Saldo de empregos no interior do AM cresce em agosto

Em: 1 de outubro de 2021

O saldo de empregos formais no interior do Amazonas retomou a trajetória de crescimento, entre julho e agosto, rompendo a estabilidade capturada no levantamento anterior. Na série com ajuste, o número de contratações (+1.385) foi praticamente o dobro do das demissões (-731), com a criação de 384 postos de trabalho com carteira assinada. O desempenho, no entanto, perdeu novamente de longe pelo dado registrado em Manaus (+5.463 e +1,36%) – que voltou sustentar a alta do Estado (+5.847 e +1,33%), como de hábito. 

O número de cidades amazonenses com mais admissões do que desligamentos na variação mensal foi de 40, patamar superior à estatística apresentada em julho deste ano (31), dez delas com saldos de dois ou três dígitos. Ao menos 11 foram na direção contrária e as 10 restantes estagnaram – contra 12 e 18 no mês anterior, respectivamente. Os dados são da edição mais recente do ‘Novo’ Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). 

No acumulado do ano, o desempenho do interior na geração de vagas celetistas se manteve no campo positivo, em sintonia com o Estado e a capital. Enquanto Manaus conseguia gerar 23.876 vagas com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2021, correspondendo a 94,02% do total do Amazonas (25.394), os demais municípios amazonenses responderam pela fatia restante, ao criar 1.518 postos de trabalho formais, dado o predomínio das admissões (+8.226) sobre os desligamentos (-6.708).

Em 12 meses, os municípios do interior do Amazonas apresentam acréscimo de 1.077 empregos com carteira assinada, graças a um total de contratações (+11.820) também acima dos desligamentos (-10.743) – mas com uma folga menor do que no acumulado do ano. Em paralelo, a capital amazonense já acumula 39.010 postos de trabalho formais a mais em relação ao período precedente, correspondendo a 97,31% do total gerado pelo Estado (40.087), no mesmo período.

Estoques dos municípios

Entre as 40 localidades amazonenses que conseguiram contratar mais do que demitir, 14 tiveram saldo de dois dígitos no número de vagas registradas na variação mensal, na série sem ajustes – contra 14, no mês anterior. O melhor resultado, entretanto, veio de Presidente Figueiredo, que gerou saldo de três dígitos (+245 vagas e alta de 7,97% diante de julho). Foi seguido de longe por Itacoatiara (+80 e +1,66%), Boca do Acre (+26 e +1,72%) e Humaitá (+25 e +1,13%), entre outros. Em contraste, o por dado disparado veio de Iranduba (-141 e -6,71%). 

Em oito meses, 43 municípios do interior amazonense ficaram no azul e 16 no vermelho, enquanto apenas 2 estagnaram – contra 40, 17, e 4 no mês anterior. Presidente Figueiredo (+410 e +14,09%), Humaitá (+220 e +10,93%), Itacoatiara (+218 e +4,66%) e Manacapuru (+102 e +3,37%) lideraram com folga a lista de criação de empregos formais. No outro extremo, as maiores perdas se concentraram em Codajás (-20 e -25,97%) e Alvarães (-14 e -19,18%), os únicos com cortes de dois dígitos.

Em termos de estoque de empregos com carteira assinada, excluída a capital (410.852), o somatório dos seis maiores municípios do Amazonas responde por mais de 50% de todo o volume de empregos com carteira assinada contabilizados no interior (37.787), em agosto. A lista inclui Itacoatiara (4.924), Presidente Figueiredo (3.328), Manacapuru (3.123), Tabatinga (2.742), Parintins (2.483), Humaitá (2.224). houve maior concentração de postos de trabalho no interior, em relação a julho, quando eram necessários sete cidades do interior para obter resultado semelhante.

Indústria em queda

Assim como ocorrido nos quatro meses anteriores, todos os cinco setores econômicos pelo “Novo Caged” conseguiram saldos positivos no Amazonas, na passagem de julho para agosto. Mas, o interior não conseguiu acompanhar a média do Estado novamente e fechou com a indústria no vermelho, ao eliminar nada menos do que 130 vagas – corte mais severo do que o anterior (-12). Desta vez, o melhor desempenho em termos absolutos veio da agropecuária (+263), que ultrapassou o comércio (+147). Serviços (+80), construção (+24) acompanharam à distância.

No acumulado dos oito meses iniciais deste ano, a indústria em geral (-151) também é a única atividade a seguir com retração nos estoques de empregos. Na outra ponta, as melhores performances em termos de geração de postos de trabalho com carteira assinada no período ainda estão nos setores de serviços (+689) e de comércio (+567). Na sequência, estão agropecuária (+385) e construção (+28).

Os municípios líderes de crescimento tiveram dinâmicas econômicas diferentes entre si. Na variação mensal, Presidente Figueiredo foi alavancado pela agropecuária (+252), em sintonia com a alta da safra da cana de açúcar. Mas, a indústria (-24) encolheu – especialmente a extrativa (-17). Itacoatiara seguiu trajetória inversa, ao ser puxado justamente pela manufatura (+68) e zerar no setor primário. Já Humaitá conseguiu crescer pela construção (+16) – com destaque nas obras de infraestrutura (+19) – e pelo comércio (+10). 

O mesmo se dá no acumulado de janeiro a agosto. As contratações de Presidente Figueiredo mantiveram saldos mais elevados especialmente em agropecuária (+304) e indústria (+100), enquanto Humaitá criou mais empregos em construção (+91), serviços (+70) e comércio (+51). Itacoatiara, por outro lado, pontou seus melhores números em serviços (+120) e agropecuária (+69), mas tombou no comércio (-29).

Imunização e dependência

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas) e consultor empresarial, Marcus Evangelista, lembrou que a economia amazonense costuma aquecer no último trimestre, em virtude das festas de fim de ano, gerando contratações. O economista ressaltou que a tendência é que os municípios da Região Metropolitana de Manaus se beneficiem, abrindo mais vagas, especialmente em pequenos negócios de comércio e serviços. A exceção seria Humaitá, que vem sendo puxado pelo agronegócio, ao passo que os demais ainda dependem basicamente das prefeituras. 

Também em conversa anterior com a reportagem do Jornal do Commercio, o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), professor universitário e consultor empresarial, Francisco de Assis Mourão Junior, reforçou que essa dependência é crônica, em que pesem as estruturas e vocações diferenciadas de cada município, e a redução nos repasses federais. Para o economista, tirando Itacoatiara, Coari, Tefé Parintins e Humaitá, as demais localidades ainda precisam de políticas de desenvolvimento que possam trazer a criação de empregos. 

Foto/Destaque: Divulgação

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar