A Black Friday de 2026 deve movimentar R$ 14,47 bilhões e alcançar 18,3 milhões de pedidos, segundo projeção da Stefanini Marketing. O levantamento também aponta uma mudança no perfil das compras: roupas aparecem à frente dos eletrônicos na intenção de consumo, enquanto o tíquete médio deve cair pela primeira vez na série histórica.
A projeção é de um tíquete médio de R$ 790,71, ante R$ 808 no ano passado. Ao mesmo tempo, faturamento, número de consumidores e volume de pedidos devem atingir níveis recordes na semana da Black Friday.
O estudo ouviu mil pessoas e foi conduzido por Gauge, Ecglobal e W3haus, empresas da Stefanini Marketing.
Roupas superam eletrônicos na intenção de compra
Roupas lideram as intenções para a Black Friday deste ano, citadas por 55% dos entrevistados. Na sequência aparecem eletrônicos pessoais, com 46%, beleza e perfumaria, com 40%, eletrodomésticos, com 39%, e calçados, com 37%.
O movimento já havia aparecido nas vendas de 2025, quando moda e calçados superaram smartphones em volume pela primeira vez na série histórica do estudo.
Supermercado também ganhou espaço e aparece em 26% das intenções de compra. Segundo a pesquisa, a data passa a ser usada não apenas para itens de maior valor, mas também para antecipar gastos que já fariam parte do orçamento das famílias.
O planejamento começa antes de novembro. Entre os entrevistados, 56% afirmam iniciar as pesquisas com mais de 30 dias de antecedência, proporção duas vezes maior que a registrada em 2021.
A confiança na própria capacidade de avaliar promoções também aumentou. O levantamento mostra que 78% se sentem seguros para comprar na Black Friday, enquanto 62% dizem conseguir identificar com facilidade quais ofertas realmente valem a pena.
As datas duplas passaram a fazer parte desse processo. Eventos como 9.9, 10.10 e 11.11 são conhecidos por 94% dos participantes, e 45,6% afirmam utilizá-los como referência para comparar preços.
IA ganha espaço na comparação de ofertas
A inteligência artificial também deve ocupar um papel maior na jornada de compra. Segundo o estudo, 86% dos consumidores pretendem utilizar a tecnologia durante a Black Friday de 2026, alta de 11 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O uso, porém, está mais associado à validação da compra do que à escolha do produto. Entre os entrevistados que recorrem à tecnologia, 66% chegam à ferramenta já sabendo qual produto, marca e modelo pretendem adquirir.
Comparar preços é a principal finalidade, citada por 49%, seguida por verificar se uma promoção é real, com 47%, e conferir a confiabilidade da loja, com 42%. Pedir recomendações sobre o que comprar aparece em 33% das respostas.
Fora da Black Friday, 40% já utilizam ferramentas como ChatGPT ou Gemini para pesquisar produtos.
Reputação ganha peso na decisão
A maior presença da IA também aumenta a relevância de informações como preço, histórico de ofertas, avaliações e reclamações disponíveis na internet.
Segundo a Stefanini Marketing, esse cenário exige que marcas e varejistas mantenham informações consistentes sobre produtos e condições de compra em diferentes canais, já que esses dados podem ser utilizados pelas ferramentas para responder às consultas dos consumidores.
A pesquisa também aponta maior cautela na experimentação. A intenção de voltar a comprar de marcas abandonadas aumentou 13 pontos percentuais, enquanto a curiosidade por marcas desconhecidas recuou oito pontos.







