Em visita ao Jornal do Commercio, o prefeito eleito de Manacapuru, Washington Régis (PMDB), descreveu a situação de caos na qual o município se encontra. Durante a conversa, ele se defendeu das acusações de improbidade administrativa e falou que defende, junto ao governador Omar Aziz (PSD) a construção de um porto fluvial no município. De acordo com o prefeito, as prioridades de sua gestão serão saúde e educação.
Jornal do Commercio – Quais serão as suas primeiras ações ao assumir a prefeitura no próximo dia 1º de janeiro?
Washigton Régis – Com certeza absoluta pensar em um SOS urgente para a saúde. Hoje, a saúde em Manacapuru é caso de polícia. O hospital de Manacapuru está uma loucura, a saúde básica não existe. O abandono é total. Isso não é muito diferente da educação. Os barcos não estão parando nas zonas ribeirinhas por falta de pagamento do transporte escolar. As escolas que sofreram as consequências da última cheia ainda não tiveram nenhum tipo de reparo por parte do Poder Público O ano letivo, principalmente na zona ribeirinha de Manacapuru está com um atraso monstruoso.Então na saúde e na educação temos situações que precisamos correr. Como é que se vive sem educação e sem saúde?
JC – O senhor já tem uma noção de como vai herdar a máquina da prefeitura?
Régis – Eu tenho certeza de que vou encontrar muitos problemas. Eu sinto isso e percebo pela decisão desse moço (o atual prefeito Ângelus Figueira) cogitar a possibilidade de anular a eleição em Manacapuru. Isso é prova de que ele ainda não desistiu, ele ainda quer permanecer na prefeitura, e você só insiste em permanecer em uma prefeitura quando você está problemático. Eu, há quatro anos, desisti de uma reeleição e não tive problema nenhum. Quando você está todo arrumado, você entrega a prefeitura para qualquer um. Tenho certeza de que ele está enfrentando dificuldades para equacionar o problema do dinheiro que ele tirou do Fundo Previn, fundo dos funcionários públicos aposentados. Ele está encontrando dificuldades para cobrir o dinheiro dos convênios.
JC – O prefeito está questionando a eleição na Justiça?
Régis – No início do processo, o promotor de Manacapuru trouxe uma condenação por improbidade para mim por um problema com os mototaxistas que aconteceu em 2005, quando eu fui prefeito, porque não licitei os mototáxis. A Câmara foi quem aprovou a lei e a promulgou, eu não sancionei lei nenhuma. Nunca gastei dinheiro do povo de Manacapuru para comprar um crachá sequer para mototaxista. Não tem improbidade nenhuma. A juíza (de Manacapuru, Rosália Nascimento,) confirmou a decisão do promotor. Em Manaus, a Procuradoria Federal também confirmou meu não registro de candidatura, mas no pleno do TRE eu ganhei por unanimidade e registrei a candidatura. O promotor federal (Edimilson) Barreiros recorreu e levou a Brasília, por isso o prefeito ainda tem uma animação. Então, estamos esperando uma decisão dos ministros do TSE que confirme a decisão do TRE aqui que me liberou. Será que eu serei o único prefeito do Brasil condenado por improbidade só por ter mototáxi? Quem dera se todos os prefeitos do Brasil tivessem esse tipo de improbidade.
JC – Além das prioridades que o senhor citou, teremos em 2014 uma Copa do Mundo em Manaus. Além disso, Manacapuru vive a expectativa de expansão do polo industrial para a região metropolitana. Como o senhor pretende utilizar esses dois eventos em benefício do município?
Régis – Como falei pra você, estamos precisando de um SOS na saúde e na educação. Como podemos dizer que estamos preparados para uma Copa se o hospital não tem a mínima estrutura para fazer uma cirurgia um pouco mais complexa? O meu problema é bem básico. Como posso sonhar em Copa hoje, se eu não tenho essa mínima estrutura? Ninguém se sentirá atraído a visitar Manacapuru se souberem que, caso tenham um mal-estar qualquer, não terão para onde correr. Então, eu tenho que me preocupar logo em trazer o mínino e também trabalhar na educação. Tenho certeza de que se eu tomar atitudes imediatas na saúde e educação, o resto vem por osmose. Sei que posso contar muito com o governador Omar Aziz e com o senador Eduardo Braga. Tenho certeza que posso contar com a senadora Vanessa Grazziotin. Tenho certeza, e vou contar muito com os nossos deputados federais. Tenho certeza que a presidente Dilma vai nos ajudar e nós vamos, dentro do período de um ano, fazer uma Manacapuru como eu deixei.
JC – O senhor já conversou com o governador Omar ou com o senador Eduardo?
Régis – Eu tenho falado com ambos pelo telefone. Mesmo no decorrer da campanha eu mostrava os problemas existentes. O governador já me falou que está sensível à necessidade urgente de Manacapuru ter um hospital no mesmo nível do 28 de Agosto. Também conversei com o governador Omar sobre como podemos ter mais rapidamente um porto em Manacapuru, em parceria com a iniciativa privada. Isso é, também, prioridade zero e o governador vê isso com ótimos olhos. É fundamental. Vai significar progresso. Nós vamos poder receber mais de 50% dos barcos que chegam hoje de Manaus. Isso trará um momento muito diferenciado a Manacapuru e é para isso tudo que nós precisamos nos preparar. Manacapuru tem que se estruturar para receber essas pessoas. Somos o maior polo pesqueiro do Estado e estamos cada vez nos aprimorando mais. Hoje, nossos frigoríficos já exportam.
JC – O senhor já definiu o seu secretariado?
Régis – Não, não está definido, mas eu tenho uma base dos que trabalharam comigo por quatro anos. Muitos dos meus secretários ficaram comigo desde o dia que eu assumi até o fim do mandato. Eu fui o prefeito que manteve cerca de 80% de seu secretariado desde o primeiro dia até o último. No mínimo 80%. Dos que saíram, como o secretário de Obras, foi porque encontraram oportunidades melhores aqui em Manaus.
JC – Durante a campanha qual foi o sentimento expressado pela população de Manacapuru?
Os melhores sentimentos possíveis. Eu decidi ser candidato pelo número de telefonemas e ligações pedindo ‘pelo amor de Deus’ que eu voltasse. E isso foi provado nas urnas. Eles pediam demais que eu voltasse porque no meu tempo não tinha atraso de salários, os fornecedores eram todos de Manacapuru e recebiam em dia. Os fornecedores de Manacapuru não vendiam nada para a prefeitura há mais de 20 anos com medo de não receberem. Eu deixei essa marca, então, as pessoas pediam para que eu voltasse porque a saúde tinha sido melhor, a educação tinha sido melhor, eu pagava em dia, o comércio vendia e recebia. Não é discurso de opositor, mas Manacapuru está um caos e eu tenho que ter consciência do que eu vou enfrentar.
JC – E o senhor tem consciência?
Régis – Eu não peguei diferente oito anos atrás. Oito anos atrás eu também peguei uma cidade totalmente desorganizada. Eu peguei um hospital péssimo, educação péssima. E nós arrumamos tudo em quatro anos.
JC – Se o seu primeiro mandato foi tão bem avaliado, por que o senhor desistiu da reeleição?
Régis – Tem vários fatores. Eu sou contra, e sempre fui como deputado, a essa situação de reeleição. Acho que o mandato poderia ser de cinco anos. E também sou contra a reeleição nos municípios de porte como o de Manacapuru, onde você tem um trabalho gigantesco para manter. Ou você trabalha feito um maluco, ou você sai mal. Você tem dificuldade de quadro. Em Manacapuru não dá para pagar um secretário a R$ 10 mil. A cidade não tem suporte para isso. Com um secretário ganhando entre R$ 4 mil e R$ 5 mil você tem como qualificar o quadro? Então, eu trabalhei muito nesses quatro anos e eu sabia. Muitos prefeitos são reeleitos e saem desgastados, porque oito anos é demais.
JC – Então o senhor, novamente, não pensa em reeleição?
Régis – Eu não tenho esse pensamento. Primeiro, porque quando eu assumo, assumo pensando nos quatro anos. Eu, como não tive da primeira vez, não tenho porque ter hoje. Acho que a política precisa de renovação. Uma reeleição para quem se garante é bom.
JC – Diante da situação de caos em que se encontra o município, que o senhor mesmo deixou clara, dá para resolver tudo em apenas quatro anos?
Régis – Não, você não resolve tudo, mas se pegar um novo gestor com princípios e espírito público, ele segue em frente. Como eu deixei uma prefeitura em Manacapuru. Em quatro anos deixei a educação em dia, saúde em dia, social em dia, tudo redondo, tudo enxuto. Se o prefeito que me sucedeu tivesse dado continuidade, nós teríamos uma prefeitura bem melhor. Só que entra um prefeito que resolveu fazer da sua maneira, uma administração do “oba, oba”, aí acaba tudo.







