Salões de beleza foram dos segmentos mais afetados pela crise sanitária

Em: 15 de março de 2022
Young woman getting new hairstyle at professional hair styling saloon.

A pandemia deu uma trégua, mas os salões de beleza, um dos segmentos mais afetados pela crise sanitária, ainda sentem os impactos das restrições. Segundo fontes do setor, a recuperação tem sido lenta e está longe ainda de alcançar o bom fôlego de 2019, quando os serviços alavancaram pelo menos 80% em Manaus.

O movimento no mês de janeiro deste ano foi razoável, permitindo que a categoria vislumbre melhores dias daqui por diante, mas ainda não é motivo de muitas comemorações. Proprietária de salão, Maíra Figueiredo chegou a cortar metade dos funcionários durante a fase mais aguda de contágios pela Covid-19 na capital, período em que o cenário pandêmico foi sacudido por uma alta onda de infecções, tendo inclusive mortos enterrados em valões. Uma situação que ecoou em todos os países do mundo, que se sentiram impactados e sensibilizados com a tragédia no Estado do Amazonas.

“Agora, estamos respirando um pouco mais aliviados. A coisa começou a melhorar a partir do começo deste ano. E esperamos que os negócios tenham mais fôlego até o fim de 2022”, diz Maíra. Para ela, tudo indica que os bons tempos de antes têm grandes possibilidades de voltar a fomentar as atividades no setor. “Hoje, a população investe mais nos cuidados do visual, alimentando toda uma cadeia produtiva que sobrevive desse segmento na região”, acrescenta a empresária. ”Agora, parece que as expectativas são boas para a classe”, afirma.

Os clientes também se sentem mais encorajados a ir aos salões, melhorando as expectativas do setor. A advogada Paula Nascimento conta que passou os últimos dois anos trancada em casa, fazendo ela mesma as manicures e os cortes de cabelo eventuais. “Antes da pandemia, eu ia ao salão toda semana. Fazia unha, cabelo, mas parei completamente a partir do momento em que começou a alta onda de contágios pela Covid-19”, afirma ela.

Na primeira quinzena de fevereiro, o movimento cresceu pelo menos 35% em Manaus, segundo os números dos sindicatos de beleza do Amazonas. Hoje, são duas representações – o patronal e o de trabalhadores.  

“Ainda estamos com 40% das nossas demandas mais baixas em relação ao ano de 2019, um dos períodos mais prósperos dos últimos tempos no segmento de beleza. Porém, falta muito para a categoria equilibrar as suas contas”, diz Antônia Moura, presidente do Sisbisim (Sindicato dos Salões, Barbeiros, Cabeleireiros, Instituto de Beleza e Similares de Manaus).

Sem crise

Enquanto os salões de beleza dizem amargar ainda uma recuperação lenta, as revendedoras de produtos do segmento faturaram alto durante a pandemia em Manaus. A demanda por delivery na venda dos mais diversos itens alavancou com a permanência dos clientes em casa.

E a maioria das pessoas desenvolveu habilidades para manter os cuidados com o visual em suas próprias residências. Muitos contaram com a ajuda de instrutores do comércio lojista que davam as orientações a distância por telefone e pelo sistema remoto de atendimento especializado no setor.

“Os clientes continuaram se cuidando em casa mesmo, apesar da garantia dos salões de seguirem rigorosamente os protocolos preventivos à Covid-19”, disse Rita Fernandes, gerente de loja de produtos de beleza e cosméticos. Segundo ela, o movimento no setor apresentou os mesmos níveis do atendimento presencial antes da pandemia, que alavancou durante o ano de 2019. As vendas do segmento permaneceram inalteradas.

“Não sentimos o impacto que os salões de beleza sofreram durante a crise sanitária no Amazonas”, acrescentou a gerente. “Muitas pessoas aprenderam a se maquiar em casa mesmo”, afirmou.

Segundo números do Sisbisim, um dos sindicatos da categoria, existem hoje pelo menos 6 mil salões cadastrados em Manaus. Mas esse número deve ser maior com as unidades que operam clandestinamente na capital. Pelo menos 18 mil pessoas sobrevivem diretamente dessas atividades na cidade, sem contar os profissionais que trabalham nos municípios do interior do Estado. “Fomos uma das categorias mais afetadas pela pandemia no Amazonas”, disse a sindicalista Antônia Moura, que representa a classe patronal.

Marcelo Peres

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