Safra de café estabilizada no Amazonas

Em: 30 de dezembro de 2021

A safra de café do Amazonas totalizou 75,2 mil sacas beneficiadas, em 2021. A produção local, das variedades arábica e conilon, cobriu uma área total de 4.145 hectares, gerando produtividade de 18,1 sacas por hectare. É o que apontam os dados do quarto e último levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) deste ano. O Estado repetiu a performance de 2020, um resultado comparativamente melhor do que o registrado pela média nacional, que encolheu na mesma comparação. Das dez unidades federativas listadas pela estatal, apenas duas tiveram alta – Mato Grosso e Espírito Santo.

A título de comparação, o volume total de café produzido em solo nacional, ao longo de 2021, está estimado em 47,72 milhões de sacas, o que equivale a uma diminuição de 24,4% em relação ao resultado apresentado na safra anterior. A Conab aponta que os principais motivos para o encolhimento da safra foram climáticos, com a ocorrência de seca em muitas localidades nos meses de abril e maio, seguida de geadas em junho e julho. Vale notar ainda que a base de comparação é forte, já que a safra anterior (63,08 milhões de sacas) foi recorde.

O levantamento aponta que o café conilon somou 44,6 mil sacas beneficiadas no Amazonas, em uma área total de 2.145 hectares, registrando produtividade de 20,8 sacas por hectare. Em todo o país, os agricultores de café conilon irão colher a maior safra da série histórica neste ano, com uma produção próxima a 16,29 milhões de sacas de 60 quilos. O resultado representa um incremento de 13,8% em relação ao obtido em 2020, e supera em 1,14 milhão de sacas a produção registrada na safra de 2019 – o melhor desempenho até então registrado.

A produção amazonense de café arábica foi de 30,6 mil sacas beneficiadas, cobrindo uma área de 2.000 hectares, em meio a uma produtividade de 15,3 sacas por hectares. No sentido contrário, as lavouras de café arábica apresentaram um desempenho inferior ao registrado na safra passada, na média nacional. Segundo a Conab, a produção brasileira total desta variedade chegou a 31,42 milhões de sacas neste ano, equivalendo a uma redução de 35,5%, quando comparada com o ano passado.

A mais recente sondagem da Conab para a safra de café informa ainda que o parque cafeeiro total do Amazonas soma 5,30 milhões de covas, sendo 1,02 milhão de covas em formação e 4,28 milhões de covas em produção. De acordo com o levantamento, praticamente toda a oferta vem do café arábica. A colheita se deu entre abril e julho deste ano, com média de 18,8 mil sacas por mês.

“Cotação valorizada”

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que a cultura do café tem despertado interesse de produtores rurais de “vários municípios”, principalmente com a perspectiva de “boa rentabilidade” e cotação valorizada do café. O dirigente acrescenta que, nos últimos anos tem havido eventos técnicos sobre a cultura do café, como dias de campo promovidos pela Embrapa e instituições técnicas, seminários e até missão técnica ao Estado de Rondônia.

“Atualmente, Silves, Apuí e Itacoatiara são os principais produtores. A cultura do café apresenta potencial de crescimento no Estado, principalmente pela segurança tecnológica para a atividade, a partir das pesquisas e experimentos já realizados pela Embrapa. Além disso, a maior indústria de café do Brasil tem uma planta de produção sediada em Manaus, voltada para fornecimento para os mercados do Amazonas e de Roraima. A empresa está comprando café de outros Estados, mas já demonstrou interesse em adquirir produção local”, analisou.

“Produtores experientes”

Mais enfático, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, assinalou que, embora não seja produtor rural, “pensa seriamente em entrar no ramo” e que o café é uma cultura que “certamente” está com prioridade em seus planos. O especialista salienta que o motivo “é simples”, já que o Amazonas já dispõe de “produtores experientes” e tecnologia da Embrapa para auxiliar na atividade.

Thomaz Meirelles lembra também que o Amazonas já conta com uma empresa de grande porte do segmento de beneficiamento de café, que pode garantir a compra da safra local. E, além dos fatores de mercado, há ainda uma política governamental que favorece a ampliação da cultura em solo nacional. O ex-superintendente da Conab observa ainda que o café é um produto que tem preço mínimo do governo federal, fator que favorece maior “tranquilidade” para o cultivo. 

“É visível o crescimento de produtores interessados na cultura, e a Conab vem identificando esse crescimento em seus levantamentos. Por falar em Conab, acertaram recentemente em divulgar os dados do Amazonas separado de outras unidades federativas. Isso é positivo, pois mostra que é possível ter um café produzido no Estado mais preservado do planeta. Ou seja, mantém a floresta em pé e coloca dinheiro no bolso do produtor rural, reduzindo a importação e movimentando a economia do interior”, finalizou.

Boxe ou coordenada: Alta nas exportações e escassez no mercado interno

Matéria postada no site ConabCast informa que o Brasil exportou 38,4 milhões de sacas de café (de 60 quilos, cada), no acumulado de janeiro a novembro deste ano. O volume é 2,2% menor do que o registrado no mesmo período de 2020, embora tenha ficado 15,3% acima da média dos cinco anos anteriores. Em valores, as vendas externas acumularam US$ 5,6 bilhões, alta de 13% na comparação com igual período de 2020. Apesar do recuo dos volumes exportados no período, a alta dos preços da commoditie no mercado internacional teria favorecido o aumento dos valores das vendas externas, bem como o “enfraquecimento do real”.

O mercado interno, contudo, sinaliza alta de preços. Em matéria do site BM&C News, o diretor do Instituto de Economia Agrícola Celso Vegro, diz que a safra brasileira de 2021 é insuficiente para atender à demanda interna do segundo maior mercado consumidor de café. “Consumimos mais ou menos entre 22 e 23 milhões de sacas e estávamos habituados a exportar entre 38 e 42 milhões de sacas, dependendo do ciclo de alta ou de baixa, somando esses dois números, nós precisaríamos ter uma safra acima de 65 para atender todas as necessidades internas e internacionais”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar