Refúgio e conecção com a natureza

Em: 24 de outubro de 2014
Espaço oferece chalé, corredeira e passeio para observação do Galo da Serra
https://www.jcam.com.br/FOTO_24102014 G1.jpg
Espaço oferece chalé, corredeira e passeio para observação do Galo da Serra

Cachoeiras, cavernas, selva e recursos naturais, sem contar as belezas amazônicas que guardam o município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas. A BR-174 é a principal rodovia que liga o município à capital. Mais de cem quedas d’água são catalogadas pelo Ministério do Turismo, na região, que se mantém economicamente por meio do ecoturismo.
O município é um dos principais refúgios dos amazonenses, nos finais de semana e feriados, onde é possível procurar um local para camping ou ainda as opções de pousadas no Centro da cidade. Locais como Porteira, Santuário, Iracema e Urubuí já são marcas registradas para quem costuma visitar Presidente Figueiredo. Mas o local, ainda guarda muitas belezas escondidas, e pouco exploradas. É o caso da Aldeia Mari Mari, que inaugurou recentemente quatro chalés, com oito apartamentos disponíveis para hospedagem.
Quem tiver interesse em pernoitar no local irá encontrar, além do conforto dos quartos, um ponto de encontro para quem gosta de fugir da agitação da cidade grande. “Aqui é o local ideal para a quem quer se conectar com a natureza”, reforça a proprietária Ana Paula Nicolau.
No restaurante, peixes locais (pacu, jaraqui, tambaqui, matrinxã, tucnaré) nas opções frito, assado, caldeirada e recheados. Os sucos naturais, com as frutas típicas da época são retirados diretamente do pé: buriti, cupuaçu, caju, açaí e até mari, fruta que deu origem ao nome do espaço natural.
Muito rico em gorduras e betacaroteno, Mari é um fruto comestível, originário da região Amazônica. De uma árvore grande e alta, quase parecida com o abacateiro. Do fruto se come apenas a polpa quando está maduro e bem mole. “Mari é uma fruta bastante presente no terreno da Aldeia, devido as cutias que espalham as sementes pela região. Tem um aroma peculiar e forte. Os amazonenses têm o hábito de comê-la com farinha”, conta Luiz Humberto, o Betão, marido de Ana Paula, e guia turístico da região, com mais de 15 anos de experiência.
“Já o nome Aldeia, ao qual batizamos o espaço, remete a questão da valorização das tradições indígenas, hábitos como a alimentação natural, as frutas colhidas do pé, o peixe fresquinho assado na brasa…Mas também esperamos que em breve, a Aldeia seja um local especial para os amantes das artes. Pretendemos num futuro próximo, oferecer aos frequentadores do nosso espaço, show e atividades culturais de diferentes seguimentos. Estamos abertos para sugestões e para a criatividade”, ressaltou Ana Paula.
Ana Paula afirma que além desta conecção com a natureza e a preservação das tradições indígenas, a Aldeia Mari Mari – terreno com 60 hectares de terra – é hoje um dos principais pontos no Brasil para observações de pássaros, com destaque para o Galo da Serra.
Para pernoitar na Aldeia Mari Mari, o espaço oferece estadia de domingo a domingo, nos chalés, o valor é de R$120 (casal), área para camping custa R$ 25 (por pessoa). O passeio com guia, para observar o Galo da Serra é R$ 50.

Uma história de amor
Ana Paula Nicolau veio de Aracajú para ser madrinha de casamento do melhor amigo. Apaixonada pela ideia, pois sempre sonhou em conhecer a Amazônia, a sergipana, que havia perdido a mãe, queria aproveitar a estadia em Manaus, e visitar algum refúgio. Por meio da amiga Tirsa, proprietária da Pousada das Pedra ficou sabendo da existência de um local no município, onde era possível fazer uma trilha para observação de pássaros.
Na aldeia, conheceu Betão, guia turístico da cidade… “e durante o caminho já nasceu a paixão”, conta Ana Paula Nicolau.
Ela voltou para a terra natal, mas a comunicação entre os dois, permaneceu. Decidida a mudar de vida, Ana Paula retornou a PF e resolveu ficar. E assim nascia a Aldeia Mari Mari.
Formada em administração de empresas, com pós-graduação em gestão ambiental, Ana Paula uniu a paixão por Betão e a vontade de renovação, e se casaram. Da união nasceu o pequeno Tiê, hoje com 2 anos e 9 meses, e o empreendimento, que aos poucos foi ganhando forma de pousada.
“Criar um filho em meio a natureza é um privilégio. Ele aprendeu desde cedo a conhecer e respeitar o meio ambiente. Suas brincadeiras são na corredeira e com o meio em que vive. Aqui não temos computadores, vivemos mesmo numa aldeia. Livres!”, conta Ana Paula.

Por dentro

Galo da Serra

Hoje, a Aldeia Mari Mari é um dos espaços mais procurados por fotógrafos e observadores de pássaros, no Brasil, em especial para observação do Galo da Serra. “O Galo da serra virou objeto de desejo destas pessoas”, afirma o ornitólogo (biólogo especialista em pássaros), Marcelo Barreiros – que também atua como guia de observadores e fotógrafos de pássaros.
De acordo com o biólogo, existem duas espécies, descendentes do Peru e Guiana. “A espécie rupícula é encontrada na região. Eles são pássaros territoriais, ou seja, eles marcam seu espaço. Por isso quando o indivíduo quiser observá-lo, não deve invadir o espaço deles, senão eles abandonam o local”, avisa.
Este espaço, apontado pelo profissional é uma espécie de círculo desenhado pelo próprio pássaro, uma arena, para delimitar seu território, num habitat conhecido como, campinarana (vegetação fechada e amaranhada). “Eles procuram este tipo de vegetação para se proteger dos predadores, pois o galo da serra gosta de ficar o mais próximo do solo. O horário entre 13h e 14h é o mais propício para encontrar o maior número de pássaros. É neste horário que os machos gostam de se exibir para as fêmeas. Porém não se sabe ao certo o critério das fêmeas para escolherem este, ou aquele macho para acasalar. Os pássaros possuem em média 18 centímetros, sendo os machos de cor laranja e as fêmeas de cor marrom”, diz o ornitólogo.
É possível encontrar a espécie também em Roraima e no município de S. Gabriel da Cachoeira. “Porém é na Aldeia Mari Mari onde é possível ter maior acesso ao Galo da Serra. Muitos fotógrafos, estrangeiros e biólogos chegam até o espaço especialmente para esta visitação”, revela o especialista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar