O rendimento médio mensal do trabalhador amazonense passou de R$ 1.045 para R$ 952 em 2015. O resultado representa uma queda de 8,9% comparado com o ano de 2014. No geral, os homens tiveram maior perda com 10,1% enquanto as mulheres perderam em média 7,8%. As mulheres também recebem, em média, 62,7% do rendimento dos homens. A constatação é da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2015, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o presidente da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas), Kátia Andrade, um dos motivos para a queda no rendimento foi a redução dos postos de trabalho, independente dos valores de salários.
“Quando a oferta de profissional é maior que a demanda de vagas segue a lei natural da economia, ou seja, o empregador ganha poder de barganha, escolhe os melhores profissionais e negocia os salários para menos.
Houve muitos desligamentos de excelentes trabalhadores com cargos de gerência para a contratação de outros com valores reduzidos. Tudo isso repercutiu na pesquisa”, avalia.
Segundo Kátia, como as demais atividades econômicas do Amazonas são dependentes da indústria, a queda nos empregos nesses segmentos também resulta na redução dos rendimentos. “Nosso Estado está ligado, muito ligado ao setor industrial, para se ter ideia aproximadamente 60% dos trabalhadores são do polo. Assim, quando o setor é atingido toda a cadeia econômica como comércio e serviços que são abastecidos por ele também sofrem”, analisa.
A média do rendimento mensal do trabalhador amazonense, em 2015, foi de R$ 1.045. Na prática, o salário do empregado do Amazonas encolheu R$ 93 ou 8,9%, em relação a 2014. No entanto, a redução nos salários foi mais acentuada no público masculino. Os homens tiveram perdas de 10,1% enquanto que as mulheres perderam em média 7,8%. Em valores nominais, eles perderam R$ 131 e elas R$ 62.
Conforme os dados, as mulheres também recebem, em média, 62,7% do rendimento dos homens. No ano anterior, a proporção atingia 61,1%. A porcentagem que representa o público feminino recebe R$ 734, enquanto o masculino ganha R$ 1.171. Segundo a representante, é um fator cultural que foi emoldurado no decorrer dos anos e a questão da igualdade de gêneros vem sendo pauta nos Recursos Humanos.
“Embora demonstre ter profissionais qualificadas a nível educacional e de liderança, 38% das mulheres ainda têm salários inferiores aos dos homens no nosso Estado. Os cargos de liderança evidenciam frequentemente esse comportamento. Já em cargos operacionais costuma ter uma igualdade nos rendimentos”, afirma Kátia. Para a presidente, a legislação protetiva para a mulher favorece esse indicador. “Quando o empregador coloca no lápis, por exemplo, o fato da mulher ficar em casa por seis meses após ter filho e o homem apenas 5 dias, pesa na balança por conta da remuneração”, completa.
A pesquisa também aponta que, aumentou consideravelmente, o número de pessoas sem rendimento (12,2%) em 2015.
O indicou passou de 758 mil pessoas em 2014 para 851 mil no ano passado. Outra vez, as mulheres foram as mais afetadas, com contingente de 12,7%; enquanto os homens foram de 11,9%. “São indicadores bem similares, mas temos que levar em consideração que a população feminina no Amazonas, assim como no resto do país, é maior que a masculina”, finaliza a presidente da ABRH-AM.
População ocupada teve redução
Ainda de acordo com o IBGE, em 2015 a população ocupada no Amazonas foi de 1 milhão e 611 mil pessoas, o que representou uma queda de 5,9% em relação a 2014 (1 milhão e 713 mil pessoas), a primeira observada na série desde 2012. Entre os grupamentos de atividade, a construção registrou a maior perda (22 mil postos), em seguida as atividades de educação, saúde e serviços sociais com 18 mil postos a menos. Atividades importantes como a indústria e o transporte também registraram queda do número de pessoas ocupadas (17 mil e 13 mil respectivamente). Administração pública e o comércio foram as únicas atividades que tiveram crescimento de pessoas ocupadas na comparação 2014-2015, a primeira com acréscimo de 8 mil e a segunda com 3 mil.







