Reciclar é a palavra de ordem, principalmente com o aumento mundial da população, do consumo e descarte do desnecessário, desnecessário que pode gerar lucro e ser um item a menos nos lixões das cidades.
Foi com esse objetivo que o grupo Fasa, do Rio Grande do Sul, montou a primeira graxaria no início da década de 1980, na cidade de Cruzeiro do Sul, e desde então vem abrindo outras industrias do gênero por todo o país, e até no exterior. A inauguração mais recentemente de uma unidade, a Solimões, aconteceu em Iranduba (a 22 km de Manaus pela AM 070), na útima sexta-feira (25), no ramal que dá acesso à comunidade do Caldeirão, que comemora o fato de ter uma empresa gerando emprego e renda “bem ao lado de casa”.
Clóvis Moura Júnior, gerente da Solimões, explicou que o Amazonas é o primeiro Estado do Norte a ganhar uma graxaria. Graxaria é uma beneficiadora, ou recicladora, de resíduos animais para serem usados na fabricação de diversos produtos como farinha de carne e osso mista e farinha de sangue e sebo. As duas farinhas são utilizadas na fabricação de ração animal, e o sebo, na industrialização de biodiesel e sabão.
Uma novidade que a Solimões está trazendo para o Amazonas é o beneficiamento de resíduos de peixes. “Nas outras unidades beneficiamos principalmente resíduos bovinos e suínos, mas aqui há grandes possibilidades de também fazermos esse trabalho com os peixes. Segundo dados que me foram fornecidos, haveria a possibilidade de recolher 50 toneladas/dia de resíduos de peixes, tanto os que não são comercializados, nos mercados e feiras, e serão jogados fora, quanto as carcaças dos peixes já beneficiados com a retirada da carne para o comércio”, acrescentou Clóvis.
Investimento de R$ 8 milhões
Na unidade de Iranduba, segundo Clóvis, foram investidos aproximadamente R$ 8 milhões, “apenas nesse primeiro momento com a compra do terreno, a construção do prédio, a aquisição de caminhões e o maquinário, produzido pela própria Fasa e utilizado em suas industrias”, disse.
Na segunda-feira (28), apenas três dias após a sua inauguração, a Solimões entrou em funcionamento. “Começamos com cerca de 15 funcionários, mas esta semana já precisei contratar mais dez, e nos próximos dias irei contratar outros cinco, todos, preferencialmente aqui do Caldeirão, pela facilidade do ir e vir dessas pessoas e para que a comunidade seja a grande ganhadora com a nossa presença no local, com a geração de emprego e renda. Mas ainda iremos contratar mais gente até o final do ano. A Solimões tem capacidade para utilizar 80 pessoas quando estiver em pleno funcionamento. A operacionalidade dessas máquinas é girar 24 horas ininterruptas, mas como estamos ainda na fase de listar fornecedores de matéria-prima, funcionamos de acordo com o material que chega”, explicou.
Quando estiver funcionando a pleno vapor, a Solimões terá a capacidade de processar mais de 140 toneladas/dia de resíduos. Dados da Sepror (Secretaria de Produção Rural), mostram que hoje a região metropolitana de Manaus estaria produzindo cerca de 30 toneladas/dia desses resíduos. “Acredito que seja muito mais que isso. Como falei antes, só de peixes, tenho a informação que são 50 toneladas/dia”, lembrou Clóvis.
Com quatro caminhões em atuação, Iranduba, Manacapuru e Manaus são a rota seguida em busca de resíduos bovinos, suínos, de aves e peixes, além de sangue animal e óleo saturado em açougues, matadouros, feiras e estabelecimentos que trabalham com frituras. “Nos interessa todo esse material, em qualquer quantidade. Estamos ajudando as empresas, que precisam descartá-los, e a natureza, evitando que sejam atirados em qualquer local”.
Por dentro
O grupo Fasa tem oito graxarias: três no Rio Grande do Sul, duas em Santa Catarina, uma no Mato Grosso, uma no México, e esta agora em Iranduba. Está sendo montada mais uma no Peru e outra em Rondônia, na cidade de Cacoal. Cerca de 60% dos produtos que as fábricas produzem são comercializados para o exterior, para a Índia, a Malásia e a África do Sul. O gaúcho Valdir Federhen é o presidente do grupo Fasa.







