A 61ª Reunião Anual da SPBC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) terminou na sexta-feira, 17, em Manaus, “com a sensação de dever cumprido”, como disse o diretor da entidade, Marco Antonio Raupp. Esta foi a primeira vez em seis décadas que o evento foi realizado no Estado do Amazonas e levou cerca de 10 mil pessoas de todo o Brasil e alguns países pan-amazônicos às conferências, exposições, mesas-redondas e mini-cursos.
Na avaliação do diretor do Inpa (Instituto Nacional de Proteção da Amazônia), Adalberto Val, este é um dos momentos mais excepcionais da história da ciência e tecnologia da região. “Demonstramos claramente que somos capazes desenvolver a região e mostrar esses avanços para as pessoas de fora, tendo praticamente todos os eventos com lotação máxima”, declarou. O instituto apresentou 200 trabalhos durante a reunião da SBPC, representando 8,72% do total de estudos mostrados no evento.
A reitora da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Marilene Corrêa, analisou a reunião como a mais significativa da história da C&T (Ciência e Tecnologia) do Amazonas. “A integração das questões amazônicas à agenda da comunidade científica e os acordos assinados entre a UEA, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) são destacados como os mais importantes convênios firmados com a universidade na reunião da SBPC”, disse Marilene. Os acordos são relativos à concessão de bolsas para os programas de mestrado e doutorado da UEA.
No Estado a reunião ficou a cargo da Sect/AM (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas), que juntamente com a UEA, Inpa e Ufam (Universidade Federal do Amazonas) gerenciou a execução da reunião com a direção da SBPC.
“Vejo esta reunião como o resultado positivo da cooperação entre o sistema estadual de C&T e, a julgar pela quantidade de visitantes, trabalhos apresentados e parcerias firmadas, o sucesso da primeira reunião da SBPC no Amazonas não poderia ter sido melhor”, afirmou o gestor da Sect/AM, José Aldemir.
A reitora da Ufam, Márcia Perales, caracterizou o evento como um marco para a concretização de uma realidade amazônica onde o desenvolvimento social e econômico estejam ladeados com o ambiental. “A promoção da biodiversidade da floresta Amazônica não deve ser o único ponto importante, a capacitação das populações locais também faz parte do processo de desenvolvimento da região”, disse Márcia.
Enfoque no cenário nacional
O diretor da SBPC, Marco Raupp, falou que este é apenas o primeiro passo para aproximar a região das questões centrais do Brasil. “Não somente os assuntos ambientais, mas os sociais e econômicos da Amazônia precisam de enfoque no cenário nacional, para aproximar a Amazônia do restante do país”, considerou.
Na visão de um dos grandes patrocinadores da reunião, a Fapeam (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas), o papel estratégico de formação de recursos humanos desempenhado pela fundação é um dos pilares para o desenvolvimento integral da Amazônia.
“Os editais para a seleção de bolsistas para mestrado e doutorado da Fapeam sempre são muito procurados e nos últimos sete anos, foram disponibilizadas 326 bolsas para a formação de doutores”, assegurou o presidente da Fapeam, Odenildo Sena.
Conferência polêmica
No penúltimo dia da reunião, o ministro da pasta de meio ambiente, Carlos Minc, participou de uma conferência, ocasião que em deixou claro seu posicionamento em relação à questão mais polêmica do Amazonas. O asfaltamento da BR-319, rodovia que une a cidade de Manaus a Porto Velho.
A autorização para a recuperação da estrada é um dos principais confrontos entre Minc e o ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, ex-prefeito de Manaus e atual senador licenciado pelo Amazonas.
“Eu sempre digo que quem tem medo de receber pressão deve ficar em casa. Por isso continuo a defender vigorosamente a rejeição da licença para a obra. Ela não pode ser a estrada da destruição da área mais preservada da Amazônia”, asseverou Minc.
Atividades paralelas
Paralelamente à reunião da SBPC, um conjunto de estandes apresentava atividades voltadas para crianças e adolescentes entenderem, de forma simples e prática como acontece a ciência.
A AEB (Agência Espacial Brasileira) por meio do programa AEB na Escola, realizou a oficina “Contexto Histórico da Corrida Espacial” na SBPC Jovem, ministrada pelo engenheiro mecânico José Bezerra Pessoa Filho, do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço). A oficina mostrou a história do desenvolvimento das atividades espaciais e ensinou os alunos do Colégio Dom Bosco a construir e lançar foguetes feitos de papelão, fita adesiva e garrafas PET (Politereftalato de Etileno).
Outra realização da SPBC Jovem foi a presença do tataraneto de Charles Darwin, Randal Keynes. Ele inaugurou a “etapa teen” da SBPC e apresentou a exposição Darwin Now (Darwin Agora). Keynes, que pela primeira vez visitou Manaus, contou que Darwin nunca chegou à Amazônia, mas seu parceiro de pesquisas, Alfred Wallace, conheceu a região e contribuiu muito com os estudos que aqui fez para a teoria da evolução das espécies.







