A safra de milho do Amazonas, deste ano, registrou queda de 9,6% em relação à safra passada. Em 2013, o Estado produziu 31 mil toneladas e, neste ano, 28 mil toneladas. A informação é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Segundo o presidente da FAEA (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a queda na produção é reflexo da falta de políticas públicas que priorizem o plantio do grão, com ênfase ao cultivo do milho.
De acordo com Lourenço, a produção local do milho é mínima e não representa 0,1% do que é produzido nacionalmente. Quanto aos grãos, como o feijão e o arroz, também cultivados no Estado, representam apenas 0,3% do total da produção brasileira. A região Norte contabiliza 2,7% dos grão nacionais. Para atender ao Amazonas é necessário haver uma produção de 5 mil toneladas de milho mensais. “A queda é resultado da falta de políticas articuladas que priorizem a produção de grãos. Isso ainda é somado às restrições ambientais impostas à produção no Amazonas. Hoje, temos tecnologias disponíveis que possibilitam o aumento significativo da produção de grãos, em especial o milho, sem prejudicar o meio ambiente”, explicou.
Porém, Lourenço destaca que apesar da tecnologia voltada ao setor agrícola estar disponível e pronta para a implementação nos municípios os trabalhos ficam impossibilitados por conta da falta de pessoal no quadro de servidores do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas). As pesquisas quanto às metodologias e recursos que devem ser utilizados nas áreas são feitas pela Embrapa. “A Embrapa desenvolve as pesquisas mas é necessário haver uma ponte que leve as informações ao produtor rural. É o Idam quem realiza o trabalho de assistência técnica e difunde as informações para os locais mais distantes e isso precisa ser fortalecido. Hoje, o instituto precisa de um reforço de pessoal”, destaca.
O presidente da FAEA afirma que hoje é possível cultivar grãos em áreas de várzea e de terra firme, com base nos estudos elaborados pela Embrapa. Lourenço ressalta que o aumento na produção de milho no Estado diminuiria o índice de importação do grão, que vem da região Centro-Oeste. “É um grão fundamental no manejo da avicultura de postura (criação destinada à produção de ovos), além da criação de animais bovinos, suínos e da psicultura. Se conseguirmos consolidar o cultivo local consequentemente teremos a diminuição nos índices de importação”, disse. “Hoje, o único produto que consegue atender à demanda do Estado é o ovo de galinha, mais um motivo para reforçarmos essa cadeia produtiva do milho”, complementou.
Segundo o analista de operações da Conab, Thomaz Meirelles, a produção de milho no Amazonas pode ser considerada como insignificante porque não atende nem 10% da demanda local. Ele alerta aos órgãos responsáveis e afirma que a situação não pode continuar assim porque o Estado tem áreas propícias ao plantio e acesso a recursos tecnológicos, um conjunto que pode impulsionar a cadeia produtiva. “Somos totalmente dependentes de outros Estados, principalmente do Mato Grosso. Isso não pode continuar assim. Não faz sentido termos essa produção tão mínima. O Estado precisa tomar uma decisão de querer produzir o milho”.
Para Meirelles, o cenário do setor agrícola amazonense deve mudar a partir do momento em que o governo decida priorizar o cultivo dos grãos nos municípios amazonenses. Em segundo lugar, ele destaca a necessidade do aumento do quadro funcional do Idam. “Hoje não existe um direcionamento governamental voltado ao incentivo dessa cadeia produtiva na região. Por outro lado, é preciso aumentar a estrutura do Idam que é o órgão mais importante para o setor primário”, destacou.
Crise do milho
Durante seis meses a Conab deixou de atender a mais de 400 produtores por falta de milho. Segundo o superintendente da Conab, Antônio Batista, a falta do produto foi ocasionada pelo atraso na autorização para o transporte do milho, documento que é assinado pelo Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos. Após a liberação do documento foi dado início ao processo licitatório para a escolha da empresa que faria o transporte do produto até Manaus. A situação foi normalizada na primeira semana de setembro.
“O conselho deu a autorização em maio e o processo licitatório e contratação da empresa encerrou em julho. O milho embarcou em agosto para Manaus. A Conab está adotando providências para que isso não ocorra mais. Assim que o estoque atual estiver acabando vamos solicitar o próximo”, disse.
No início de setembro a Conab recebeu um estoque de 3,6 mil toneladas de milho quantidade estimada para atender aos pequenos e médios criadores durante quatro meses.
O produto é ofertado pela companhia a um valor mais acessível do que nos demais locais que comercializam grãos. Na Conab, uma saca de 50 quilos é vendida por R$ 24. Enquanto no mercado agropecuário a mesma saca é oferecida por R$ 45.







