Representantes do setor de serviços apontam prejuízos e buscam reforçar o diálogo com o poder público para reduzir o impacto das fortes chuvas que castigaram Manaus nesta semana. Segundo a Prefeitura de Manaus, o temporal da última quarta-feira foi responsável pelo maior índice pluviométrico registrado na capital amazonense desde 2020.
Após sucessivos registros de alagamentos em diferentes zonas da cidade, entidades empresariais avaliam que o impacto deixou de ser localizado e passou a atingir o funcionamento urbano como um todo, afetando desde o atendimento presencial até operações logísticas e serviços essenciais.
Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, o volume de chuvas evidenciou um cenário generalizado de vulnerabilidade urbana. “Esse problema de chuva tem preocupado principalmente as empresas comerciais varejistas que estão no centro da cidade. O Centro vive um momento de vulnerabilidade, mas pelo volume de águas que aconteceu ontem, você vê que a cidade toda está vulnerada”, afirmou.
Segundo ele, a principal preocupação do setor vai além das perdas financeiras imediatas. A prioridade, neste momento, é evitar consequências mais graves para moradores de áreas historicamente atingidas por enchentes. “É preciso que a gente apele para que a Prefeitura acione todos os serviços de prevenção para que não haja não só prejuízos, mas acima de tudo consequências que possam atingir as pessoas de alguns bairros altamente sujeitos a alagamentos muito fortes”, destacou.
A Fecomércio informou ainda que mantém sua estrutura em estado de prontidão por meio do programa Mesa Brasil, que pode auxiliar no atendimento de demandas emergenciais decorrentes das chuvas, especialmente aquelas relacionadas à população impactada.
No segmento de alimentação fora do lar, bares e restaurantes também enfrentam reflexos diretos do mau tempo. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM), Antonio Franco, explicou que as dificuldades operacionais têm sido constantes desde o início das precipitações mais intensas.
“As chuvas dos últimos dias têm impactado diretamente bares e restaurantes, principalmente com dificuldades de acesso, redução no fluxo de clientes, atrasos no delivery e aumento de custos operacionais. Os pequenos e médios negócios são os mais afetados, especialmente em áreas com alagamentos”, afirmou.
Além da queda no movimento presencial, empresários relatam aumento no tempo de entrega, cancelamentos de pedidos e necessidade de adaptações emergenciais para manter o funcionamento dos estabelecimentos, cenário que pressiona principalmente negócios de menor porte.
A Abrasel Amazonas informou que segue acompanhando a situação em diálogo com o poder público, orientando empresários sobre medidas emergenciais e buscando alternativas para preservar empregos e minimizar impactos econômicos no setor.
Enquanto entidades empresariais reforçam o pedido por ações preventivas, a Prefeitura de Manaus afirma ter intensificado respostas emergenciais às ocorrências provocadas pelas chuvas. Uma força-tarefa integrada foi mobilizada no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), envolvendo a Defesa Civil e diversas secretarias municipais para atendimento às áreas mais atingidas, especialmente no bairro União da Vitória, na zona Oeste, e na comunidade Santa Marta, na zona Norte.
A operação alcançou cerca de 150 pessoas, com assistência direta a famílias afetadas por alagamentos, incluindo entrega de alimentos, água, kits de higiene, colchões e concessão de auxílio-aluguel. Escolas municipais foram abertas como abrigos provisórios, enquanto equipes técnicas seguem monitorando áreas de risco e elaborando intervenções estruturais, como o desassoreamento de igarapés para melhorar o escoamento das águas.
Segundo a administração municipal, o Plano de Contingência foi acionado ainda nas primeiras horas do temporal, com atendimento contínuo às ocorrências e monitoramento permanente das condições climáticas. A orientação à população é que, em situações de emergência, o contato seja feito pelo Disque 199 da Defesa Civil.
A Prefeitura de Manaus foi procurada para falar sobre ações de infraestrutura para prevenir ocorrências como as registradas nesta semana, mas até o fechamento da edição não foi enviada resposta.







