Senadores e Febraban divergem na questão dos custos das tarifas

Em: 16 de outubro de 2007
As estatísticas sobre custos dos serviços bancários nos últimos anos, reveladas em audiência pública na CAE do Senado, divergem dos números mostrados pelo presidente da Febraban, Fábio Colletti Barbosa.
As estatísticas sobre custos dos serviços bancários nos últimos anos, reveladas em audiência pública na CAE do Senado, divergem dos números mostrados pelo presidente da Febraban, Fábio Colletti Barbosa.

Segundo afirmou Fábio Colletri, a média de receitas com tarifas caiu 8,9% por cliente entre 2001 e 2006. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), entretanto, contestou os números apresentados pelo presidente da Febraban. Um dos reque-rentes da audiência, junto com o presidente da CAE, Aloizio Mercadante (PT-SP), Flexa Ribeiro citou números do Banco Central segundo os quais as tarifas bancárias aumentaram 800% de 1994 a 2006, enquanto a inflação no mesmo período ficou em 160%. Na opinião do senador, isso “comprova a prática de preços abusivos”.

Em resposta, Fábio Colletti argumentou que se tratava de bases temporais distintas de prestação de serviços. Ele disse que os bancos taxavam poucos serviços em 1994, e só começou a haver maior transparência de números a partir de medidas implantadas em 1996, com conseqüente ampliação do número de serviços pagos pelos clientes.

Depois de ampla explana-ção sobre os custos operacionais do sistema financeiro, refe-renciados no aumento das ope-rações de crédito e redução dos juros e do spread (diferen-ça cobrada pelos bancos entre a captação e a concessão do empréstimo), o presidente da Febraban afirmou que “as receitas de serviços bancários permaneceram estáveis nos últimos sete anos” e que “não há distorções em relação aos custos cobrados em outros países”. De acordo com ele, os custos representavam 35% das receitas totais dos bancos, em 2001, e em junho último eram de 33,5%.

Fábio Colletti afirmou que o sistema financeiro tem custo operacional relativamente alto no Brasil, porque oferece mais serviços que os bancos de outros países. Apesar disso, os custos equivalem a 58,7% na França, 49,8% na Austrália.

Ele citou mais três países (Bélgica, Polônia e Irlanda) que teriam receitas mais altas que as brasileiras. Todos os demais ficam abaixo do nível cobrado no Brasil, e algumas economias de Primeiro Mundo se situam em nível semelhante, como Alemanha, Itália e Espanha.

O senador Aloízio Merca-dante citou números diferen-tes. Ele disse que as tarifas cobradas dos clientes representam hoje cerca de 56% dos custos dos bancos, ou “três vezes mais que as despesas operacionais”. Para ele, isso pode ser decorrente da concentração de mais de 90% das contas bancárias em apenas dez instituições financeiras, o que “impede a concorrência”. Na opinião de Mercadante, o Estado deve, por isso, regular mais o sistema.

Retomar votações

Líderes da base aliada do governo e da oposição fecha-ram acordo para a retomada de votações no Senado, após o afastamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) do comando da Casa por 45 dias. Senadores do DEM e do PSDB se comprometeram a encerrar a obstrução às votações no plenário da Casa, uma vez que o objetivo da para-lisia nas votações era pressionar Renan a deixar o cargo.

“Concordo que temos que tirar o atraso nas votações, fizemos obstrução enquanto o presidente Renan se mantinha no cargo. Temos vontade de produzir um armistício em prol do Senado, mas nada de paz de cemitério aqui. Agora temos o direito de discordar e fazer obstrução quando chegarem matérias que não concordarmos”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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