Rotatividade do emprego na indústria cai 54,36% e retorna ao nível pré-crise

Em: 17 de fevereiro de 2010
No cálculo da Setrab, a taxa média de desemprego motivada pelo aquecimento da economia industrial vai cair de 7,65% (2009) para 5% (2010) em relação ao ano passado
No cálculo da Setrab, a taxa média de desemprego motivada pelo aquecimento da economia industrial vai cair de 7,65% (2009) para 5% (2010) em relação ao ano passado

Com pouco mais de 794 demitidos, a rotatividade na indústria local caiu 54,36% em janeiro, voltando aos patamares pré-crise, segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. Em igual período do ano passado, de acordo com a instituição, o furor da instabilidade econômica sobre esse setor fez 1.740 operários ficarem de fora do mercado de trabalho local.

Para o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, João Brandão, a falta de qualificação de mão de obra continua sendo o maior problema das indústrias em Manaus neste início de 2010, repetindo o que ocorreu ao longo do último triênio. “Embora continue alta, essa rotatividade da indústria amazonense perdeu força neste ano, principalmente com relação aos operários com salário acima do piso. Mas a razão disso é justamente a falta de operários especializados”, revelou.

Nas estimativas da titular da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho), Iranildes Caldas, a taxa média de desemprego em Manaus motivada pelo reaquecimento da economia industrial vai atingir seguramente 5% no acumulado do ano contra 7,65% de 2009. Segundo a executiva, entretanto, a alta carga tributária e a falta de trabalhadores qualificados serão os principais gargalos que a indústria vai enfrentar para manter os níveis de contratação ao longo do ano. “Desde o início de janeiro, detectamos que a procura por vagas está na proporção de três para um. O problema é que a busca pela qualidade do produto e as certificações fazem a indústria exigir com razão mais dos candidatos, que infelizmente não estão preparados o suficiente”, afirmou.

Iranildes Caldas disse ainda que a falta de mão de obra especializada, como carpinteiros, serralheiros e mestres de obra, faz o Amazonas importar profissionais de outras regiões. Questionada sobre a legalidade dessa ação, a secretária de Estado asseverou que é uma prática ruim para a geração de emprego e renda entre a população, mas válida para manter os níveis de produção. “A importação da mão de obra é um mal necessário para a economia, mas precisamos mudar esse quadro atual, forçando o trabalhador a se requalificar. O apoio dos setores produtivos, nesse caso, é imprescindível”, considerou.

Gargalos passam por falta de qualificação e carga tributária

Na opinião do diretor-geral do portal de empregos “Trabalhando.com.br” e especialista em mercado de trabalho, Renato Grinberg, a falta de mão de obra qualificada no mercado é algo negativo para o desempenho positivo da economia, uma vez que esse é justamente um período em que as empresas procuram se restabelecer e investir em crescimento, após a crise financeira dos últimos meses. “Para solucionar este problema, algumas companhias buscam capacitar os funcionários com cursos, palestras ou workshops, mas não cabe somente a elas fazer isso. O profissional que busca êxito profissional deve investir em seus conhecimentos para ter um diferencial na hora da disputa pela vaga contra os concorrentes”, avaliou.

Dados divulgados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontam que a carga tributária (60,7%) e a falta de trabalhadores qualificados (53%) são os principais gargalos da indústria para este ano. Entre as grandes empresas especificamente, segundo a instituição, a carga tributária correspondeu a 64,5% das reclamações. Na contas do vice-presidente da CNI Amazonas, José Nasser, a expectativa do nível de empregabilidade para o primeiro semestre de 2010 é de 70,6 % em crescimento de cinco pontos em relação a igual período do ano passado. “A sondagem da CNI também mostrou que a expectativa para este ano é de elevação de investimentos, de atividade e de compra de matérias-primas, uma vez que retornou o crédito corporativo”, salientou.

Mesmo assim, as projeções do mercado de trabalho são otimistas, de acordo com o último levantamento da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), que comparou a opinião dos consumidores em relação à empregabilidade com o mesmo o ano passado, detectando que para a maioria dos entrevistados (49,8%) a situação estará entre pouco ou muito mais fácil de conseguir novo emprego, enquanto 39% consideraram que em 2010 conseguir um emprego fixo será muito mais difícil. Apenas 16,2% do universo de 4.000 entrevistados pela Fecomercio garantiram que as chances de se recolocar no mercado de trabalho permanecem inalteradas em relação a este ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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