Implantado há pouco tempo, o novo programa de segurança pública do governo do Estado passou no teste e vai se expandir em Manaus até julho com o aumento do contingente policial em mais 2.500 homens. Nesta entrevista ao Jornal do Commercio, o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Paulo Roberto Vital de Menezes, classifica de positivo o balanço da segurança na capital no período carnavalesco e destaca o sucesso das ações policiais interagindo com as comunidades da zona norte
Por Juscelino Taketomi
Jornal do Commercio – Secretário, o deputado estadual Marcelo Ramos disse, na Assembleia Legislativa, que o Programa Ronda nos Bairros deslocou indevidamente policiais de Iranduba e Manacapuru para socorrer a zona norte em Manaus. Como o senhor explica esse deslocamento?
Cel. Paulo Roberto Vital – Não, não é nada disso. Temos respeito pelo deputado, mas devemos dizer que os deslocamentos são feitos de acordo com a necessidade do serviço. Ora, se eu tenho um corpo grande e um cobertor pequeno, eu tenho que ter prioridades, e ao fazer isso não significa que eu não vá olhar o todo. Deslocamos conforme as necessidades do serviço.
JC – Faça um balanço do Ronda nos Bairros e das demais ocorrências depois do Carnaval na cidade de Manaus.
Cel. Vital – Foi um Carnaval tranquilo em relação ao mesmo período do ano passado. Graças a Deus, fizemos um apelo à população de Manaus para que brincasse o Carnaval em paz e dentro da ordem. Houve alguns excessos de bebida, algumas apreensões de veículos, acidentes de trânsito envolvendo três pessoas das quais duas foram a óbito, infelizmente, além de dois menores atingidos por bala perdida, um foi a óbito e o outro talvez fique paraplégico. O culpado por este caso de bala perdida está detido na Delegacia Especializada de Homicídios lá do bairro Jorge Teixeira. Tirando esses fatos que nós lamentamos, foi um Carnaval tranquilo, o desfile das escolas do Grupo Especial ocorreu em clima de ordem, assim como o desfile das grandes bandas, o Galo da Madrugada, o Bloco das Piranhas etc., a cidade como um todo brincou o Carnaval em paz. Tivemos 46 flagrantes, 16 casos de porte ilegal de armas, 16 apreensões de armas de fogo, além do que continuamos o nosso combate ao tráfico de entorpecentes de forma implacável, tivemos 26 apreensões por tráfico de entorpecentes, apreendemos sete quilos de pasta base de cocaína e maconha. Doze veículos foram resgatados, veículos roubados que a polícia conseguiu resgatar. Os proprietários dos veículos devem procurar a Delegacia Especializada de Furtos para retomarem seus veículos mediante comprovação da propriedade. De sexta-feira (17) até quarta-feira (22) tivemos 14 homicídios, o que representa um número indicador de que os problemas de segurança estão sob controle em uma cidade de pouco mais de 2 milhões de habitantes.
JC – Na zona norte, mais propriamente no Conjunto Residencial Manoa, na Escola de Ensino Fundamental Maria do Céu, estão vendendo drogas e aliciando crianças para o tráfico. O senhor está informado desse fato?
Cel. Vital – Com certeza, vou mandar verificar, vou investigar de forma enérgica. Sei que a escola fica nas proximidades da Caixa D`Água do Manoa e vou verificar isso, pois trata-se de algo inconcebível, grave, por envolver crianças. Vamos investigar, sim.
JC – O Ronda nos Bairros é um programa idêntico a programas adotados em dois Estados administrados por governantes ditos socialistas no país. Explique melhor a experiência de Manaus.
Cel. Vital – O Ronda nos Bairros é um programa que mobiliza 1.500 policiais, sendo 1.250 PMs e aproximadamente 300 policiais civis. O programa é um marco na segurança pública do Estado do Amazonas no que diz respeito a uma nova concepção de policiamento, porque passa pela conceituação de polícia comunitária. O nosso programa rompe, culturalmente falando, com aquela velha tradição de se fazer polícia, de só correr atrás do prejuízo. O Ronda nos Bairros interage com a população nos bairros da zona norte, dividida em 41 setores, os policiais conversam e interagem com as comunidades, isso é fantástico e torna a atividade policial mais eficiente. Esse é o diferencial do Programa Ronda nos Bairros, ele pratica a polícia de proximidade com as comunidades.
JC – Como ocorre, na prática, essa ação policial?
Cel. Vital – Na verdade, cada ação consiste em uma viatura com duas motocicletas e dezoitos PMs se movimentando intensamente no bairro. Cada dona de casa tem o número do telefone do Ronda nos Bairros em sua residência, de modo que ela pode acionar a polícia a qualquer hora, em qualquer circunstância, ela tem comunicação direta com a guarnição da viatura que atua em seu bairro, e o número do telefone está afixado na viatura. Ao mesmo tempo, nós também estamos atentos e controlando possíveis desvios de conduta dos policiais. Nesse sentido, podemos comentar que a partir do momento em que o policial se torna figura conhecida no bairro, ele passa a ter vergonha de pressionar um comerciante de modo desonesto, o policial passa a interagir com a população, ele se relaciona com os comunitários e passa a se identificar com eles, é o espírito comunitário prevalecendo, é uma nova concepção de polícia.
JC – O Ronda nos Bairros começou na zona norte e vai se expandir para outras zonas da cidade, conforme prometeu o governador Omar Aziz. Como o governo trabalha a questão dos contingentes policiais? Há policiais suficientes para a expansão do programa?
Cel. Vital – Em breve, teremos mais 2.500 policiais PMs à nossa disposição para expandirmos o programa. Em abril, teremos 600 e até julho o restante, todos os novos policiais oriundos de concurso público realizado pelo governador Omar Aziz. E aí teremos a expansão do programa conforme determinações do governador.
JC – E os salários dos policiais? Vai sair mesmo o aumento para os policiais do Ronda nos Bairros?
Cel. Vital – O aumento salarial vai sair, sim, até para incentivar os policiais tendo em vista o futuro do programa em que o governo investe aproximadamente 300 milhões de reais. Inclusive, nós estamos aumentando o efetivo da Polícia Militar para suprir essas demandas todas, uma vez que o programa terá mais seis zonas a cobrir, além da zona norte. Tudo isso implica também em mais recursos materiais e tecnológicos, porque hoje nossa polícia tem tecnologia de Primeiro Mundo, mas o fator motivacional maior é a capacitação dos recursos humanos e que passa, obviamente, pela questão salarial. Por isso, o governador dará um aumento de 12 por cento aos nossos policiais, retroativo a 1º de janeiro, vai ser parcelado para a Polícia Militar até 2015, trata-se de aumento real pois a data base fixada permanece. Então, este aumento que o governo dá agora será corrigido na data base. Com isso, o governador Omar Aziz consegue atender aos anseios da categoria e evitar o que está acontecendo na Bahia.
JC – Como analisar a greve dos policiais do Estado da Bahia ?
Cel. Vital – Essa greve é o caos na segurança pública da Bahia. A cidade de Salvador, por conta disso, registra mais de cem mortes por dia e o Estado já acumula um prejuízo da ordem de 3 bilhões de reais. Esta época Salvador é uma cidade cultural como é a nossa Parintins com seu belo Festival Folclórico. Imaginemos as perdas com relação aos pacotes turísticos, imaginemos quanto a Bahia perdeu com a greve dos policias, as perdas no turismo, os prejuízos da rede hoteleira. Estamos trabalhando para que esse cenário jamais aconteça no Amazonas, jamais chegue em Manaus.







