São Paulo será a capital mundial dos túneis, metrôs e de outras obras subterrâneas. A cidade vai reunir, em junho, alguns dos principais especialistas mundiais nessa área, em eventos organizados pelo CBT (Comitê Brasileiro de Túneis), ligado à ABMS (Associação Brasileira de Mecânica de Solos e Engenharia Geotécnica).
Nos dias 23 e 24, acontece o 2° Congresso Brasileiro de Túneis. No dia 25, é a vez do Seminário Internacional South American Tunnelling – SAT 2008. Visitas às obras e estações do Metrô de São Paulo vão acontecer no dia 26. Outro evento importante, também organizado pelo CBT, é a reunião do Conselho Executivo da Associação ITA (International de Túneis e do Espaço Subterrâneo), formada por representantes da comunidade técnica e científica mundial.
Na pauta dos encontros, as obras do metrô de São Paulo e do Rio, a transposição do rio São Francisco e outros projetos que envolvem a construção de túneis. Congresso e seminário acontecem no Centro Fecomercio de Eventos, no Centro de São Paulo, próximo ao Túnel Nove de Julho.
Com mais de seis milhões de veículos em circulação –um carro para cada dois habitantes, São Paulo registrou congestionamento recorde em maio. Na sexta-feira, dia 9, o paulistano assistiu parado e perplexo, dentro dos carros ou ônibus, à formação de um congestionamento de 266 km, inédito por suas proporções.
“A solução para esse caos urbano passa necessariamente pela ampliação substancial da rede metroviária”, afirmou o engenheiro Tarcísio Barreto Celestino, professor da USP e presidente do CBT (Comitê Brasileiro de Túneis), órgão ligado à ABMS (Associação Brasileira de Mecânica de Solos e Engenharia Geotécnica), uma entidade de caráter técnico e científico, sem fins lucrativos. Ele lembrou que a cidade tem pouco mais de 60 km de linhas de metrô, contra cerca de 180 km na Cidade do México e 440 km em Londres.
Pedágio urbano
“O Brasil precisa acordar para o problema”, sugeriu o professor. “E, para isso, deve agir rápido, privilegiando o transporte coletivo, especialmente o metrô, que é uma obra definitiva e que pode ser executada sem interferir substancialmente no dia-a-dia das pessoas”. Outra vantagem, segundo o engenheiro, é que o metrô é sustentável do ponto de vista ambiental pelo que representa em termos de redução potencial dos gases de efeito estufa. “Uma rede maior e mais bem distribuída pela cidade vai estimular a população a deixar o carro na garagem e a se locomover de metrô, integrado aos ônibus e trens”.
“É preciso buscar recursos para, por exemplo, triplicar a rede metroviária de São Paulo”, sugeriu Tarcísio Celestino. Entre as alternativas que a sociedade terá de contemplar está o pedágio urbano, medida que foi proposta, entre outros, pelo urbanista Cândido Malta Filho, contratado pelo governo do Estado e a prefeitura de São Paulo para analisar soluções que levem à superação do caos no trânsito. “Com os recursos do pedágio, será possível construir 160 km de linhas de metrô num prazo de 10 anos”, lembrou o engenheiro.







