REDES SOCIAIS

Em: 2 de janeiro de 2014
Comunicação busca se reinventar -‘Tempo real’ chega aos jornais e novas tecnologias mudam comunicação
Comunicação busca se reinventar -‘Tempo real’ chega aos jornais e novas tecnologias mudam comunicação

Uma nova realidade começa a invadir os meios de comunicação tradicionais, obrigando os jornalistas a se adaptarem às mudanças tecnológicas que avançam a cada dia. Com o aumento da interatividade, os leitores estreitaram a relação com os veículos, uma tendência, aliás, que acontece mundialmente e ameaça a sobrevivência do jornalista tradicional – aquele que sai diariamente às ruas em busca das notícias e, em seguida, volta à redação para elaborar o seu texto. Por consequência, surge o profissional multimídia – mais versátil e, em tese, mais preparado para manipular toda essa parafernália tecnológica de última geração que permite a veiculação de informações em tempo real.
É a grande evolução, assim como nos demais setores da atividade econômica, que chega aos segmentos da mídia e pode varrer do mapa as empresas e seus quadros funcionais que não acompanharem as novas imposições do mercado. A era do Facebook, Twitter, Stagram, WhatsApp Messenger, entre outras mídias sociais, torna mais dinâmica a divulgação da informação. Com as novas ferramentas tecnológicas, qualquer pessoa, munida de um celular ou outro dispositivo móvel, com acesso à internet, pode disponibilizar fotos e informar sobre um acontecimento de forma imediata e precisa em questão de segundos ou minutos.
Na realidade, essas mídias sociais se transformaram em uma espécie de jornais inteligentes, onde milhões de usuários veiculam informações a cada segundo. E o jornalista que não se preparar para ser multimídia pode perder espaço na profissão, alertam os especialistas. “Ainda antes mesmo do meu doutorado na USP (Universidade de São Paulo), eu já havia decretado o fim do jornalismo tradicional e alertava que as empresas deveriam investir em maior interatividade para aproximar mais os leitores porque surgia uma nova realidade do mercado a partir da operacionalização da internet. Caso contrário, muitos veículos poderiam ser extintos se não acompanhassem essa evolução”, diz Gilson Monteiro, doutor em ciências da comunicação e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Ao contrário dos especialistas mais céticos, Gilson não prevê, porém, o fim do jornalismo impresso com o sistema online, mas acha que esse segmento da mídia deve se ajustar para não perder os leitores e, com isso, fazer frente à acirrada concorrência hoje existente no setor. “A velocidade da informação aumentou muito veiculada em tempo real. As notícias divulgadas hoje na TV, nos jornais online e no rádio, só vão sair nos impressos no outro dia”, explica o comunicólogo. “Então, o noticiário já chega velho e é reproduzido praticamente com o mesmo conteúdo do veiculado no dia anterior”, acrescenta ele.
Com o advento das notícias online, praticamente todos os veículos impressos da grande imprensa passaram a ter portais na internet. Sem despertar para as exigências desse novo leitor, as empresas insistem em manter as mesmas notícias que circulam nos jornais diários. Segundo Gilson, a falta do acréscimo de um dado novo nas informações tem sido uma das causas da falência de grandes empresas jornalísticas ou outras que, para não desaparecerem do mercado, optaram pelos jornais apenas online, como o tradicional Jornal do Brasil.
“Mesmo que sejam as mesmas notícias, o material deve ser divulgado com um novo formato. Os jornais têm que se reinventar e procurar uma nova forma de atrair os leitores nos portais. A população está mais exigente, quer assistir à repercussão das notícias acompanhada de uma análise mais crítica por parte dos jornalistas. Mas, em geral, essa prática, infelizmente, ainda não vem sendo adotada”, diz o especialista.
O formato dos jornais impressos é outro elemento que pode ter um impacto positivo ou negativo junto aos eleitores. “Com essa vida corrida, ninguém consegue ler hoje um jornal muito grande. Se o leitor deparar com um noticiário com mais de 15 linhas, certamente só vai prestar atenção no título da notícia. O sistema online criou uma linguagem diferente na qual as pessoas se acostumaram a se comunicar de forma concisa. Portanto, o noticiário dos jornais impressos também deveria priorizar esses ajustes para atender melhor a esse novo leitor”, diz Afrânio Soares, jornalista, especialista em vídeo e atualmente mestrando da Ufam.
Sem citar nomes, Afrânio alerta para o visual ainda pesado de alguns jornais da grande imprensa no Amazonas que, segundo ele, não proporcionam nenhum atrativo aos leitores, além dos conteúdos veiculados nos portais diariamente. “As mudanças acontecem de forma incipiente e torço para que as empresas despertem para essa nova realidade no setor”, diz.
“A população de hoje não quer apenas um mero noticiário informativo. Ao contrário, exige a repercussão das notícias, a interpretação dos conteúdos e o desfecho dos fatos”, afirma Afrânio. “Em todos os setores de um jornal, a evolução é uma exigência do mercado”, acrescenta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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