Evaldo Ferreira: @evaldo.am
É hoje, 12 de outubro, dia de N. Sra. da Conceição Aparecida, a padroeira do Brasil. Em Manaus, desde o dia 3 passado o bairro de Aparecida está em festa com a realização de missas, novenas e o arraial em frente ao Santuário de N. Sra. Aparecida, da mesma maneira como acontece há décadas. No final da tarde de hoje as comemorações culminam com a grande procissão que, de acordo com os organizadores dos festejos, deve ‘arrastar’ quase cem mil pessoas pelas ruas do bairro e do Centro. E tudo isso começou há 79 anos, com a chegada dos padres americanos redentoristas André Joerger, João McCormick, José Buhler, José Elworthy, Jaime Martin e irmão Cornélio Ryan (os nomes foram aportuguesados para facilitar a interação com os futuros fiéis).
A Congregação do Santíssimo Redentor, a qual pertencem os redentoristas, foi criada na Itália, em 1732, pelo bispo Afonso Maria Antônio João Francisco Cosme Damião Miguel Ângelo Gaspar de Ligório, para trabalhar entre os pobres. Afonso de Ligório foi canonizado, em 1839, pelo papa Gregório XVI.
Em 1943, Dom João da Mata do Amaral, bispo da diocese de Manaus, solicitou à Província de St. Louis, em Missouri, nos Estados Unidos, através do padre Francis Fagan, que enviasse missionários a Manaus para atuar junto aos pobres, no que foi prontamente atendido.
Em 11 de julho de 1943, na paróquia de Santo Afonso, numa cerimônia que reuniu 50 padres, 50 confrades, parentes e amigos, os seis missionários fizeram suas despedidas e partiram para Manaus, onde chegaram no dia 22 de julho, primeiro André Joerger e João McCormick, depois os outros quatro.
A construção da igreja



Em Manaus, os redentoristas foram hospedados pelos freis capuchinhos da igreja de São Sebastião e logo começaram seu trabalho. Em setembro, organizaram um tríduo, três dias seguidos de orações, nos dias 5, 6 e 7, realizado na capela de São Vicente de Paulo, na rua Ramos Ferreira. Até 1930 o 7 de setembro era a data em que se comemorava N. Sra. Aparecida e naquele ano, a santa foi proclamada padroeira do Brasil, sendo a nova data escolhida o 12 de outubro. Tradicionalmente os redentoristas se dedicam a N. Sra. do Perpétuo Socorro, mas em Manaus passaram a cultuar a senhora de Aparecida.
No dia 8 de setembro de 1943 os redentoristas americanos se mudaram para uma residência própria localizada na rua Comendador Alexandre Amorim, 325. O terreno pertencia a Agesilau Araújo, filho do rico empresário J. G. de Araújo, e foi doado aos religiosos. Eficientes na sua evangelização, os redentoristas celebravam suas missas dominicais onde fosse possível fazê-lo, como o Grupo Escolar Cônego Azevedo e até numa residência, na rua Leonardo Malcher.
Em 30 de janeiro de 1944 os padres instituíram a paróquia de N. Sra. Aparecida e seu primeiro vigário foi André Joerger. O passo seguinte seria construir uma capela, e depois a igreja. A capela começou a funcionar na própria casa onde os redentoristas viviam, ampliada, em 1945, pois o número de fiéis não parava de aumentar. A partir desse momento os americanos perceberam que era hora de erguer a igreja.
Quem vê, hoje, o belo Santuário de N. Sra. Aparecida, não imagina a perseverança dos padres na sua construção. A pedra fundamental da igreja foi lançada em 22 de junho de 1947, mas a construção só teve início em 1954, com projeto do artista plástico Moacir Andrade e execução realizada pela empresa Sociedade de Obras Ltda, sob a responsabilidade do engenheiro José Florêncio. Em três anos a igreja estava concluída.
A imagem de Aparecida, até hoje no templo, foi trazida por Dom Antônio Macedo, então bispo auxiliar de Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, cardeal de São Paulo e diretor da Basílica Nacional de Aparecida.
Desde 12 de outubro de 2007 a igreja foi elevada à categoria de Santuário.
Clímax com a procissão
Todo o dia de hoje será bem agitado na paróquia de Aparecida. Logo as 5h30 ocorre uma carreata, com a imagem da santa, pelas ruas do bairro e Centro com a benção dos veículos. Às 7h será servido um café aos fiéis.
Às 8h o arcebispo metropolitano de Manaus, agora cardeal da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, realizará missa campal. Às 10h as crianças terão uma missa rezada especialmente para elas.
Pela tarde, a programação inclui celebração eucarística ao meio-dia, tendo como tema a ‘sinodalidade’. Às 14h, Terço Mariano, às 15h Ofício de Nossa Senhora e às 16h animação. A programação continua às 17h, com o início da procissão e missa solene, às 18h, presidida por Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus.
A procissão sairá do Santuário seguindo pelas ruas Luís Antony, Governador Vitório, Tamandaré, Floriano Peixoto; avenidas Sete de Setembro, Joaquim Nabuco e Leonardo Malcher; depois pelas ruas Luís Antony, Ramos Ferreira, Wilkens de Matos;
retornando pela Alexandre Amorim.
“O tema deste ano busca despertar a importância da comunhão e não do isolamento para a missão cristã. Quando vivemos em unidade, os desafios se tornam mais fáceis de serem superados. A Igreja tem sofrido por causa de discursos polarizados, diante disso, precisamos refletir e vivenciar uma experiência onde todos possam obter um espírito sinodal (de caminhar juntos), onde a participação de todos propõe um jeito comum de viver a fé”, finalizou o padre Agildo Alves, reitor do Santuário.






