Setor aguarda ajustes do mercado

Em: 5 de setembro de 2014
Empresários lamentam o fato de que pouco pode ser feito para reverter cenário crítico
Empresários lamentam o fato de que pouco pode ser feito para reverter cenário crítico

A crise no setor de duas rodas que persiste há mais de dois anos continua sem iniciativas que equacionem o problema no polo amazonense. Representantes do setor lamentam o fato de que pouco pode ser feito a não ser esperar a evolução natural do mercado diante da crise no crédito e do alto nível de endividamento dos brasileiros.
Em nota, a Moto Honda cita restrições de crédito, variações cambiais, inflação, entre outros fatores, como impactantes para o mercado de motocicletas, principalmente de baixa cilindrada. Segundo a nota, estes fatores “não tem nos permitido avançar em volume. Assim, foi necessário realizar paradas na produção durante o mês de agosto com o objetivo de ajustar estoques. Esperamos uma reação do mercado nos próximos meses, mas não está descartada a necessidade de novos ajustes no planejamento produtivo da fábrica de Manaus”.
A suspensão nas atividades dos funcionários da Honda neste mês foi ocasionada pelas baixas vendas de janeiro a julho, segundo o gerente de relações institucionais da multinacional, Mário Okubo. Até o momento, os layoffs (paralisações temporárias que podem causar a suspensão de contratos) estão descartados. A Yamaha Motors que costuma dar férias coletivas apenas no fim de ano, antecipou para junho os 10 dias anuais de folga.
Representantes das comissões ligadas ao comércio e indústria nas Casas Legislativas assistem de longe ao problema, por entenderem a questão como um reflexo do péssimo momento econômico, cabendo ao governo federal apontar soluções.
A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), também por meio de nota, disse não responder por questões operacionais específicas de suas associadas e mudanças em suas jornadas de trabalho ou qualquer outra medida de caráter estratégico voltada aos negócios.
Mas falando pelo setor, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, reconhece o momento como preocupante. “Diferente de nossas primeiras projeções, baseadas nos números de 2013, no momento devemos focar em mais produtividade e aumento das vendas, fatores que foram prejudicados pela Copa do Mundo e outros aspectos que reduziram a produção do semestre em 30 mil motocicletas”, comentou Fermanian.

Pouco a ser feito
As condições impostas aos trabalhadores da Moto Honda e de todo o Polo de Duas Rodas, tem sido defensivas para a indústria e à manutenção das vagas, e por ser uma questão de mercado, pouco pode ser feito pela municipalidade, explica o presidente da Comtic (Comissão de Turismo, Indústria e Comércio), vereador Wilker Barreto (PHS). “O município fica impotente, o que acontece é uma questão macro, longe de nosso alcance. O que podemos fazer é esperar que as coisas melhorem e que o governo federal tome providências quanto às linhas de crédito. Quanto às paralisações, tudo o que for feito para se manterem os empregos, é válido”, disse o vereador.
Acreditando que as paralisações são paliativas, mas necessárias, o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Aleam (Assembleia legislativa do Estado do Amazonas), deputado estadual José Ricardo Wendling (PT) ainda enumera alguns outros problemas para a economia estadual. “Além dos empregos ameaçados, com a baixa produção, cai o poder de compra do trabalhador, que deixa de consumir, gerando menos receita. Paralisar pode ser bom para a indústria, mas por quanto tempo?” ressalta Wendling.
Segundo o deputado, manter o PIM em pleno funcionamento será uma das grandes batalhas, mesmo com a prorrogação da ZFM por mais 50 anos. “É uma nova fase, de novos desafios. Precisamos manter as indústrias no Estado, mas a todo vapor. Estas empresas pagam salários, encargos e benefícios sociais que mantêm a economia em atividade,” fecha.
O deputado estadual Luiz Castro ainda espera que algo seja feito, dois anos depois de propor em audiência pública com Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Sefaz-Am (Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas) e Abraciclo, a ideia de se definir uma política de apoio às indústrias de bem final a fim de unificar a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 35% para todos os veículos de duas rodas.
“Será necessário um maior envolvimento do governo federal, algo que facilite o crédito, reduzindo juros, por exemplo, o que faria que as médias cidades comprassem mais veículos. Outra saída seria a criação de barreiras para importações, até que o setor recobre o fôlego perdido em um ano atípico, com vendas baixíssimas e poucos dias trabalhados. A produção normalizada dará segurança aos colaboradores”, disse Castro.

Menos drástico
As paralisações nas linhas de montagem podem ser menos danosas do que aparentam, apesar de causar temor aos empregados e empresas fornecedoras, disse o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Marcus Evangelista. “Entendemos uma paralisação temporária como uma medida preocupante, mas não tão drástica quanto o layoff. É uma forma de se evitar demissões e desperdícios nas esteiras produtivas até a normalização das vendas. É um fenômeno mundial que salvaguarda os postos de trabalho” disse Evangelista.
O recém finalizado mês de agosto foi o segundo pior mês de 2014 para o setor (111,3 mil unidades vendidas), ficando abaixo de junho, que teve pouco mais de 100 mil motos emplacadas. Comparação com julho, agosto registrou uma queda de 8% nos licenciamentos, emplacando uma média diária de 5,3 mil motos, praticamente a mesma do mês anterior. Os números foram divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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