Andreia Leite
O números de bares e restaurantes operando em prejuízo no Amazonas apresentou alta de 30% em janeiro. O percentual foi informado pela Abrasel- AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) ao comparar com o resultado nacional mais recente divulgado pela entidade representativa do segmento. Mais de um quarto das empresas registraram prejuízo em janeiro, um crescimento de 10% em relação a dezembro. 49% das empresas operaram em estabilidade e 21% fizeram lucro. Ainda sobre o resultado do mês, 67% dos bares e restaurantes tiveram desempenho menor em janeiro do que em dezembro.
No Amazonas, houve um acréscimo em relação a atividade dos estabelecimentos atuando com prejuízo. Em janeiro de 2023, o percentual foi de 21%. Este ano, saltou para 30%.
“Janeiro foi um mês de férias, com muitas pessoas saindo de Manaus, tanto para o interior quanto para fora do estado e o fluxo de turistas, infelizmente, não compensou esse déficit. Muitas empresas ainda carregam um endividamento elevado e queda no faturamento desequilibra demais o fluxo de caixa. A conta fica negativa, não tem jeito”, afirmou o presidente da Abrasel no Amazonas, Rodrigo Zamperlini.
A pesquisa ouviu 2.128 empresários do setor em todos os estados do país, entre os dias 19 e 26 de fevereiro, período em que o movimento no setor durante a folia carnavalesca havia encerrado.
O Carnaval é um dos feriados mais aguardados pelos brasileiros é tida como a oportunidade perfeita para movimentar o mercado. Contudo, a aposta não foi suficiente para equilibrar essa equação. Inclusive, era ventilado pelo setor, apesar do grande número de pessoas que deixariam a cidade para aproveitar o feriado em outros locais, o fluxo de turistas vindo para a capital amazonense aumenta, o que poderia ser o ponto de equilíbrio para o mercado registrar bons resultados.
Conforme Rodrigo, entre as empresas que abriram durante o carnaval, apenas 43% tiveram resultado acima do registrado no ano anterior, ou seja, mais da metade ficou no mesmo patamar ou registrou queda no faturamento durante esse período. Esse aumento, em média, foi de 14%. Outros 13% tiveram um desempenho igual ao de 2023 e 38% ficaram abaixo. “É preciso mais dinheiro girando na economia de Manaus e do Amazonas para isso”, afirmou o presidente da Abrasel no Amazonas.
Para o empresário do setor, Jonathan Silva, que é dono de um pequeno estabelecimento, o saldo do carnaval não correspondeu às expectativas. “Tivemos um resultado aquém do esperado. Esperávamos um movimento bem maior mesmo porque antes do período carnavalesco muitos estabelecimentos apresentaram grande movimentação. Eu, por exemplo, abasteci de bebidas e criei algumas estratégias de promoção para o cardápio que não surtiram o efeito desejado. Não perdemos em percentual, mas também, não contabilizamos números favoraveis”, afirmou.
A pesquisa revela ainda que 38,8% dos estabelecimentos no Amazonas não conseguiram aumentar os preços nos últimos 12 meses, enquanto 53% realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação. Apenas 8,2% dos bares e restaurantes têm conseguido aumentar seus preços acima da inflação.
Sobre o endividamento, o estudo aponta que 43,5% das empresas têm dívidas em atraso. Dessas, 67,6% devem impostos federais, 46% impostos estaduais, 46% empréstimos bancários, 43,2% encargos trabalhistas e previdenciários, 37,8% serviços públicos (água, gás, energia elétrica), 27% taxas municipais, 29,7% devem a fornecedores de insumos e 32,4% estão com o aluguel atrasado.
Nacional
Levantamento nacional aponta que janeiro foi um mês difícil para os estabelecimentos, especialmente aqueles localizados em áreas com menor fluxo turístico. No primeiro mês do ano, 29% das empresas do setor relataram prejuízos, contra 18% que fecharam dezembro no vermelho, um aumento de cerca de 60% neste índice.
Em relação ao resultado nacional, houve uma queda significativa no percentual de estabelecimentos que registraram lucro, passando de 48% em dezembro para 34% em janeiro.

A pesquisa também indicou, ainda, que 59% dos bares e restaurantes tiveram um faturamento menor em janeiro do que no mês anterior. A queda no faturamento ajuda a explicar o mau desempenho.
“Janeiro é um mês um pouco atípico. O bom desempenho do setor em dezembro ajuda a criar um contraste com a baixa no primeiro mês do ano, em que muitas famílias estão de férias e fora dos grandes centros. Já sabemos que em fevereiro o Carnaval ajudou a compensar isso”, explica Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Outros números
A pesquisa corroborou estimativa da Abrasel, mostrando que no carnaval, 76% ficaram de portas abertas durante a folia. Destas, 40% das empresas disseram ter tido um aumento no faturamento em relação ao Carnaval do ano passado – esse aumento, em média, foi de 14,92%. Outros 15% tiveram um desempenho igual ao de 2023 e 39% ficaram abaixo – 6% não existiam em 2023.
Outro desafio enfrentado pelo setor é a dificuldade em reajustar os preços dos cardápios. Cerca de 40% dos estabelecimentos não conseguiram aumentar os preços nos últimos 12 meses, enquanto 51% realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação.
Apenas 9% dos bares e restaurantes têm conseguido aumentar seus preços acima da inflação. Além disso, 43% dos estabelecimentos relataram atrasos em seus pagamentos, evidenciando as dificuldades financeiras ainda enfrentadas por parte do setor.







