Reduzir a emissão de gases é um desafio para as indústrias brasileiras, incluindo as do PIM (Polo Industrial de Manaus), principalmente as que trabalham com alumínio, cimento, papel e celulose, química, cal, vidro e ferro-gusa (usado na fabricação de aço). Em 2012 o governo federal lançou um programa voltado para a redução das emissões, oferecendo como contrapartida financiamentos com juros bem mais baixos que a média e incentivos fiscais por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Informações do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) dão conta que os fabricantes desses segmentos terão que reduzir as emissões em 5%, no prazo de oito anos. A estimativa do órgão é que, em 2020, 16,2 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²) deixem de ser emitidas, reduzindo a projeção de 324,4 milhões para 308,2 milhões de toneladas.
Algumas empresas estão trabalhando com esse objetivo. A Moto Honda da Amazônia, fabricante de motocicleta, tem um trabalho voltado nessa direção. O gerente de relações institucionais da fábrica, Mário Okubo, disse que a empresa investe constantemente na minimização dos impactos de suas atividades, visando o equilíbrio do planeta. “Faz parte da filosofia da Honda, desde sua fundação, em 1948, no Japão, atender as demandas da sociedade de forma sustentável”, afirmou, ressaltando que a empresa adota procedimentos que visam mitigar os efeitos da produção.
Segundo Mário Okubo, antes mesmo de entrar em vigor a Moto Honda da Amazônia já adotava as regulamentações do Promot 3 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), que visa reduzir drásticamente a emissão de poluentes pelas motocicletas. O programa tem atingindo resultados expressivos na redução das emissões. “Devido ao esforço e investimento das novas tecnologias da empresa a emissão de monóxido de carbono foram reduzidos”, afirmou Okubo, destacando que para alcançar os patamares exigidos pelo programa, as motocicletas da Honda receberam inovações tecnológicas. “Aceitamos o desafio e nos adequamos às exigências do Promot, e com isso alcançamos bons resultados e o que é melhor à satisfação do nosso cliente”, completou.
Um dos projetos sociais desenvolvidos pela Moto Honda na região, voltado para a área ambiental, é de reflorestamento da floresta. Mário Okubo conta que a Moto Honda adquiriu uma área de terra no km 48 da BR-174, que à época, uma parte estava destruída, onde a empresa iniciou um processo de reflorestamento com arvores nobres da região. “Criou um projeto agrícola e utiliza uma parte que não pode ser recuperada, para teste, porém no local grande parte é uma reserva natural intocável”, informou.
Mario Okubo considera importante as festividades, neste 5 de junho, quando se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Segundo o gerente, a data é muito importante e serve para fazer um trabalho de conscientização junto à população em geral, bem como, na área industrial de uma forma geral. “É uma forma de mostrar a necessidade do progresso, sem danos ao meio ambiente”, frisou.
Fora de Manaus
Ao ser questionado se as empresas do PIM têm perfil poluidor, o economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), José Alberto Machado, afirma que a poluição gerada no entorno delas, não obstante relevante, é reduzida em relação a outros tipos de indústrias. Porém, o especialista aponta que o grande efeito poluidor corre fora de Manaus. “Os mais de 2 milhões de motocicletas que o PIM produz, anualmente, são vendidos para outros Estados do Brasil, onde irão queimar combustível fóssil e se transformar em sucatas ao final da vida útil”, mencionou, ressaltando que as centenas de milhões de artefatos feitos de plásticos (TVs, computadores, etc) saem de Manaus e, quando se tornam obsoletos (cada vez mais rápido) ou deixam de ser usados, transformam-se em resíduos sólidos de difícil equacionamento.






