As operações no mercado de capitais brasileiro tiveram volu-me financeiro de R$ 142,5 bilhões em 2007, com alta de 18,8% sobre 2006, segundo levantamento feito pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
As operações de renda variável foram o destaque, ultrapassando pela primeira vez as de renda fixa. A expectativa é de que esta proporção se inverta novamente neste ano -especialmente se a crise financeira causada pela desaceleração econômica dos EUA dure muito tempo.
“Foi um ano espetacular. Mas agora começamos 2008 sob o signo da turbulência’’, resumiu o vice-presidente da Anbid, Luiz Resende, durante a apresentação dos dados.
Em 2007, a renda variável (emissões de ações) movimentou R$ 75,43 bilhões -140,9% a mais do que em 2006 (R$ 31,3 bilhões). Por sua vez, a renda fixa -debêntures, notas promissórias, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios)- somaram R$ 67,09 bilhões, com redução de 24,3% sobre o ano anterior. A crise, diz Resende, é um dos fatores alavancadores da renda fixa porque haverá demanda de investidores para estes papéis -que, ao menos na teoria, são mais seguros do que ações em momentos de turbulência. Além disso, muitas empresas que abriram capital em 2007 deverão emitir debêntures ou notas promissórias para captar dinheiro para realizar investimentos.
Uma prova de que a renda variável deve começar o ano parado é que, das 38 operações que estão em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), 15 estão temporariamente interrompidas. “No momento todo mundo fica cauteloso’’, disse.
Mas Resende lembra que, enquanto o mercado fica parcialmente paralisado pela crise nos Estados Unidos, é importante que as empresas interessadas em acessar o mercado de capitais se prepare. “Se tudo for preparado antes, pode haver grande número de operações quando a janela se abrir novamente’’, disse.
A duração da crise e a conseqüente abertura para essa janela de lançamentos de títulos é que determinará o desempenho do mercado de capitais em 2008, segundo o dirigente.
“Já está descartado crescer como em 2007’’, disse. “Se a crise for de até seis meses, teremos uma quantidade de ofertas razoável’’. Para ele, “razoável’ seria o número de ofertas ser de aproximadamente metade da do ano passado, que foi de 244.







