Senado aprova restrições aos chineses

Em: 24 de agosto de 2011
O projeto, que promete uma regulamentação e fiscalização mais rígida na qualidade dos produtos que chegam ao país, é uma boa notícia para as indústrias do PIM, mas não resolve a questão, de acordo com representantes do setor
O projeto, que promete uma regulamentação e fiscalização mais rígida na qualidade dos produtos que chegam ao país, é uma boa notícia para as indústrias do PIM, mas não resolve a questão, de acordo com representantes do setor

Os produtos importados, principalmente os asiáticos, poderão ter mais dificuldade de entrar no Brasil. É o que propõe o projeto de lei da Câmara (PLC1768) – de autoria do deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) -, aprovado ontem, 23, pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) para diminuir os danos causados à indústria nacional pela chamada concorrência predatória. Antes de ir ao plenário, o projeto deverá ser examinado pela CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle).
O projeto, que promete uma regulamentação e fiscalização mais rígida na qualidade dos produtos que chegam ao país, é uma boa notícia para as indústrias do PIM, mas não resolve a questão, de acordo com representantes do setor.
“A medida, caso venha a ser aprovada, é válida sim para conter os produtos de baixa qualidade e custo extremamente inferior que competem com os nacionais de forma desleal”, apontou o consultor empresarial da ZFM, Teruaki Yamagishi.
No entanto, segundo ele, é preciso analisar a situação além dos efeitos imediatos. “É preciso lembrar que a principal razão para o problema de competitividade do Brasil no momento, não é apenas a competição com os produtos chineses, e sim o alto custo de produção brasileira. Frear os produtos de qualidade inferior ajuda, mas não é o suficiente”, destacou.
Em concordância com o consultor está o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques. “A fiscalização sozinha, não resolve. Somente o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre componentes importados, da mesma forma que a nova política industrial previu para o setor têxtil, solucionaria o problema”.
Já o presidente da Simplast (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Manaus), Carlos Alberto Monteiro, um dos setores mais afetados pelo ataque dos produtos chineses, defende a importância do projeto de lei. “Diante da atual comodidade desfrutada pelos importados, tanto do câmbio quanto das facilidades oferecidas pelo governo, é preciso que se cobrem mudanças, sob pena de uma queda significativa na atividade industrial brasileira”, avaliou.
Comércio
A proposta, em última instância, atinge também o final da cadeia produtiva, ou seja, a atividade comercial e o consumidor. “Se for aprovado, o regulamento virá em boa hora tanto para o comércio quanto para o consumidor na medida em que ameniza a entrada dos produtos piratas” opinou o vice-presidente da Fecomércio – AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Aderson Frota, embora acredite que ainda é cedo para afirmar de que forma as medidas podem afetar o setor.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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