Senado recua e desiste de pagar ajuda de custo de R$ 26 mil para Jader Barbalho

Em: 29 de dezembro de 2011
Recém empossado como senador, Jader vai receber R$ 3 mil, proporcional a 4 dias de trabalho em dezembro, mas não terá ‘ajuda de custo’
Recém empossado como senador, Jader vai receber R$ 3 mil, proporcional a 4 dias de trabalho em dezembro, mas não terá ‘ajuda de custo’

Empossado no cargo na última quarta-feira, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) não vai mais receber a ajuda de custo de R$ 26,7 mil paga a todo parlamentar no final de cada ano. Receberá apenas o salário proporcional aos quatro dias de dezembro (dos dias 28 a 31), equivalente a R$ 3.448,14.
Inicialmente, a informação oficial da assessoria de imprensa do Senado era de que Jader também teria direito aos R$ 26,7 mil, mesmo tomando posse durante o recesso. Ontem, no entanto, no final do dia, a diretoria-geral avaliou que como o ano legislativo terminou no dia 23 de dezembro, não mais caberá o pagamento da ajuda de custo.
Pelas normas da Casa, é “devida a todo parlamentar, no início e no final previsto para a sessão legislativa ordinária e extraordinária, ajuda de custo equivalente ao valor da remuneração.”
Em janeiro, Jader receberá o salário integral, mesmo com o Congresso em recesso até o dia 2 de fevereiro. Ele também terá direito, em fevereiro, aos vencimentos mais a ajuda de custo paga a todos os parlamentares no início de cada ano legislativo (no valor de R$ 26,7 mil).

Recém empossado

o senador que, apesar de integrar a base aliada, “não terá dificuldade de divergir” do governo federal em votações na Casa. “Em princípio eu acompanho o meu partido”, disse Jader, em entrevista coletiva. “Evidentemente que isso não me impedirá, absolutamente, de eventualmente vir a divergir (do governo). Afinal de contas, devo o meu mandato exclusivamente ao povo do Pará”.
“Se eventualmente, em um determinado episódio, eu considerar que devo divergir não terei absolutamente nenhuma dificuldade de divergir”, reforçou o peemedebista, barrado no ano passado pela Lei da Ficha Limpa, que, contudo, promete em 2012 se “alinhar ao partido” e “ajudar no que for possível” o governo da presidenta Dilma Rousseff.
A declaração do peemedebista, que tem fortes laços com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AL), e com o líder do PMDB, Renan Calheiro (AL), sinaliza um recrudescimento da tensão que marcou as relações entre o partido e o PT no primeiro ano do governo Dilma. Desde o início da nova legislatura, os petistas reclamam que o governo tem sido prejudicado pela atuação do líder governo, Romero Jucá (PMDB-RR). A divergência chegou a um ponto crítico em junho, quando a então senadora petista Gleisi Hoffmann (RS), hoje ministra-chefe da Casa Civil, atacou publicamente Jucá após sessão tumultuada que resultou na derrubada de duas medidas provisórias.
O senador peemedebis­ta tomou posse ontem dez anos após renunciar ao cargo devido a suspeitas de corrupção, em rara sessão realizada durante o recesso parlamentar. Se seguisse os trâmites comuns, ele tomaria posse apenas em fevereiro. Foi a renúncia de dez anos atrás que quase o impediu de tomar posse, mesmo tendo recebido 1,7 milhão de votos nas eleições do ano passado.
Inicialmente, a Justiça Eleitoral entendeu que ele se enquadrava na Lei da Ficha Limpa, cujo texto torna inelegíveis políticos que desistiram do mandato para se livrar de uma cassação. Mas o Supremo Tribunal Federal entendeu que a lei não valeu para o pleito de 2010, e, depois da pressão do PMDB, o tribunal permitiu, há 15 dias, a posse de Jader.

Redação

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