Reduzir desmatamento a zero custaria até US$ 18 bi a mais ao governo federal

Em: 7 de dezembro de 2009
Acabar com o desmatamento na Amazônia até 2020 custaria de US$ 6.5 bilhões a US$ 18 bilhões em investimentos, além do que já é gasto hoje pelo governo na região, segundo estudo publicado na semana passada pela revista “Science”
Acabar com o desmatamento na Amazônia até 2020 custaria de US$ 6.5 bilhões a US$ 18 bilhões em investimentos, além do que já é gasto hoje pelo governo na região, segundo estudo publicado na semana passada pela revista "Science"

Acabar com o desmatamento na Amazônia até 2020 custaria de US$ 6.5 bilhões a US$ 18 bilhões em investimentos, além do que já é gasto hoje pelo governo na região, segundo estudo publicado na semana passada pela revista “Science”. O cálculo foi feito por pesquisadores brasileiros e americanos que defendem uma meta ainda mais ambiciosa do que os 80% de redução que o Brasil pretende levar à Conferência do Clima de Copenhague (Dinamarca). Querem desmatamento zero.
“É algo perfeitamente factível”, disse o ecólogo Paulo Moutinho, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), um dos autores do estudo. “Achamos que dá para ir além dos 80% e chegar a Copenhague com um número muito mais robusto”, defendeu.
Quem pagaria a conta não seria o povo brasileiro, mas os países desenvolvidos, por meio da compra de créditos de carbono florestal e outros mecanismos de financiamento internacional. “O mais provável e justo é que esse dinheiro venha de outros países”, afirma Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Center, nos Estados Unidos. Para isso, os cientistas contam com a aprovação em Copenhague do mecanismo Redd (Redução de Emissões para Desmatamento e Degradação), que premiaria o desmatamento evitado como forma de combate ao aquecimento global.
“É a maneira mais barata de reduzir emissões”, afirma Britaldo Soares Filho, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais. “O Brasil não pode perder essa oportunidade”, frisou.

Serviços ambientais

A estimativa inclui gastos com fiscalização, gerenciamento de áreas protegidas, pagamento por serviços ambientais e apoio ao desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais, de modo que não precisem mais derrubar a floresta para sobreviver.
O grande intervalo entre os números (de US$ 6.5 a US$ 18 bilhões) deve-se as diferenças no plano de ações e na intensidade do esforço necessário para alcançar a meta. Por exemplo, quando trata da compensação de produtores rurais que optarem por manter áreas de floresta além do exigido por lei (chamado “custo de oportunidade”). No cenário mais barato, só 10% desse custo seria compensado, contra 25% no cenário mais caro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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