Seca e desabastecimento encarecem pescado

Em: 16 de novembro de 2010
A grande seca que se instalou nos rios da Amazônia, de maio a outubro deste ano, e a falta de um frigorífico equipado para abastecer Manaus foram os principais fatores que encareceram o preço do peixe
A grande seca que se instalou nos rios da Amazônia, de maio a outubro deste ano, e a falta de um frigorífico equipado para abastecer Manaus foram os principais fatores que encareceram o preço do peixe

A grande seca que se instalou nos rios da Amazônia, de maio a outubro deste ano, e a falta de um frigorífico equipado para abastecer Manaus foram os principais fatores que encareceram o preço do peixe.
A queda no abastecimento do pescado, bem como a disparada nos preços nas feiras e mercados da cidade foram temas discutidos na sexta-feira, 12, durante o Encontro de Dirigentes de Colônias de Pescadores do Amazonas.
O evento foi organizado pela Fepesca (Federação dos Pescadores do Amazonas) e reuniu representantes das Federações de Pescadores do Pará, Acre, Roraima e Rondônia. O encontro contou também com a presença do presidente da CNP (Confederação Nacional dos Pescadores), Abrahão Lincoln. Os participantes discutiram os motivos da queda no abastecimento do pescado em vários municípios do Estado e da capital, Manaus.
Dentre as diversas sugestões apresentadas pelos representantes dos pescadores, está a criação de uma ajuda emergencial em dinheiro aos pescadores e famílias que enfrentam os efeitos da vazante.
Para o presidente da CNP, Abrahão Lincoln, o problema de desabastecimento que acontece no Amazonas e, principalmente, na capital poderia ter sido resolvido se os governantes tivessem mais vontade política para sanar o mesmo.
“A questão da seca é um fenômeno natural. No Nordeste o problema é o ano todo, mais aqui, poderia ser diferente se houvesse mais vontade política por parte dos governos federal, estadual e municipal. Não adianta ter um terminal pesqueiro pronto se ele não funciona; os problemas atuais estão na falta de incentivos em qualificação de mão de obra, investimentos em infraestrutura e relacionamento ponderado dos órgãos fiscalizadores”, argumentou Lincoln.

Governo federal e CNP

Questionado sobre como está o relacionamento da CNP com o governo federal, o presidente foi cauteloso em afirmar que existem entraves que precisam ser resolvidos.
“Os entraves constitucionais têm sido um atraso em nossas negociações, principalmente quando nos deparamos com a questão da administração compartilhada, onde o Ministério do Meio Ambiente, através do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), dificulta a vida do pescador em todo o Brasil. O que o governo brasileiro precisa fazer é cumprir o que determina a lei, indenizar os pescadores pelos acidentes naturais”, explicou.
Para o presidente da Fepesca, Walzenir Falcão, o problema da seca contribuiu bastante para o desabastecimento em todo o Amazonas, pois a baixa captura do pescado é visível quando se verifica a quantidade de peixes que chega a Manaus.
“Para se ter uma ideia, no mês de junho obtínhamos 240 toneladas de pescado todos os dias, hoje não passamos de 40 toneladas, redução drástica que ultrapassa mais de 80%.
Falcão tranquilizou a população dizendo que o Terminal Pesqueiro que fica localizado ao lado da feira da Panair já está pronto e que só falta a liberação dos recursos do Ministério da Pesca para a compra dos aparelhos frigoríficos. Ele falou também da existência de um entreposto pesqueiro localizado no bairro da Betânia que ficará pronto no final do mês de novembro.
A falta de peixe no mercado local se dá pela falta da existência de um estoque regulador no período de grande safra, para que no período da seca não falte o produto.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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