Reutilização de garrafas PET é destaque

Em: 23 de maio de 2011
Exemplo de projeto que saiu do papel e hoje está nas ruas, Farmariz é o responsável por trazer ao mercado telhas leves, tendo 95% de sua matéria-prima composta de garrafas PET
Exemplo de projeto que saiu do papel e hoje está nas ruas, Farmariz é o responsável por trazer ao mercado telhas leves, tendo 95% de sua matéria-prima composta de garrafas PET

Um dos projetos inovadores e com maior enfoque ecológico financiado pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) que utiliza garrafas PET que iriam para o lixo como matéria-prima para o desenvolvimento de telhas ecológicas chamou a atenção dos avaliadores na tarde da última quinta-feira, 19, durante o Seminário de Avaliação 2011 do Programa Amazonas de Apoio a Pesquisas em Micro e Pequenas Empresas (Pappe – Subvenção/Finep/Amazonas).
Foi inovando que o empresário da pequena empresa Telha Leve Ecológica da Amazônia Ltda., Luiz Antonio Farmariz, um dos empresários participantes do Seminário de Avaliação 2011 do Pappe, com resultado parcial, teve seu projeto avaliado no segundo dia do evento.
Exemplo de projeto que saiu do papel e hoje está nas ruas, ou melhor, na cobertura de casas espalhadas pelo Brasil, Farmariz é responsável por trazer ao mercado o resultado de uma iniciativa de uma pequena empresa existente desde 1997 que fabrica o que ele chama de telhas leves, tendo 95% de sua matéria-prima composta de garrafas PET.
Segundo Farmariz, a ideia de desenvolver telhas a partir de PET surgiu há cerca de sete anos quando o mesmo percebeu a existência de uma quantidade muito grande de garrafas sendo jogadas no lixo e o PET é um material extremamente nobre por ter características muito boas para um polímero, um plástico com características excelentes de durabilidade, resistência, impacto e mecânica.
“Como as garrafas de PET têm uma degradação bastante longa, ou seja, demoram cerca de 400 anos para se decompor, nada melhor do que aproveitá-las para outros fins. Esse foi o motivo principal para que nós resolvêssemos utilizar os PETs para fabricar nossas telhas”, explicou Farmariz.
Durante a apresentação Farmariz ressaltou que a partir do projeto ele trouxe à tona a questão social e ecológica, visto que a partir do momento em que a garrafa PET é retirada do meio ambiente está fazendo um trabalho importante para a natureza sem falar que a cobertura com telhas ecológicas tem um custo menor que uma cobertura tradicional.
Sobre a participação no Pappe o empresário explicou que a experiência deixa uma bagagem muito positiva porque além de diminuir os custos na compra de matéria-prima virgem a empresa recicla, traz inúmeros benefícios não só sociais, mas para a sustentabilidade.

Mercado de telhas ecológicas

As telhas ecológicas, hoje já disponíveis no mercado, começaram a ser produzidas em 2004. Para dar continuidade à produção da empresa, atualmente, existem em Manaus cerca de 50 postos de coleta seletiva. Sendo que a grande maioria destes 50 postos são cooperativas e outras associações de catadores, além de iniciativas de catadores autônomos.
Todo o material coletado é transportado para a empresa onde é processado numa linha de produção de reciclagem com capacidade para produzir até 500 toneladas por mês de granulado de PET reciclado, pronto para a fabricação de outros produtos.
Segundo Luiz, cerca de 95% da matéria-prima utilizada para fabricar as telhas é composta por garrafas PET e o restante são pigmentos, lubrificantes e outros aditivos incorporados para melhorar a qualidade e as características do produto final.
“Este processo produtivo e a melhoria da qualidade da telha ecológica se deve ao resultado das pesquisas realizadas com o apoio da Fapeam. Assim conseguimos encontrar esses aditivos e reagentes para poder melhorar as telhas”, explicou Farmariz.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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