Recuperação da economia global apresenta resultados desiguais, avalia Iedi

Em: 22 de fevereiro de 2010
As primeiras estimativas para o PIB do último trimestre de 2009 mostram que a recuperação está ocorrendo em ritmo bastante diferenciado entre os países e blocos econômicos do mundo desenvolvidos.
As primeiras estimativas para o PIB do último trimestre de 2009 mostram que a recuperação está ocorrendo em ritmo bastante diferenciado entre os países e blocos econômicos do mundo desenvolvidos.

As principais economias avançadas se recuperam de forma lenta da mais severa e prolongada recessão do pós-guerra. As primeiras estimativas para o PIB do último trimestre de 2009 mostram que a recuperação está ocorrendo em ritmo bastante diferenciado entre os países e blocos econômicos do mundo desenvolvidos. Enquanto EUA e Japão registram dinamismo maior, a Área do Euro e a Alemanha perderam ímpeto.

No quarto trimestre do ano passado, o PIB americano apresentou crescimento de 1,4% (5,7%, em termos anualizados) ante o terceiro trimestre, descontados os efeitos sazonais. A análise dos componentes do PIB pela ótica da demanda mostra que a maior contribuição positiva veio dos estoques (0,8%), sinalizando uma forte recomposição de estoques das empresas. As exportações e o consumo das famílias adicionaram, respectivamente, 0,5% e 0,4% de crescimento. Todavia, o consumo das famílias, que continua fraco, desacelerou na passagem do terceiro para o quatro trimestre, registrando alta de apenas 0,5% (ante 0,7% no terceiro trimestre), em termos dessazonalizados. Em relação ao último trimestre de 2008, o PIB cresceu só 0,1%, e no acumulado de 2009, a economia americana caiu 2,4%, a maior contração desde 1946.

Formação de capital

Na Área do Euro, após expansão de 0,4% no terceiro trimestre, os dados preliminares do PIB do quarto trimestre mostram alta de 0,1% na margem e com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo trimestre de 2008, a retração foi de 2,1%, sendo que no acumulado do ano passado o PIB caiu 4%. O resultado foi influenciado pela Alemanha, a maior economia do bloco, cuja recuperação perdeu força nos meses finais de 2009. O PIB do quarto trimestre registrou variação nula em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, interrompendo tendência de alta da economia observada no segundo trimestre (0,4%) e no terceiro trimestre de 2009 (0,7%). De acordo com o Departamento Federal de Estatísticas, o arrefecimento da economia foi resultado da retração dos gastos com consumo final e a formação de capital. A única contribuição positiva veio do comércio exterior, com avanço das exportações e recuo das importações. O PIB alemão registrou queda de 2,4% frente ao mesmo trimestre de 2008, fechando 2009 com queda de 5%.

Consumo das famílias

No Japão, o resultado do PIB no 4º trimestre superou expectativas, com avanço de 1,1% em relação ao trimestre anterior, descontados os efeitos sazonais. A recuperação está sendo liderada pelas exportações (aumento de 5% no último trimestre), que se beneficiam do forte crescimento da China, o maior mercado para o produto japonês. Embora continue fraco, o consumo das famílias, que representa cerca de 60% da economia, subiu 0,7% do trimestre anterior, puxado pelos incentivos fiscais concedidos pelo governo para as compras de carros e eletrodomésticos. Os investimentos em capital fixo também cresceram no último trimestre do ano (1%), primeiro resultado positivo desde o primeiro trimestre de 2008, enquanto os investimentos públicos caíram 1,6%.

Em face da lenta e fraca recuperação da atividade econômica nos países desenvolvidos, os bancos centrais das principais economias avançadas têm sinalizado que manterão inalteradas, nos próximos meses, as taxas oficiais de juros, que estão em seus mais baixos patamares (próximo de zero nos casos dos EUA, Japão e Reino Unido). Essa decisão conta com o apoio do FMI, que tem defendido cautela na retirada dos estímulos monetários e fiscais, não obstante o aumento das pressões inflacionárias.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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