Safra de cana-de-açúcar do Amazonas terá maiores altas de produção e produtividade do país

Em: 13 de setembro de 2023

A Conab confirmou que a safra de cana-de-açúcar 2023/2024 do Amazonas deve registrar os maiores índices de crescimento do país. Em seu segundo levantamento do ano, a Companhia Nacional de Abastecimento reafirmou a estimativa de 276 mil toneladas para o Estado, o equivalente a uma escalada de 26,6% ante a safra de 2021/2022 (218 mil). Caso a marca seja atingida, configurará uma recuperação do tombo do ano passado. A progressão no índice de produtividade deve chegar a 26,2% (71.484 quilogramas por hectare), já que a área de plantio (3.900 hectares) sinaliza subir apenas 0,3% 

Na média nacional, a indicação é de uma alta de 6,9%, com mais de 652,95 milhões de toneladas colhidas, para uma área total de 8,29 milhões de hectares (+0,1%) e produtividade de 78.779 quilogramas por hectare (+7%). A região Norte também aparece com incrementos de produção (+5,4% e 4,03 milhões de toneladas), área (+2,4% e 48.400 ha) e produtividade (+2,9% 83.211 kg/ha). A unidade federativa com a maior alta na área de plantio é a Bahia (+15,4%).

Caso o prognóstico da estatal se confirme, a cana-de-açúcar do Amazonas terá recuperado a maior parte das perdas anteriores, e o Estado terá galgado da última para a primeira posição do ranking. A cultura vem de uma queda de 28,8% na safra de 2022/2023, após o ciclo virtuoso dos anos anteriores. O recuo ocorreu em paralelo com o impacto local das mudanças climáticas e da crise do IPI e o impasse no polo de concentrados para refrigerantes do PIM –o principal cliente dos produtores do Amazonas. A questão tributária foi pacificada no ano passado, mas o clima ainda preocupa.

“Para esta safra, a perspectiva continua sendo de uma produtividade média que representa um crescimento quando considerado a safra anterior. Registra-se que as lavouras sofreram influências negativas do excesso de chuvas ocasionadas pelo efeito do La Niña, já comentados no fechamento da safra anterior. Atualmente, a destinação do bagaço da moagem da cana-de-açúcar é exclusivamente para a geração de energia”, assinalou a Conab, no texto da pesquisa.

ATR e etanol

O desempenho estadual em valores de ATR (açúcar total recuperável), que é a soma total dos açúcares contidos na cana efetivamente aproveitados para a indústria sucroalcooleira, também aparece com crescimento significativo. A Conab espera que o ATR total dispare 24,9%, na comparação da safra 2023/2024 (29.140 toneladas) com a de 2022/2023 (23.234 toneladas). Ainda assim, o número ficaria aquém do alcançado na safra de 2021/2022 (32.377 toneladas). Já a taxa de projeção para o ATR médio diminui para 1,3%, ao passar de 107 para 105,6 quilogramas por tonelada.

O percentual de aproveitamento da cana cultivada no Amazonas deve ser maior para a produção do açúcar. Segundo o levantamento, o Estado deve somar 14.900 toneladas para este fim, 23,3% a mais do que na safra de 2022/2023 (12.100 toneladas). O prognóstico também é positivo para o álcool hidratado, que deve chegar aos 6,495 milhões de litros, ficando 16,3% acima do patamar anterior (5,586 milhões de litros). A produção amazonense de etanol ainda é exclusivamente de álcool hidratado, não havendo dados sobre álcool anidro.  

A Conab reafirma que a maior parte da colheita de cana-de-açúcar na região Norte ocorre entre agosto e março. Acrescenta também que, tanto pelo relevo acidentado, quanto pela disponibilidade de mão de obra, o percentual de colheita manual (74%) supera o mecanizado (26%), nos Estados nortistas. O Amazonas, entretanto, aparece como um ponto fora da curva, já que conta com 100% de sua colheita mecanizada desde a safra de 2015/2016. 

“Projetos novos”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, reforçou que, além dos impactos climáticos, a cana-de-açúcar também sofre a pressão da escalada dos custos, em decorrência da guerra na Ucrânia. Mas, ressalvou que a cultura ainda conta com um mercado consumidor crescente. Por isso, o dirigente estima que o ano pode ser não apenas de recuperação, mas também de crescimento efetivo no Estado.

“Consideramos muito positivos esses números, mostrando o crescimento da produção no Amazonas. Essa estimativa se compatibiliza com as informações que temos recebido dos agentes privados, que estão ampliando a confiança e investimentos. Acreditamos que a expansão possa ser ainda maior, porque temos projetos novos, principalmente em áreas de cultivo, mas também de agroindústrias. Como exemplo, temos a ampliação da área privada de produção no Careiro Castanho”, comemorou.

Na mesma linha, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, também comemorou os números, em sua entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio. Mas, destaca que o levantamento periódico da estatal para a cana-de-açúcar ainda se restringe a basicamente à produção de Presidente Figueiredo e lamentou que outras aplicações para a commodity, embora residuais, não sejam investigadas e divulgadas também. 

“Essa recuperação de produção, esse aumento, mostra que, com tecnologia, podemos conciliar produção e conservação ambiental no Estado mais preservado do mundo. Essa produção mostra que o Amazonas do agro empresarial e do agro familiar é perfeitamente possível. Quanto à Conab, penso que deveria levantar também a produção de cana que não tem o destino indústria”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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