Sem concorrentes, fracassa privatização

Em: 25 de março de 2008
Nem os rumores de que o BNDES poderia financiar metade da aquisição animaram o mercado ou motivaram os interessados a apresentar proposta para comprar a Cesp.
Nem os rumores de que o BNDES poderia financiar metade da aquisição animaram o mercado ou motivaram os interessados a apresentar proposta para comprar a Cesp.

O leilão de privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), que ocorreria hoje na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), fracassou. Nenhum dos participantes inscritos depositou o montante de R$ 1,74 bilhão em garantias para participar da disputa -o prazo acabou às 12h.
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atribuiu o fracasso a dificuldades de financiamento dos participantes, às incertezas quanto à renovação da concessão das usinas hidrelétricas e ao preço considerado alto. “O preço foi o que o Estado considerou justo para vender a Cesp’’, disse Serra.
Até anteontem, os parti-cipantes ainda estudavam formar um consórcio único para participar do leilão. Nem os rumores de que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) poderia financiar metade da aquisição animaram o mercado ou motivaram os interessados. O banco não se pronunciou sobre a possibilidade de financiar a aquisição.
Pelas regras atuais de financiamento do BNDES, a instituição apenas abre linhas para financiar novas usinas que agreguem mais energia ao sistema brasileiro. Se participar da privatização da Cesp, o BNDES estaria financiando apenas a troca de controle da empresa.
Na segunda-feira, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo confirmou a realização do leilão e atribuiu os rumores de fracasso a uma estratégia para pagar o menor valor possível pela geradora paulista.
A compra da Cesp é um negócio de R$ 22 bilhões, incluindo R$ 6,6 bilhões pagos ao Estado, dívida de R$ 6 bilhões e oferta aos minoritários.
O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, afirmou que já esperava o fracasso do leilão para a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo). De acordo com Lopes, o motivo foi o fato de o governo paulista confiar na renovação automática de duas concessões de usinas hidrelétricas que se encerram em 2015.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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