Sementes da Vida

Em: 4 de setembro de 2017

Manaus é a capital da região Norte verdadeiramente localizada no coração da floresta Amazônica. Ironicamente é também uma das cidades mais desprovidas de árvores de todas as Unidades Federativas. Não existe uma única explicação para tal fenômeno. Essa ausência de seres vegetais tão importantes para qualidade de vida em uma sociedade parece ser um somatório de fatos deletérios que vão desde a ótica “lesa” em relação ao progresso, invasão desmedida de áreas de preservação permanente até o absurdo vandalismo de habitantes desmiolados que simplesmente depredam plantas e árvores de logradouros públicos. Percebe-se como é gritante essa situação, quando o escaldante Astro Rei em seu ápice faz o asfalto ferver, sendo um dos únicos oásis a Avenida Getúlio Vargas com sua contínua proteção vinda das copas das vetustas árvores ali existentes.

O leitor poderia se questionar, mas porque não se dota toda a urbe de um escudo arbóreo como aquele presente na aludida artéria? A resposta não pode ser facilmente encontrada na medida em que cada administração do Município tem uma prioridade que pode não ser exatamente o conforto térmico do cidadão. Já ficou efetivamente provado por pesquisas cientificas, inclusive publicadas em periódicos como a Scientific American que a temperatura em enclaves selváticos como Manaus podem variar em mais de 3 graus em áreas totalmente desarborizadas. Isso tem relevância não só no prisma ecológico, como também tem desdobramentos no comportamento dos indivíduos. Inúmeras obras denotam o aumento substancial de crimes violentos em ocasiões em que a umidade e o calor excessivo excedem o convencional.

Das várias possibilidades de se mitigar ou minorar o citado problema apresenta-se um projeto idealizado pela Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas denominado Sementes da Vida. Essa ação voltada para a promoção da educação ambiental e apoio a produção, plantio e arborização na cidade de Manaus conta com um círculo virtuoso de outras entidades irmanadas a C.G.J, como o Instituto Soka-CEPEAM, Centro de Sementes Nativas do Amazonas – UFAM, ARPEN-AM, RYMO, SEMMAS, SENSA, VEMAQA e SEMED. Trata-se essencialmente de uma iniciativa inédita que permite que a cada registro de nascimento expedido em maternidades como a Moura Tapajoz e Ana Braga uma árvore seja simultaneamente plantada. Assim se realizará um verdadeiro trabalho de base de educação ambiental junto às famílias manauaras e será possível colaborar substancialmente para arborização, aperfeiçoamento da qualidade de vida na cidade de Manaus, neutralização de CO2 (gás carbônico) conscientização e sensibilização da importância de áreas verdes para o bem estar do próprio ser humano.
O documento que ficará com as famílias permitirá que as mesmas, e em especial o infante acompanhe o desenvolvimento das mudas que conterão sua localização por georreferenciamento. Estima-se que o projeto ao atingir sua operacionalidade total permita o plantio anual de mais de dez mil mudas de árvores nativas do Amazonas na cidade de Manaus. Essa sensibilização demonstra categoricamente que mesmo a Corregedoria Geral de Justiça, órgão essencialmente fiscalizador e orientador da magistratura estadual pode assumir uma postura coetânea com as diretivas do artigo 225 da Carta Magna e da Resolução nº 201 do CNJ. Assim é incumbência do Poder Público e desse dever não pode se afastar o Poder Judiciário de proteger o meio ambiente e conscientizar os jurisdicionados a respeito dessa realidade. De parabéns, portanto, a Corregedoria Geral de Justiça e demais órgãos que realizaram plantio simbólico de arvores na parte da frente do prédio do TJAM, evento que contou com a presença do Desembargador Presidente Flávio Humberto Pascarelli e Desembargador Corregedor Aristóteles Lima Thury. A missão é hercúlea, mas com a união benfazeja de entidades como as citadas é possível atingir a meta esperada.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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