Pelo menos 300 famílias ribeirinhas dos municípios da Mesorregião do Alto Solimões, na Amazônia, que antes viviam da agricultura e pesca de subsistência, hoje, com apoio do Sebrae/AM (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Amazonas) e parceiros, encaram a atividade como fonte de emprego e geração de renda local. Em três anos de trabalho, a produção de pescado atingiu cerca de 2.800 toneladas, a maioria peixe liso (surubim e outros bagres), com uma renda bruta total de aproximadamente R$ 9 milhões, no mesmo período.
As estimativas são da UACDS (Unidade de Atendimento Coletivo Comércio e Desenvolvimento Sustentável) do Sebrae Amazonas, com base em pesquisa feita pela Docha & Episteme Consultoria, no período de agosto de 2006 a julho de 2007. A UACDS é responsável pela execução do projeto Pólos de Produção de Pescado no Alto Solimões do Sebrae Amazonas, que desde de 2005 oferece treinamento, capacitação e consultoria para 308 pescadores da localidade.
A produção é feita pela pesca extrativa no rio Solimões e afluentes, e 90% da comercialização ocorre em Letícia, na Colômbia, por ser um centro comercial mais próximo que a capital do Estado (distante mil quilômetros por via fluvial) e onde o peixe ‘liso’ tem boa aceitação, segundo apontou pesquisa de mercado feita pelo Sebrae Amazonas em 2005.
A pesquisa da Docha & Episteme Consultoria mostrou que, de agosto de 2006 a julho de 2007, as famílias produziram em torno de 900 toneladas de pescado e tiveram uma renda bruta mensal de R$ 900 por família. “Essa média vale para os três anos do projeto. Essa produção e ganho estão sendo mantidos. Esperamos que em 2008 os resultados sejam ainda mais positivos, com a entrega de frigoríficos pela Secretaria de Estado da Produção Rural, nos quais será feito o beneficiamento do pescado para a comercialização por meio de cooperativas”, disse a gestora do projeto, Maria José Albuquerque.
Meta é integrar comunidades ao programa
O projeto é desenvolvido em dois pólos de trabalho englobando sete cidades do Alto Solimões. São elas: Tabatinga, Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Amaturá e Tonantins. O objetivo é promover a cultura da cooperação nas comunidades locais para facilitar a inserção delas no mercado de pesca e conta com a parceria do Ministério da Integração Nacional e governo do Estado do Amazonas.
A diretora-técnica do Sebrae/AM, Maria José Alves da Silva, disse que o projeto Produção de Pescado no Alto Solimões está dentro da visão estratégica da instituição de levar crescimento econômico e qualidade de vida para as áreas mais distantes e carentes de infra-estrutura urbana, como é a região do Alto Solimões. “O Sebrae/AM trabalha em prol do desenvolvimento integral do Estado, e isso naturalmente inclui todos os municípios, estejam eles perto ou distantes dos centros urbanos” declarou.
Combate ao contrabando
O secretário de Estado da Produção Rural, Eron Bezerra, disse que o projeto incrementa o trabalho da secretaria no adensamento da cadeia produtiva do pescado, evitando o contrabando da pesca na região e agregando valor ao pescado extraído dos rios pelas comunidades. O secretário informou que entre as ações previstas da secretaria para o próximo ano no Alto Solimões estão a construção de dois frigoríficos, uma fábrica de beneficiamento de pescado, 12 flutuantes e dois barcos coletores. “Nós entramos com a infra-estrutura necessária e o Sebrae com o treinamento e capacitação dos pescadores para que os recursos disponíveis sejam aproveitados da melhor maneira possível”, disse Eron Bezerra.
A gestora do projeto, Maria José Albuquerque, informou que o Sebrae está encerrando sua participação na iniciativa por ter cumprido o tempo e as ações previstas. “No entanto, houve manifestação quanto à continuidade do Sebrae no projeto e poderemos atender as demandas dos pescadores, caso haja solicitação por parte da cooperativa. A Sepror, responsável pela in







