação – apenas reformas foram executadas ao longo dos 877 quilômetros de rodovia entre as capitais Manaus e Porto Velho.
O governador rondoniense ganhou a missão de convidar os governadores dos Estados da Amazônia Ocidental, área de abrangência da ZFM (Zona Franca de Manaus) para unirem esforços e levar o pleito ao ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff, para a liberação da rodovia.
“Eu sou liderado pelo governador Omar (Aziz) e vou convidar todos os governadores interessados em abrir uma base de trincheira em prol dessa rodovia para procurarmos a Casa Civil da Presidência da República e a presidente Dilma, para dizer que nós queremos a rodovia de volta. Queremos a rodovia aberta tranquilamente”, adiantou Moura.
Para o senador Acir Gurgacz, a união da população em torno desse tema é da maior importância, principalmente por meio da sociedade civil organizada. “População, comércio, indústrias e ecologistas ganham. Não há um segmento que não saia ganhando com a reabertura da BR-319”, resumiu.
O senador Gurgacz liderou a marcha histórica de recuperação da BR-319. Ele esteve reunido com o diretor-geral do Denit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Jorge Fraxe, em Brasília, que garantiu que vai iniciar a recuperação da rodovia logo após o término das chuvas. “A BR-319 já está aberta. Precisa de uma pequena limpeza lateral e fazer a capa asfáltica, a base e restauração da BR. Ninguém está construindo rodovia nova”, explicou. Sobre a licença ambiental, Faxe reiterou: “Não precisa, não é estrada nova, é uma restauração”.
Segundo Moura há dezenas de motivos para abrir a estrada incluindo vantagens econômicas. Em primeiro lugar, o Turismo Ecológico pela estrada partindo de Manaus até o Caribe. “Muita gente gosta de viajar de carro com a família para conhecer o Amazonas, Roraima, Boa Vista. Chegar até mesmo ao Caribe por integração das rodovias que dão continuidade e um rosário de vantagens que a rodovia propicia à região em termos de desenvolvimento econômico”, disse.
O governador rondoniense também conversou com o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, sobre a importância da BR-319 para a ZFM com as empresas trabalhando em sistema Just in time (produzir e transportar na hora exata). “Inúmeras, primeiro o custo. Hoje, por exemplo, um dia de atraso significa um prejuízo imenso, as empresas não estão querendo mais estocar componentes em almoxarifados grandiosos”, afirmou. O superintendente estima que só com a abertura da BR-319 haverá um ganho aproximado de dois a três dias no prazo de entrega e de mercadoria circulando nas transportadoras.
Confúcio Moura segue pela linha entusiasta e defende a abertura da BR-319. “Por muitos fatores essa rodovia é indiscutível. Eu vou conversar com nosso governador Omar e com nosso prefeito Arthur Virgílio para começarmos uma frente com os grandes líderes nacionais para que possamos fazer esse enfrentamento juntos. Para dar mais tranquilidade comercial, riqueza e facilidade para toda a sociedade organizada do Amazonas, da Amazônia e para a população amazônida”, discursou.
Integração dos modais
O presidente do Sistema Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) e vice-presidente da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), José Roberto Tadros, defende a integração amazônica por todos os tipos de modais. “A malha rodoviária do Brasil não chega ao Acre e Rondônia, e a malha ferroviária foi abandonada. Quem alavanca o progresso são as rodovias, hidrovias e ferrovias que viabilizam a integração territorial entre os Estados isolados geograficamente”, reiterou.
Tadros aponta a recuperação da BR-319 como a única forma de tirar a capital do Amazonas do seu isolamento e integrar, por terra, os oceanos Pacífico e Atlântico. “Um dos maiores desafios do país é o de melhorar nossa infraestrutura com investimentos que permitam diminuir os custos dos transportes”, defende.
A contrapartida do governo federal para a criação da ZFM está firmada na necessidade perene em desenvolver os modais hidroviário e ferroviário com o objetivo de aumentar a competitividade regional. “É essencial que, na Amazônia, se utilize todos os modais de transporte para integrar a região a todo o hemisfério. Um trabalho conjunto entre os Estados amazônicos, como o que se inicia entre Amazonas e Rondônia, é imprescindível para fomentar a integração de um projeto regional de desenvolvimento”, salientou Tadros.
Na opinião do governador Moura, a BR-319 é uma estrada de mão dupla, o movimento de cargas vai e vem. “Segundo dados da Suframa, o escoamento é muito maior que a chegada de mercadorias em Manaus. Ela (a rodovia) vai ter duplo benefício para os Estados e duplo benefício para o Brasil”, disse. Ele também acredita que o movimento de retorno da ZFM é grande. “Muita mercadoria da Zona Franca vai escoar através da BR-319 para o Brasil inteiro”, ressaltou.
Em contrapartida, obrigatoriamente, o Amazonas passou a ser o Estado consumidor por excelência para o Mato Grosso e Rondônia dos produtos agropecuários e para o Brasil todo, segundo Moura. “É a compensação do dinamismo da Zona Franca. Foi até bom que Manaus não crescesse como centro agropecuário porque deu uma abertura muito grande para nós de Rondônia e para o Mato Grosso, também”, concluiu.






