A cúpula sobre segurança alimentar em Roma foi frustrante para quem, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vê nos biocombustíveis o elemento-chave para uma “revolução” não só na matriz energética mundial mas também no desenvolvimento dos países mais pobres (África, Caribe e América Central).
O encontro não produziu nada que ajudasse a empurrar o projeto do governo brasileiro, assim como também não o condenou.
Com os Estados Unidos, a maior potência do planeta, e o Brasil, um dos grandes emergentes, produzindo 80% do etanol mundial, não passa pela cabeça de ninguém sério que o biocombustível possa ser condenado num foro global.
A declaração de Roma não impedirá o Brasil de produzir etanol, mas embaça o projeto de transformá-lo em “instrumento importante para gerar renda e retirar países da insegurança alimentar e energética”, como disse Lula no seu apaixonado discurso em Roma.
A declaração final da cúpula que a ONU (Organi-zação das Nações Unidas) para a Alimentação e a Agricultura propôs, em Roma foi aprovada, com os compromissos de eliminar a fome do mundo e de não utilizar os alimentos como um instrumento político e econômico.
Situação
dramática
O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, avaliou que os resultados obtidos após a cúpula sobre segurança alimentar estiveram “à altura das expectativas”.
Diouf se mostrou muito satisfeito por ter havido um consenso que permitiu a aprovação de uma declaração, apesar de o texto ter recebido críticas de países como Argentina, Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, que condenaram a falta de medidas reais para a erradicação da fome no mundo.
Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO, braço da ONU para Alimentação e Agricultura, havia dito, ao inaugurar na terça-feira a Cúpula sobre Segurança Alimentar, que havia passado o tempo das palavras e era hora da ação. Após três dias de debates e discursos, foram anunciadas verbas de US$ 3 bilhões contra a fome -um décimo do que a FAO considera necessário. No documento, tido como decepcionante, o que ficou foi um pedido de “ação coordenada e urgente” contra a alta dos alimentos e a cobrança de mais investimentos na agricultura.
O texto não toma partido para os biocombustíveis, a principal bandeira internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pede somente a realização de “estudos em profundidade” e um “diálogo internacional”.
A declaração final da cúpula foi aprovada, sob objeções e críticas de vários países, com os compromissos de eliminar a fome do mundo e de não utilizar os alimentos como um instrumento político e econômico.







