Saída da OGX alivia Ibovespa

Em: 1 de novembro de 2013
Ações da empresa criavam uma distorção no principal índice da bolsa brasileira
Ações da empresa criavam uma distorção no principal índice da bolsa brasileira

Ontem, os papéis da OGX deixaram o Ibovespa e todos os demais índices da BM&FBovespa. Com isso, acaba a distorção criada pelas ações da petroleira do ex-bilionário Eike Batista no principal índice da Bolsa brasileira. A retirada das ações é uma operação padrão da Bolsa para todas as empresas que solicitam recuperação judicial, como fez a OGX na tarde de quarta-feira (30), ao protocolar seu pedido na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
“O fato de a empresa ter chegado a este ponto é uma tragédia, principalmente avaliando as perspectivas promissoras que a companhia tinha anos atrás, mas sua saída do Ibovespa traz alívio ao índice”, diz Luana Helsinger, analista do GBM (Grupo Bursátil Mexicano).
As ações da OGX, que chegaram a bater a máxima histórica de R$ 23,27 em meados de outubro de 2010, valiam R$ 0,17 na quarta-feira, após o pedido de recuperação judicial.
Ontem, depois de terem ficado suspensas até 11h, voltaram a ser negociadas com queda de 29%, a R$ 0,12. Às 13h50, custavam R$ 0,13, queda de 23,52%. O Ibovespa, por sua vez, caía 0,75% no mesmo horário, a 53.764 pontos.
“O peso desses papéis no Ibovespa é muito alto e sua volatilidade influenciava bastante a tendência do índice”, explica Luana. De acordo com a Bolsa, o peso da OGX sobre o Ibovespa ontem era de 2,3%.
Como custavam pouco, esses papéis tinham uma variação percentual acentuada a cada centavo para cima ou para baixo em sua cotação. “Ontem (quarta-feira), por exemplo, a ação caiu 26%. O seu peso correspondeu a praticamente toda a queda de 0,67% que teve o Ibovespa no fim do dia”, afirma Rogério Oliveira, especialista em Bolsa da Icap do Brasil.
A distorção que os papéis causavam no índice eram ainda mais amplas. “Há algum tempo o índice futuro da Bovespa estava valendo menos que o à vista. Ele tem sempre que valer mais. Isso acontecia por causa do efeito OGX sobre o índice”, afirma o especialista da Icap. “Hoje, a tendência mudou. O índice futuro está caindo menos que o à vista”, acrescenta.
Após a saída da OGX do Ibovespa, o peso atual desse papel será redistribuído proporcionalmente entre as 72 ações que compõem a carteira teórica do índice.

Futuro incerto

Os advogados da OGX disseram que o pedido de recuperação judicial da empresa deve ser aceito pela Justiça, mesmo a petroleira sendo praticamente pré-operacional, o que significa que gera pouca receita. “A companhia é extremamente viável se reestruturar seu capital, porque tem bons ativos”, diz Márcio Costa, sócio do escritório Sérgio Bermudes, escritório responsável pelo processo.
A petição inicial da recuperação judicial da OGX fundamenta a viabilidade econômica da recuperação da petroleira nas projeções apresentadas para os campos de Tubarão Martelo e BS-4, no qual a empresa detém 40%. No item batizado de “olhando para o futuro”, a companhia afirma que Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, poderá gerar receitas de US$ 11 bilhões, sem explicitar em que período. Já o campo BS-4, na Bacia de Santos, teria um cenário de geração de receita de US$ 6,2 bilhões.
O documento, assinado pelo advogado Sérgio Bermudes e protocolado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), leva em conta a recente avaliação da consultoria internacional DeGolyer&MacNaughton para as reservas de Tubarão Martelo. A consultoria é a mesma autora das avaliações anteriores, depois revisadas para baixo. Talvez por isso a petição destaque que o relatório “dada a responsabilidade do avaliador e o fato de ter sido elaborado no auge da crise do grupo OGX, adotou certamente premissas conservadoras”.
A defesa da petroleira de Eike Batista afirma que a administração da OGX “tem confiança que os resultados da exploração podem ser ainda mais auspiciosos”. Em relatório apresentado pelas consultorias financeiras Blackstone e Lazard ao longo das negociações com credores externos, a estimativa da DeGolyer é que Tubarão Martelo gere receita de US$ 6,18 bilhões no período 2014-2023.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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