Saída por Itacoatiara é a segunda rota de maior escoamento para MT

Em: 4 de agosto de 2009
Com 901,91 mil toneladas de soja transportadas até junho deste ano, o porto de Itacoatiara, no Amazonas, já se desponta como a segunda rota mais utilizada pelos mato-grossenses para escoar seus produtos até aos portos da Europa, atrás apenas de Santos
Com 901,91 mil toneladas de soja transportadas até junho deste ano, o porto de Itacoatiara, no Amazonas, já se desponta como a segunda rota mais utilizada pelos mato-grossenses para escoar seus produtos até aos portos da Europa, atrás apenas de Santos

Com 901,91 mil toneladas de soja transportadas até junho deste ano, o porto de Itacoatiara, no Amazonas, já se desponta como a segunda rota mais utilizada pelos mato-grossenses para escoar seus produtos até aos portos da Europa, atrás apenas de Santos (SP). O volume fica muito próximo de todo o grão que foi escoado durante todo ano passado, pouco mais de 1,2 milhão de toneladas. Caminho ao norte do país proporciona economia com frete de cerca de 20%, em relação aos custos para embarques feitos via portos do Sul.
De acordo com dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), órgão vinculado à Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado), Itacoatiara só perde para os embarques feitos via Santos (SP), que transportou este ano 4,45 milhões de toneladas de soja. Paranaguá, no Paraná, ficou com 738 mil toneladas e, Santarém (PA), 336 mil toneladas.
No ano passado, das mais 8,6 milhões de toneladas embarcadas, 48% saíram por Santos (SP), 15% por Itacoatiara, 12% por Vitória (ES) e 10% por Santarém.
A soja que está saindo via porto de Itacoatiara está concentrada basicamente nas regiões oeste e noroeste do Estado, como Sapezal, Campos de Júlio, Campo Novo e Comodoro. A produção percorre cerca de 900 quilômetros por caminhão até Porto Velho (RO), de lá segue pela hidrovia do rio Madeira até Itacoatiara ou Santarém, e a partir daí avançando pelo rio Amazonas ao Atlântico com destino aos portos europeus.
“Com esta rota temos uma significativa redução nos preços do frete”, analisou o vice-presidente da Aprosoja/MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado) para a região leste e também coordenador da Comissão de Logística da entidade, Marcos Rosa. Segundo ele, o ganho está na intermodalidade de transporte e na redução da distância até os portos do Atlântico, já que para chegar a Santos as carretas percorrem 2.500 quilômetros, tomando-se por referência a região de Sorriso (420 quilômetros ao norte de Cuiabá), cidade que detém a maior área cultivada do mundo, com mais de 600 mil hectares reservados à produção da oleaginosa.
Atualmente, segundo ele, os produtores mato-grossenses pagam de R$ 10 a R$ 13,50 por saca de 60 quilos de soja transportada até aos portos de Santos e Paranaguá, dependendo da localização. No caso da região leste, o custo do frete sobe para até R$ 13,50/saca. Por Itacoatiara, o custo com frete diminui significativamente, propiciando um ganho para o produtor. A média é um frete na casa dos US$ 100 por tonelada.
“É importante ganharmos novas saídas de escoamento da produção, pois precisamos reduzir os custos do frete e tornar a nossa soja mais competitiva no mercado internacional”, afirmou o gerente técnico da Aprosoja/MT e agrônomo Luís Nery Ribas. Ele diz que hoje o porto de Paranaguá “deixou de ser uma boa opção” para os produtores mato-grossenses com lavouras nas regiões oeste e noroeste do Estado.
“Com a busca de melhorias pelo transporte modal, vamos abrir novas saídas para a soja, otimizando o transporte, ganhando tempo e reduzindo custos. A busca é na renda, e uma das formas é melhorar as alternativas de escoamento”, disse, lembrando que o produtor deve avaliar o que é melhor para ele em termos de frete.
Da Rosa explicou que a saída por Itacoatiara e Santarém possui vantagens comparativas em relação aos portos de Santos e Paranaguá. “Temos um custo logístico melhor, porém há limitações quanto à navegação no Madeira e Amazonas em alguns períodos de ano”, disse.
Entre as vantagens, além dos custos menores, está o desembaraço alfandegário e agilidade no embarque das mercadorias. “O escoamento é mais ágil, pois todo o desembaraço é feito pela própria trading que faz o transporte da soja”, como o Grupo André Maggi, que escoa para Itacoatiara, e a multinacional Cargill (Santarém).
O dirigente lembra que os portos de Itacoatiara e Santarém abrem acesso para o escoamento da soja de outras regiões, como Diamantino, Tangará da Serra e Brasnorte. “Por enquanto, esta rota ainda está divida nas regiões norte, médio norte, noroeste e oeste. Mas com a melhoria da infraestrutura rodoviária, ela se tornará mais eficiente e competitiva”.
Situado a 200 quilômetros de Manaus, o porto de Itacoatiara é uma obra conjunta do governo do Amazonas com o mato-grossense Grupo André Maggi e teve um custo total de R$ 28 milhões.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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