A expansão no mercado de franquias tem obtido um desempenho consistente em todo o Brasil. Acompanhando este cenário, o Amazonas apresentou um aumento 13% no setor no ano passado em relação a 2017. O faturamento das franquias na capital também apontou crescimento de 7,1%. Em 2017, o lucro foi de R$1,624 bilhão, no ano passado, alcançou, R$1,740 bilhão. Os dados são da ABF ( Associação Brasileira de Franchising).
O Estado também registrou um crescimento no número de unidades que atuam neste mercado, em 2017 eram 778, no ano passado, saltou para 878, com variação positiva de 12,8%. Conforme a ABF, o segmento de alimentação responde 27,5% das franquias, com 242 unidades. Em segundo lugar, está o segmento de saúde, beleza e bem estar 20,6%, com 181 unidades. Empresas de moda 14,1% totalizando 124 unidades.
Mais que embarcar neste mercado promissor, é importante salientar que a pessoa encontre um segmento no qual ela se identifique. “É crucial que uma pessoa se imagine no dia a dia de um negócio, administrando-o diretamente e constatando se ela gostará ou não da rotina que determinado segmento trará a ela”, recomenda o consultor de franquias Claudio Tieghi. Feito isto, é importante que ela se submeta a processos de seleção de pelo menos três marcas deste segmento, “pois o próprio processo seletivo vai ajuda-la a consolidar dentro dela se é de fato este caminho que ela quer seguir”.
De acordo com o consultor, o investimento inicial envolve a taxa de franquia, que é valor de investimento para receber o know-how, treinamento, todas informações, equipamentos necessários. O investimento inicial também envolve a adequação do espaço físico da unidade e tudo o que será necessário para colocar o negócio em funcionamento. No investimento inicial também está previsto a quantia de marketing para divulgar o lançamento da unidade.
Sobre as vantagens de ser um franqueado, ele explica que se fosse ter um negócio partindo do zero, você teria que criar tudo. E com a aquisição de uma franquia você pega um negócio já testado e chancelado pelo mercado, além de ter sempre lançamento de produtos e profissionais olhando para o mercado do setor de forma mais apurada. Além de todo investimento em imagem ser dividido entre franqueador e franqueado, caso fosse um negócio do zero, o empreendedor teria que arcar com todo o custo.
Ele ressalta ainda que as redes de alto faturamento possuem operações complexas, porque quanto maior o investimento está se falando também de uma estrutura maior também para o funcionamento. “Mas a complexidade de uma franquia não acompanha o tamanho do negócio e sim naquilo que ela se propõe a fazer”, afirma. Uma franquia de comercialização de seguros pode ter um alto faturamento, mas tem uma operação mais simplificada. Já uma franquia automotiva ou de curso de idiomas são mais complexas de uma diversidade grande de produtos e serviços e de espaço físico e treinamentos técnicos. A complexidade de uma operação de franquia não está ligada ao faturamento, mas ao segmento que ela atende.
Capital de giro
O capital de giro é sempre muito importante porque é preciso que o franqueado não dependa do negócio no período de três a seis meses, “dependendo do negócio e proposta da franqueadora”. Conforme Claudio, a pessoa precisa estar livre de querer sobreviver ou tirar lucros desses negócios que ainda podem demorar alguns meses para atingir o ponto de equilíbrio, quando a empresa consegue se pagar, momento em que o faturamento bate com o investimento. Já o pró-labore é uma previsão de que ele será remunerado por uma atividade que ele desenvolve naquele negócio, então, o franqueado deve se colocar, principalmente numa franquia até R$65 mil, no entendimento de que pode retirar o pró-labore. “Caso ele não queira trabalhar no negócio, ele deve reservar o pagamento de quem gerenciará a unidade”, frisou.
Segmentos
O bairro Parque das Laranjeiras recebeu mais uma unidade do Kumon, microfranquia referência mundial em educação. O estado Amazonas, que já conta com 14 unidades da rede apresenta um grande potencial para captação de novos alunos e outras cidades já estão sendo analisados para viabilização de instalação de unidade.
O Kumon oferece cursos de matemática, português, inglês e japonês. A proposta da instituição é formar autodidatas, estimulando habilidades como cálculo, leitura, interpretação e raciocínio lógico por meio de orientação individualizada. O curso oferece conteúdos que vão da pré-escola até ao ensino superior.
O processo para abertura de unidade leva, em média, 9 meses, e o investimento inicial pode variar de R$ 35 mil a R$ 65 mil. O futuro franqueado não precisa ter experiência com educação, mas é essencial identificar-se com a área, ter o desejo de trabalhar com o desenvolvimento de pessoas e identificação com a filosofia do método Kumon.
A franqueada da unidade, Francisca Ozorio, observa um mercado favorável. “O interesse na franquia deste tipo de orientação é a forma de educar que surge como um suporte para a educação tradicional que nas escolas não têm. O kumon olha a criança como individualizada. A escola oferece uma visão coletiva. Partimos da premissa de desenvolver o aluno ao máximo limite. Moldado pelo sistema de ensino. Isso difere o Kumon, trabalhamos tempo, concentração, cálculo mental, raciocínio lógico, além de utilizarmos um material auto instrutivo”, pontuou.
A trajetória de um franqueado da Piticas ilustra esse potencial. Desde abril do ano passado, o empreendedor Wellyghan Assis Ferreira Júnior inaugurou nada menos que quatro lojas em Manaus (AM). Em janeiro, uma de suas unidades situada na capital amazonense entrou no top 3 em faturamento de toda a rede da Piticas no Brasil, com a comercialização de 2.100 produtos, e crescimento anual médio de 15%, quando a média geral é de 12%.
Para alcançar esses números em uma cidade distante das metrópoles mais tradicionalmente associadas à cultura pop, como São Paulo, Ferreira, que é dono de quatro dos sete pontos de vendas que a Piticas tem em Manaus, apostou em uma gestão cuidadosa. “Acompanho de perto o dia a dia das quatro unidades, invisto na capacitação dos colaboradores qualificados e procuro remunerá-los adequadamente”, conta. “Mantenho uma equipe completa nas lojas e no escritório. Tento identificar o potencial de cada um e as particularidades da geração millennial”.
O gerenciamento cuidadoso do estoque é outro aspecto ao qual ele atribui o êxito do negócio. “Realizo eu mesmo essa tarefa, afinal, o investimento é meu e o custo também. A gestão de estoque é um fator crítico de sucesso”, acredita.
A Piticas tornou-se uma das maiores fábricas de vestuário especializadas em estampas da cultura pop do país, produzindo 17 mil camisetas por dia, com mais de 500 funcionários e mais de 300 lojas franqueadas espalhadas pelo país, além do e-commerce próprio na Internet.
Projeção
O crescimento econômico brasileiro voltou a crescer, em função disso, a ABF projeta para 2019 uma alta do faturamento do setor de franquias entre 8% e 10%. A estimativa da criação de novos empregos e o aumento da renda no setor deve ser de 5% a 6%. O número de redes pode ampliar 1%.
A previsão de crescimento do faturamento total do franchising para o fechamento de 2019 é de 10% se comparado a 2017. Um avanço de 3% no número de unidades de franquias e também de 3% no número de empregos gerados no mercado. Trata-se de um importante impulso para a economia do país.
Somente no terceiro trimestre de 2018, o setor movimentou R$ 44,4 bilhões, um crescimento de 6,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número é cinco vezes maior que a estimativa de aumento do PIB brasileiro para o mesmo período, que é de 1,2%.







