Semana Azul busca sensibilizar a população

Em: 30 de março de 2011
O autista não abraça, evita contato direto nos olhos, resiste às mudanças, repete continuamente certos atos e prefere estar só. Estas são apenas algumas características do autismo, cuja causa não é conhecida
O autista não abraça, evita contato direto nos olhos, resiste às mudanças, repete continuamente certos atos e prefere estar só. Estas são apenas algumas características do autismo, cuja causa não é conhecida

O autista não abraça, evita contato direto nos olhos, resiste às mudanças, repete continuamente certos atos e prefere estar só. Estas são apenas algumas características do autismo, cuja causa não é conhecida. Graças à mobilização de pais de crianças autistas, cujas condições financeiras proporcionam um bom tratamento, o transtorno começa a ser mais divulgado no Amazonas. Desde o dia 28 de março está sendo realizada a “1ª Semana de Conscientização do Autismo – Semana Azul” e vai até o dia 05 de abril. O dia 02 de abril é a data oficialmente decretada pela Onu (Organização das Nações Unidas), desde 2008, como sendo o dia do evento mundial.
A população não deve se surpreender com as luzes azuis que deverão iluminar o Teatro Amazonas, na área do Centro Cultural Largo de São Sebastião (Centro da Cidade), durante a “Semana Azul”, dedicada ao tema. Durante o período serão desenvolvidas atividades com os grupos pró-autistas, apresentação de trupes de animação e visitas guiadas especiais ao Teatro Amazonas e à galeria do Largo para as crianças autistas. As crianças também deverão assistir à apresentação de uma orquestra mirim. No dia 02 de abril terá missa na igreja de São Sebastião, às 07h da manhã. Na sexta-feira, às 10h da manhã está marcada uma audiência pública especial na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) para tratar da problemática.
A população com problemas de autismo no Amazonas não é especificada, estima-se 2 milhões em todo o Brasil. Muito dos dados locais vem do interesse dos pais de crianças autistas.
“Quero te trazer para o meu mundo”, talvez seja a frase que, diariamente, mães e pais de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista), nome oficial do autismo, repitam para os seus filhos. “A gente tenta levar uma rotina normal, embora ele desenvolva as terapias especiais para ele. Procuro levá-lo a ambientes normais, mas selecionados, pois meu filho tem algumas limitações, como incômodo com muito barulho e ele não gosta de festas com muita gente”, explica Nádia Vinente, que está envolvida na campanha aqui em Manaus e é mãe de uma criança autista de 4 anos de idade.

Saúde e diagnóstico

Nádia descobriu que o filho não se desenvolve normalmente a tempo de ter alguma evolução nos tratamentos especiais que ele precisa fazer. “Descobri quando ele tinha um ano e meio. Ele falava algumas palavras, mas desaprendeu, deixou de falar, pensei que era audição”, conta a mãe. Para chegar a um diagnóstico, Nádia levou o filho para vários exames, desde tomografia a testes de audição. De acordo com ela, o autismo registra o comprometimento em três áreas: a socialização, comunicação e movimentos repetitivos. “O diagnóstico só é fechado quando a criança alcança os seis anos de idade. Meu filho é diagnosticado como TGD – transtorno global de desenvolvimento. Quanto mais cedo diagnosticar, mais chance a criança tem de se desenvolver”, afirma.
Silencioso como o autismo, assim pode-se definir o preparo de profissionais e a estrutura da saúde pública e particular do Estado com relação ao transtorno. “Aqui em Manaus ainda é muito precário para o autismo, pois não se tem acesso aos exames adequados. É necessária uma readequação do nosso sistema de saúde e a nossa campanha foca isso”, explica Nádia. A campanha também visa formação de profissionais. “Queremos chamar atenção das autoridades para a importância do diagnóstico. Formando profissionais adequados, para diagnosticar melhor e com mais precisão”, explica.

Na área da educação

Tanto na rede pública quanto particular é necessário maior atenção dos dirigentes para a formação de profissionais da educação para autistas. “É bom o professor estar por dentro e a escola promover palestras. É na escola que eles apresentam mais as característica do autismo”, diz Nádia.
“A escola precisa ser gabaritada para a educação especial, não só para o autista. Na sala de aula deve ter a figura da mediadora, que faz parte de um dos principais tratamentos que é multidisciplinar”, explica.

A ação dos pais

Para as mães na mesma situação, ela recomenda paciência e perseverança, além de carinho e amor, “porque com muito carinho eles progridem muito”. “Eles (autistas) vivem do seu interesse particular, precisamos de terapias que prendam a atenção pra eles gostarem do que a gente gosta”. São muitos os pais como o educador Joaquim Melo e Ana Maria Nascimento Melo, pedagoga e mestra em educação, cujo filho de seis anos apresenta TEA, o casal disponibiliza informações preciosas para orientar os pais por meio da página www.autismonoamazonas.com/.
O endereço também traz informações sobre as reuniões e atividades desenvolvidas pelo MUPA (Grupo de Pais Mãos Unidas Pelo Autismo) em Manaus, cujos contatos podem ser feitos com Ana Maria Nascimento, (92) 8186-6458; Josy (92) 8119-4626. (92) 9179-4728 e (92) 3636-3534 e Maria do Socorro, (92) 3642-6781.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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