Recuperação lenta na indústria do Amazonas

Em: 9 de julho de 2020
Produção industrial do Amazonas esboçou reação na passagem de abril para maio, aponta IBGE
Recuperação lenta na indústria do Amazonas

Ainda sob impacto da crise da covid-19, a produção industrial do Amazonas esboçou reação na passagem de abril para maio, após o inédito tombo de dois dígitos do mês anterior. Mas, o crescimento foi residual e se deveu, em grande parte, à base fraca. Ainda em compasso de espera, em decorrência do prolongamento das medidas de isolamento social, o setor seguiu amargando números negativos em relação a 2019. Os dados estão na pesquisa mensal para o setor, divulgada nesta quarta (8).

Depois de despencar 47,1% em abril, a atividade industrial amazonense reagiu e avançou 17,3% em maio de 2020. Não foi suficiente, contudo, para evitar que o resultado ficasse 47,3% abaixo do registro de maio de 2019. O Amazonas também não conseguiu tirar os acumulados do vermelho, nem o do ano (-20,7%), nem o de 12 meses (-3,8%).

O crescimento acima da média nacional (+7%) na passagem de abril para maio rendeu à indústria do Amazonas a escalada do último lugar para o terceiro lugar, entre as 14 unidades federativas pesquisas pelo IBGE. O Estado ficou atrás apenas do Paraná (+24,1%) e de Pernambuco (+20,5%). Na outra ponta Espírito Santo (-7,8%), Pará e Ceará (ambos com -0,8%) figuraram no rodapé de uma lista com apenas dois resultados negativos.

A queda livre no confronto com maio de 2019, por outro lado, fez com que a indústria amazonense subisse da última para a penúltima posição do ranking mensal do IBGE, em um patamar aquém da já combalida média brasileira (-21,9%). O Estado fico à frente do Ceará (-50,8%) e atrás do Espírito Santo (-31,7%). Em contraste, os melhores resultados vieram de Goiás (+1,5%), Mato Grosso (-3,4%) e Rio de Janeiro (-9,1%), em uma lista com apenas um número positivo.

No acumulado dos cinco meses iniciais do ano, o Amazonas se manteve na penúltima colocação e também se situou abaixo da média brasileira (-11,2%). Ganhou do Ceará (-21,8%) e perdeu do Espírito Santo (-18,5%). Em contrapartida, os melhores desempenhos vieram do Rio de Janeiro (+2,8%), Pará (+0,9%) – sendo estes os únicos crescimentos neste tipo de comparação – e Goiás (-0,3%).  

DVDs e plástico

Na comparação de maio com o mesmo mês do ano passado, a produção das indústrias extrativas recuou 18,1%, enquanto a atividade da indústria de transformação despencou 49%. Apenas dois dos nove segmentos da indústria de transformação investigados pelo IBGE no Amazonas conseguiram fechar no azul: impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com +5,7%) e produtos de borracha e material plástico (+41,3%).

As quedas vieram de “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e seus componentes, com -87,9%), derivados de petróleo e biocombustíveis (-67%), bebidas (53,3%), máquinas e equipamentos (condicionadores de ar, com -42,7%), produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e estruturas de ferro, com -37,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares e computadores, com -28,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -28,2%).

No acumulado do ano, as únicas atividade da indústria de transformação que alcançou incremento foram as máquinas e equipamentos (+17,3%) e de impressão e reprodução de gravações (+10,9%). Do outro lado, os piores desempenhos vieram das linhas de produção de “outros equipamentos de transportes” (-34%), derivados de petróleo e biocombustíveis (-27,4%) e bebidas (-23%).

“Vendas estagnadas”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, pondera que o setor teve um desempenho positivo após o tombo recorde de abril, mostrando que o setor teve alguma atividade durante o mês e sinalizando de que “o pior já passou”. O pesquisador ressalva, no entanto, que a performance anual da manufatura continua em trajetória de retração, com oito segmentos apresentando decréscimos de 18% a 87%. 

“As comparações com o ano passado fazem desabar os acumulados de 2020. Embora maio tenha mostrado, de certa forma, uma melhora, a indústria está com desempenhos em queda. Justamente porque os índices mensais desse ano, estão inferiores ao socorridos em 2019. Plantas fechadas e vendas estagnadas tiveram seu ápice em abril. Mas, resta saber como será o desempenho de agora em diante”, ponderou.

Espera e recuperação

Na mesma linha, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, destaca que aumento da produção entre abril e maio já era esperado em maio, diante do tombo do mês anterior. O dirigente lembra que em torno de 90% das empresas do PIM havia dado férias coletivas em abril – especialmente os polos de duas rodas, eletroeletrônico e relojoeiro – e algumas ainda estavam em compasso de espera em maio, por conta da prorrogação do isolamento social.

Recuperação lenta na indústria do Amazonas - Cieam Wilson Périco

“Mas, já havíamos percebido uma retomada de alguns segmentos e, certamente, os dados de junho serão ainda melhores do que os de maio. Agora, temos que aguardar e ver qual será o tamanho de nossa economia, para ver qual será a demanda oferecida às indústrias do PIM, e eu espero que nós possamos preservar a grande maioria dos empregos. Vamos acompanhar”, comentou.

Recuperação lenta na indústria do Amazonas - antonio silva 1 scaled

Em sintonia, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, considera que os dados são uma prova de que a atividade na indústria local teve uma boa ascensão, tendo em vista que o número registrado em abril foi “o pior resultado da história”. “Esperamos um crescimento maior da produção e do faturamento em junho, de acordo com os dados preliminares divulgados pela Receita Federal. Acreditamos que o segundo semestre será de maior recuperação”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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