Reportagem: Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori
O mercado de trabalho do Amazonas retomou alta em janeiro, com a abertura de 1.056 vagas formais. A quantidade de admissões (+21.584) superou a dos desligamentos (-20.528), por uma diferença de 0,20%. O saldo veio reforçado em relação ao mesmo mês de 2023 (+436). A retomada dos empregos, no entanto, ainda não foi suficiente para recuperar as perdas de dezembro (-2.836). O crescimento ficou acima do dado da região Norte (-0,19%), mas correspondeu à metade da média nacional (+0,40%). Manaus (-0,18% e +799) liderou a oferta, em um mês positivo apenas para a indústria e os serviços.
Com isso, o Amazonas registrou a geração de 23.928 empregos formais no acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro. O estoque fechou em 518.157 vínculos celetistas ativos. O índice de crescimento de postos de trabalho obtido em relação a esse patamar foi de 4,84%. Foi uma performance superior à do número brasileiro (+3,57%), mas ficou atrás do desempenho da região Norte (+5,03%). As informações estão na edição mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nesta sexta (15).
O Brasil como um todo teve mais admissões (+2.067.817) do que demissões (-1.887.422) em janeiro. O saldo ficou positivo em 180.395 empregos com carteira assinada, com acréscimo de 0,40% e saldos positivos disseminados em todas as regiões. O resultado veio após o dado negativo de dezembro (-430.159) e correspondeu ao dobro da marca de 12 meses atrás (90.031). Assim como ocorrido no Estado, o crescimento foi uma realidade em praticamente todos os setores – principalmente em serviços (+80.587) e indústria (+67.029) – com exceção do comércio (-38.212).
Vale ressaltar que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que o Amazonas encerrou o quarto trimestre de 2023 com o nível de desocupação novamente em queda, mas em um patamar ainda elevado de 173 mil pessoas – ou 8,8% de sua força de trabalho. Apenas 55,5% (1,79 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho” (14 anos ou mais) tinha ocupação remunerada, sendo que 54,6% (979 mil) desse grupo não contava com carteira assinada. O desempenho do primeiro trimestre de 2024 só será divulgado em maio.
Serviços e comércio
Nem todas as cinco atividades econômicas fecharam dezembro com mais admissões do que desligamentos. A maior oferta de oportunidades profissionais veio dos serviços, que costumam liderar o ranking. Em janeiro, o setor ganhou 1.080 vagas celetistas e avançou 0,45% nos estoques, recuperando integralmente as perdas de dezembro (-915). O grupo que reúne informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+842) puxou as contratações, seguido de longe pela administração pública (+199).
Em um mês sem datas comemorativas, o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos”, reforçou o dado negativo de dezembro (-494), ao eliminar 742 empregos com carteira assinada, registrando retração de 0,62%. Foi o setor que mais desempregou no Amazonas, em janeiro. As demissões foram carreadas pelo varejo (-777), e se estenderam em menor grau ao atacado (-72). O mês foi positivo apenas para o segmento de “reparação de automóveis e motocicletas” (+107), em sintonia com as vendas aquecidas das concessionárias amazonenses de veículos.
O presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, explicou que o saldo negativo do comércio em janeiro se deve ao encerramento sazonal dos contratos temporários de trabalho para as festas de fim de ano. Mas, ele se mostrou otimista para os próximos meses. “Há uma tendência de recuperação do mercado de trabalho. Estamos quase fechando o mês de março e, em abril, os empresários começam os preparativos para o Dia das Mães, e as contratações só tendem a aumentar. Essa data é o start do crescimento de nossa atividade para o segundo semestre. E, à medida em que cair a inadimplência do consumidor, isso tende a se ampliar”, frisou.
Indústria de transformação
A indústria foi o segundo setor que mais contratou no Amazonas, em janeiro, registrando alta de 0,84% em seus estoques e a eliminação de 1.065 postos de trabalho. No mês anterior, a manufatura amazonense havia eliminado 518 empregos. O saldo positivo, no entanto, se restringiu à indústria de transformação (+1.126) e 14 de suas 25 atividades. Os destaques positivos vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (+362); “outros equipamentos de transporte”/duas rodas (+248) e produtos alimentícios (+225). Em contraste, a indústria extrativa (-10), assim como as divisões de eletricidade e gás (-7); e de água, esgoto descontaminação (-44), fecharam o mês com os empregos no vermelho.
“É um sinalizador importante que, mesmo diante de um cenário econômico ainda receoso, os indicadores do PIM se mantenham em patamares elevados. Observamos uma leve tendência positiva nos indicadores de empregabilidade. Há que se considerar, entretanto, a sazonalidade comum ao período. O segmento industrial prospecta um ano com essa tendência, mas ainda considero cedo para asseverarmos um panorama conclusivo”, ponderou o presidente do Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva.
Agropecuária e construção
A agropecuária renovou as demissões em janeiro, com o maior índice de queda da lista (-1,49%) e a subtração de 72 vagas. Foi o terceiro saldo negativo consecutivo para o setor no Amazonas, após os registros de novembro (-147) e dezembro (-144). A destruição de empregos se concentrou principalmente na produção florestal (-74) – mais exatamente na extração de madeira em florestas nativas (-69) –, sendo secundada pela pesca e aquicultura (-1). Diferente do ocorrido no mês anterior, o grupo que reúne “agricultura, pecuária e serviços relacionados” (+129), teve mais contratações do que demissões.
Já a construção emendou seu terceiro mês de baixa, ao marcar um declínio de 1% nos estoques – o segundo mais elevado da lista. O enxugamento de 275 vagas celetistas reforçou os cortes registrados em novembro (-206) e dezembro (-781). Em janeiro, a destruição de empregos se disseminou pelas atividades de serviços especializados para construção (-252), obras de infraestrutura (-144). Mas, coroando o aquecimento imobiliário do Estado no segundo semestre, poupou o segmento de construção de edifícios (+121).
“No meu entendimento, os números se devem aos impactos da seca dos rios. Quando deu esse problema, a partir de setembro, faltou material [nos canteiros de obras]. Muitos trabalhadores ficaram ociosos, e alguns foram demitidos, porque trabalhavam por empreitada. Mas, a tendência é que a gente retome os empregos. Temos muitos projetos do Minha Casa Minha Vida, e algumas obras de infraestrutura, como a construção de alguns viadutos”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.







