A ascensão das classes C e D abre às companhias aéreas perspectivas de negócios animadoras, mas foi a volta dos viajantes a negócios que mereceu destaque nos balanços financeiros da TAM e Gol. Parte da expansão de 26% do mercado doméstico no terceiro trimestre, relativamente a igual intervalo de 2008, é atribuída pelas aéreas às viagens corporativas, que engrenam uma retomada neste cenário de reativação da atividade econômica.
Para o presidente interino da TAM, Líbano Barroso, este segmento deve manter o ritmo histórico de superar duas vezes e meia a expansão do PIB (Produto Interno Bruto), estimada em 5% pelos economistas para 2010. Segundo ele, esse mercado reagiu de forma mais clara a partir da segunda quinzena de setembro. Até 15 de dezembro, a busca destes clientes por voos continuará “forte”, mas depois, até o fim de janeiro, entram em cena os viajantes a lazer. “A volta do viajante a negócios coincide com a percepção de melhora do momento econômico”, afirmou o executivo. Hoje, cerca de 75% dos passageiros da TAM viajam a negócios, enquanto a média do mercado ronda os 68%, diz Barroso.
“Nos momentos onde a demanda do tráfego executivo foi mais baixa, principalmente no primeiro semestre deste ano, perto de 65% dos nossos passageiros voaram a trabalho”, observou, lembrando que uma das estratégias para manter os clientes foi o lançamento, neste ano, do Multiplus Fidelidade, por meio do qual o passageiro inscrito pode acumular pontos vindos de parceiros como bancos, farmácias, postos de gasolina, supermercados, livrarias, dentre outros.
A Gol também detectou um aumento no número de passageiros corporativos neste terceiro trimestre, conforme seu diretor comercial, Eduardo Bernardes. Além da melhora na economia brasileira, contribuiu para a maior procura de usuários corporativos a integração da malha aérea com a Varig, além da possibilidade de os clientes da Gol acumularem milhas no programa de fidelização Smiles. Dos clientes que viajam pela Gol, 62% pertencem ao mercado corporativo. “Em 2001, quando a Gol iniciou suas operações, perto de 80% dos viajantes na indústria brasileira de aviação eram deste segmento”, disse o diretor.
Para ganhar força entre as empresas, a Gol foi a primeira companhia aérea na América Latina a emitir, no final de outubro, contas Plano Universal para Viagens Aéreas (UATP, na sigla em inglês). Trata-se de um cartão destinado exclusivamente aos clientes empresariais. O produto é emitido por 14 companhias internacionais e aceito como forma de pagamento por mais de 250 companhias aéreas associadas, representando mais de 95% da oferta de assentos em todo mundo. “Com o sistema UATP, o cliente consegue controlar de forma eficiente a relação de despesas com viagens a negócios. O produto ajuda não só a atrair, mas também fidelizar os clientes”, afirmou Bernardes, que vem trabalhando na busca de potenciais usuários do cartão.
As duas companhias aéreas estão disputando palmo a palmo os clientes pessoas jurídicas. Conforme os dados mais recentes da TMC Brasil (Associação das Empresas Administradoras de Viagens de Negócios do Brasil), no primeiro semestre a TAM tinha 52% das vendas nacionais de seis agências de viagens corporativas filiadas à entidade. Apesar da liderança, a participação é inferior aos 61,4% indicados nos primeiros seis meses de 2008. O grupo GOL/Varig, por sua vez, saiu de 34,2% para 40,7% no período.
Na análise do presidente da TMC, André Carvalhal, as vendas de passagens ao segmento empresarial o segundo semestre devem subir 10% ante a primeira etapa do ano. Contudo, ainda ficarão no negativo, entre -10% e -15% no confronto com 2008, ano em que as vendas de R$ 3 bilhões foram recordes. Para Carvalhal, 2010 “com certeza” será melhor que 2009, com estimativa de vendas 10% maiores ao mercado corporativo. Mas ainda tende a ficar 5% abaixo da marca histórica de 2008.
Retomada aquece viagens corporativas
Em: 24 de novembro de 2009
A ascensão das classes C e D abre às companhias aéreas perspectivas de negócios animadoras, mas foi a volta dos viajantes a negócios que mereceu destaque nos balanços financeiros da TAM e Gol
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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