As três principais opções de combustíveis nos postos amazonenses (álcool, gasolina e diesel) terão aumento de preço a partir de 1º de fevereiro, quando a mistura obrigatória de álcool anidro na gasolina passa de 25% para 20%. Como o derivado da cana-de-açúcar tem preço mais reduzido que o combustível fóssil, o aumento esperado para a gasolina é de R$ 0,10 por litro, pelas contas do secretário geral do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do Amazonas, Adailson Gomes.
Nos cálculos do Sindicato, ao substituir 5% de álcool por gasolina, o resultado obtido será uma mistura com valor agregado e preço mais elevado. “Isso porque a gasolina é mais cara que o etanol. O álcool entra na mistura reduzindo um quarto do litro. Se reduzirmos o percentual de álcool anidro, sobe o preço da mistura”, acrescentou Gomes.
Como era de se esperar, a notícia não foi bem recebida pela cadeia produtiva da indústria e do comércio. O secretário do Sintaxi (Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas de Manaus), Sebastião Cavalcante, afirmou que com o aumento do preço do combustível, não há mais como o setor manter o valor da tarifa. O último reajuste tarifário, segundo o representante, ocorreu em 2006, quando a gasolina custava R$ 2,45 nos postos autorizados pela Cooperativa dos Taxistas de Manaus. “Um taxista gasta entre 25 a 30 litros por dia, por isso entendemos que não dá para segurar os atuais preços nas corridas”, disse o secretário, acrescentando que a categoria e o IMTT (Instituto Municipal de Trânsito e Transporte Urbano) já estão negociando os percentuais para o reajuste tarifário.
Para o óleo diesel, o aumento esperado nas bombas é de R$ 0,03 por litro, passando dos atuais R$ 2,24 para R$ 2,27 em média. O reajuste parece insignificante, mas na comercialização em grande volume o impacto nas contas é bastante expressivo, segundo o presidente do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Estado do Amazonas), Paulo Alecrim. “Três centavos corresponde a quase 1,5% de reajuste e isso é volumoso quando se leva em consideração a comercialização geral, pois é grande o consumo do diesel no Amazonas e isso será repassado para o bolso do consumidor”, disse.
Medida do governo
O representante da Equador Petróleo, Hélvio Queiroz Filho, disse que a redução de álcool na mistura é uma medida do governo federal para evitar o desabastecimento do mercado. Segundo o representante, a safra 2009/10 (até 1º de janeiro) foi de 22,7 bilhões de litros – volume 7,69% menor que o registrado no mesmo período da safra 2008/09 (24,6 bilhões de litros). “Do etanol produzido, cerca de 16,6 bilhões de litros foram de álcool hidratado – que abastece os veículos flex – e 6,1 bilhões de litros foram de álcool anidro – que é misturado à gasolina. Não faltou cana para produzir o combustível, mas o preço mais atraente para o açúcar e a forte incidência de chuvas no segundo semestre atrapalharam a produção. Com o tempo chuvoso, mais de 60 milhões de toneladas de cana deixaram de ser retirada das lavouras”, disse o representante em nota ao Jornal do Commercio.







