O setor atacadista distribuidor está em alta no país, impulsionado pelos pequenos e médios varejistas. Estes, por sua vez, crescem junto com o poder de compra da classe C. Espera-se para este ano crescimento de 12%, dados obtidos pela Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores). No Amazonas, embora não forneçam números, os atacadistas informam que o crescimento está abaixo da media nacional. A expectativa, contudo, é superar os 6% obtidos no ano passado.
De acordo com o presidente da Abad, Carlos Eduardo Severini, a mudança de hábito dos brasileiros, depois da estabilização da economia, permitiu o avanço do setor e contribuiu para um faturamento total de R$ 131,8 bilhões, com crescimento nominal de 9,2% em 2009 e crescimento real de 4,1% com relação a 2008.
Ele lembra que, em épocas de inflação galopante, os consumidores procuravam fazer a compra do mês assim que recebiam seus salários. Para isso, procuravam supermercados de maior porte que, como compram em grande quantidade, costumam negociar diretamente com os fabricantes.
“O setor continua firme em seu crescimento e houve alta do varejo alimentar. Os pontos de vendas atendidos alcançaram 1 milhão este ano e as áreas de armazenagem aumentaram em todo o país, chegando a 8,2 milhões de metros quadrados”, destacou Severini.
Segundo o dirigente, a expectativa de crescimento para o número de pessoas empregadas neste ano está em torno de 250 mil funcionários, sendo 34,7 mil vendedores e 88 mil representantes comerciais autônomos. “Contamos hoje com uma frota de 37,7 mil veículos próprios, portanto temos motivos de sobra para festejar e sermos otimistas”, comemorou.
Apesar de não informar números, o presidente do Sincadam (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas), Enock Alves Luniére, avalia que o setor no Amazonas está a todo vapor. “Não temos como mensurar ainda os números de crescimento do setor local, pois a analise total de crescimento é feito somente em janeiro de cada ano, mas sabemos que em 2009 o Amazonas cresceu 6% com relação ao ano de 2008, e este é um crescimento bastante significante”, disse satisfeito.
“Aproveitar oportunidades”
A evolução do mercado local aponta que duas empresas do segmento, Mercantil Nova Era e Makro Atacadista, estão entre as 30 maiores empresas dos sete estados do Norte. O dirigente afirmou que o setor atacadista do Amazonas está qualificado como o maior da região e teria maior crescimento se a logística local tivesse maior atenção do setor público. “Nossa logística é muito lenta, o misto rodoviário com o fluvial é muito precário. Imagine se a BR-319 estivesse pronta; com certeza alavancaríamos o setor em mais de 70% em todos os extremos”, lamentou Luniere.
Para Luniere, o setor ainda tem bastante espaço para crescer no Amazonas. “As empresas atacadistas distribuidoras que souberem aproveitar as oportunidades, investirem da forma certa, melhorando a operação logística, de vendas e do serviço prestado aos clientes, poderão colher bons frutos nos próximos anos”, assegurou.
Falta de qualificação da mão-de-obra é outro obstáculo para o crescimento
Segundo o diretor geral do grupo Nova Era, Marcelo Gastaldi, o setor tem crescido de forma promissora, mas ainda enfrenta desafios, a exemplo da falta de qualificação do trabalho. “Nosso maior problema atualmente esta na mão de obra. É preciso qualificar as pessoas que atuam no setor para podermos prestar melhores serviços”, destacou.
Conforme o executivo, o Grupo Nova Era é o maior da região Norte e espera incremento de 13,37% até dezembro. “Estamos crescendo a cada ano; em 2009 alcançamos 10,10% com relação a 2008 e faturamos em torno de R$ 350 milhões”, informou.
Gastaldi lembra que outro entrave encontrado no setor é a guerra fiscal travada entre os estados. “É preciso que se faça uma reforma tributaria capaz de simplificar os impostos e unificar a cobrança entre os estados”, defendeu.
No entendimento da Abad, neste ano, está havendo uma recuperação do consumo no varejo, que esta sendo impulsionado pela estabilidade macroeconômica, maior renda e disponibilidade de credito, e o crescimento das classes C e D.
Na analise feita até agora, os supermercados médios e de grande porte são os que estão tendo maior crescimento, a estimativa de crescimento para este ano é de 10% a 12% que possivelmente irá causar impacto direto a importância do setor atacadista distribuidor nas vendas ao varejo.
O setor apesar de enfrentar um cenário cada vez mais acirrado e desafiador, está bastante otimista, e busca encontrar as principais áreas de oportunidades para obter êxito.







