O polo componentista do setor de duas rodas sofreu mais um duro golpe na última quarta-feira, 8, quando a Sanko do Brasil S/A uma das grandes fornecedoras da Honda, Yamaha e Dafra resolveu encerrar as atividades na capital amazonense. Com a saída da empresa, cerca de 200 postos de trabalho entre diretos e indiretos foram extintos.
A informação foi confirmada pelo presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto, que alertou para a saída de mais três empresas de grande porte a partir da última semana de abril. Segundo o executivo, as empresas associadas do setor componentista que servem ao polo de duas rodas estão enfrentando muita dificuldade desde outubro do ano passado, o que resultou em 1.175 demissões em números parciais até fevereiro.
“Mas o índice de empregabilidade no polo industrial entre as empresas de componentes para motocicletas pode ter caído mais 15% em março, revelando um retrato mais cruel da crise financeira em Manaus”, disse.
Marques Pinto afirmou ainda que a saída da Sanko mostra claramente que o setor de duas rodas é o que sofre maior reflexo diante da fragilidade do país em meio à instabilidade econômica. “Os estoques de motocicletas atingiram o pico no fim do ano passado, dados os colapsos na demanda bem acima das expectativas das montadoras. Estava claro que a baixa produção iria impactar em cortes nos pedidos para fornecedores”, observou o executivo ao ressaltar o excedente nas fábricas locais.
Na análise do economista Álvaro Smont, o setor de duas rodas aparenta de fato ser um dos que mais vai sentir os efeitos da retração nas vendas nas concessionárias. Na visão do analista, a atual situação do setor passa por um espiral descendente composto por fatores como fraca demanda por motos, cortes na produção das fábricas, demissões em massa, choques adversos na restrição orçamentária das famílias e nova deterioração da demanda.
“Numa análise mais pessoal, entendo que os efeitos adversos do congelamento do crédito sobre os financiamentos foram um dos estopins para os inúmeros cortes na produção realizados pelas montadoras. No entanto, a dificuldade não se explicita nas motos a serem produzidas, mas sim naquelas que permanecem nos pátios, à espera de compradores”, explicou.
Procurado pela reportagem, o representante da empresa Sanko do Brasil, Mário Koga, não foi encontrado para dar entrevista sobre o assunto.
Duas fontes que preferiram manter-se em sigilo, disseram lamentar a saída de uma das empresas que melhor ofereciam teto salarial no PIM (Polo Industrial de Manaus). “Não tenho absolutamente nada a reclamar da Sanko. Era uma empresa ótima para trabalhar, onde a gente recebia salário bom e hora extra melhor ainda”, assegurou o entrevistado.
Para o presidente da Aficam, Cristóvão Marques Pinto, crédito e confiança estão exacerbando ainda mais o ciclo negativo das empresas instaladas no Amazonas. “O desenrolar da crise dependerá da condução política e de uma correlação de forças entre empresa e o poder Executivo. Enquanto o governo, por exemplo, mantiver as alíquotas sobre o preço dos combustíveis, as empresas continuarão gastando horrores no transporte, um dos itens que mais pesa no valor do produto final”, finalizou.
Entre as empresas que devem fechar as portas nos próximos dias, Marques Pinto disse que está uma montadora de duas rodas, uma empresa de eletroeletrônicos e uma do polo componentista.
Sanko do Brasil encerra atividades em Manaus
Em: 9 de abril de 2009
O polo componentista do setor de duas rodas sofreu mais um duro golpe na última quarta-feira, 8, quando a Sanko do Brasil S/A uma das grandes fornecedoras da Honda, Yamaha e Dafra resolveu encerrar as atividades na capital amazonense
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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