Rio de livros, banzeiro de escritores

Em: 9 de fevereiro de 2026

Acontece hoje, dia 7, a partir das 10h, mais um evento do projeto Canoa da Cultura, novamente realizado no Palacete Provincial, localizado na praça Heliodoro Balbi (a popular praça da Polícia) e contando com a presença de 15 escritores e escritoras numa manhã de autógrafos. Dois livros estarão sendo lançados: ‘O sorriso da Júlia – encontrando forças em quatro rodas’, de Júlia Gabriela; e ‘A voz que ecoa’, de João Luiz Silveira da Costa. Atendendo a pedidos, o ex-dançarino da Banda Carrapicho, Hira Mesquita, estará de volta à Canoa, autografando seu livro ‘Na batida do Amazonas’.

Júlia, “fui escrevendo, escrevendo, e quando vi, já tinha vários textos”

 

 

Histórias de superação

“O sorriso da Júlia – encontrando forças em quatro rodas’, em formato e-book, é a estreia de Júlia Gabriela na literatura, com apenas 19 anos. Júlia é mais um daqueles casos em que a pessoa se descobre escritora por acaso.

“A poeta Franciná Lira é pedagoga na escola onde estudei. Eu lia seus livros e ficava fascinada com seu texto, então me inspirei nela. Queria ser escritora, como ela, e foi a própria Franciná quem me incentivou a escrever minhas histórias”, contou.

“Então fui escrevendo, escrevendo, e quando vi, já tinha vários textos contando sobre minhas superações. Mostrei para uma amiga, querendo sua avaliação, e ela disse ter ficado emocionada ao ler os textos”, disse.

Nesse momento, a escritora, adormecida em Júlia, despertou, com apoio de seus pais, Adair e Francisca; do irmão Valdiney; e do sobrinho Carlos César.

“Eu queria que outras pessoas lessem os meus escritos. Resolvi publicar um livro. Como os custos são um pouco altos, fiz um e-book, mas assim que der lançarei o livro físico”, avisou.

Imortal como escritor  

De seringueiro a escritor. Assim foi a trajetória de João Luiz Silveira da Costa. Menino do interior do Amazonas, nascido na cidade de Envira, colhia látex das seringueiras espalhadas pela floresta, ajudando o pai no sustento da família. Livros, nem pensar.

“Tive acesso tarde à literatura. Os livros eram sonhos impossíveis, pois meu pai não tinha dinheiro para comprá-los. Em 1992, saí de Envira para o seminário religioso em Cruzeiro do Sul/AC, onde descobri os clássicos e a poesia. Lendo poesias, resolvi que queria escrever poesias, me imortalizar como escritor”, lembrou.

Mesmo em Cruzeiro do Sul, João Luiz sonhava em escrever e publicar um livro, o que só se concretizou agora, com a publicação de ‘A voz que ecoa’.

“Não foi fácil, mas para quem extraiu látex de seringueiras no meio da floresta, não existem obstáculos, tanto que já estou escrevendo o segundo livro”, falou.

Em ‘A voz que ecoa’, João Luiz reflete sobre o amor, a existência, o tempo, a natureza e sua preservação, os valores e as coisas divinas.

“No livro, espero que o leitor encontre o espelho da sua própria jornada expressa em versos que ora acalmam, ora questionam”, informou. 

João Luiz, “para quem extraiu látex no meio da floresta, não existem obstáculos”

Romance e casamento

Em quase 30 anos como escritor, Raimundo Colares Ribeiro já tem uma lista de 20 livros publicados, o primeiro, ‘Viagens à Corte do Solimões’, continua até hoje sendo citado em trabalhos escolares e mesmo em monografias e dissertações. Nascido em Tefé, muitos dos escritos de Raimundo Colares são recordações de sua cidade, como este, agora, ‘A música do seu coração’.

“Uma homenagem a Tefé e a todos os músicos, cantores, cantoras, grupos musicais e compositores, nacionais e internacionais, que embalaram a nossa linda e inesquecível juventude, durante os anos de 1970 e início de 1980. Muitos deles, é bem verdade, não foram citados, mas, certamente, permanecem vivos em nossos corações”, revelou.   

O livro, indicado para aquelas pessoas que adoram músicas dos anos de 1970 e 1980, retrata os bastidores de um programa musical de final de ano, realizado pela Rádio e Voz Comercial Agá-Erre, em 31 de dezembro de 1983, em Tefé. Durante a programação, tocaram grandes sucessos nacionais e internacionais.

“Com o livro, comemoro os 40 anos do meu casamento com Kátia, um romance que nasceu embalado por essas músicas”, concluiu.

 

Para o público infantil

Dilson Gomes Nascimento é professor de crianças e adolescentes. Daí veio a inspiração para escrever ‘A descoberta do incrível mundo da escola’, onde ele conta histórias de sua infância no interior de Parintins e sua ida para a escola, pela primeira vez, fato que o deslumbrou. O professor já tem outros dois títulos publicados, ‘Abordagens multidisciplinares em pesquisas na educação básica do Estado do Amazonas’, divididos em volume I e II, mas agora resolveu investir em livros infantis.

“Escrevo contos, e acredito que os livros infantis têm um alcance maior, talvez até mais do que os livros para jovens. Concluo isso pela experiência com meus alunos. Acho que é mais fácil atingir este público”, afirmou.

Tão empolgado Dilson ficou pela publicação de livros, que a continuação de ‘A descoberta do incrível mundo da escola’, com novos personagens, já está pronta.

“Quem gostou do primeiro livro deve ter forte relação com o interior do Amazonas. A história, agora, se passa na cidade”, adiantou.

Detalhe: o livro de Dilson vêm com versão dos personagens em preto e branco, para colorir.

Colares, “um romance que nasceu embalado por essas músicas”

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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